Um relatório de 110 páginas publicado pela Project Eleven acende o alerta: computadores quânticos podem ser capazes de quebrar a criptografia do Bitcoin entre 2030 e 2042 — e a transição pode acontecer sem aviso prévio.
A organização de pesquisa Project Eleven divulgou nesta terça-feira (5) um extenso relatório sobre os riscos que a computação quântica representa para o Bitcoin e para outras criptomoedas. O documento, com 110 páginas, analisa cenários técnicos e temporais para o chamado “Dia-Q” — o momento hipotético em que máquinas quânticas se tornariam poderosas o suficiente para comprometer os algoritmos criptográficos que protegem as redes blockchain.
Segundo a Livecoins, que teve acesso ao relatório, a Project Eleven estima que esse cenário pode se concretizar entre 2030 e 2042. O prazo é amplo por uma razão central: o avanço da computação quântica não segue uma curva linear, e saltos tecnológicos inesperados podem antecipar drasticamente esse horizonte.
O relatório alerta que desenvolvedores e gestores de protocolos blockchain precisam considerar esse risco com seriedade — não apenas como uma ameaça distante, mas como um problema que pode surgir “do dia para a noite”, sem tempo hábil para respostas emergenciais.
Como a ameaça quântica funciona na prática
A segurança do Bitcoin depende fundamentalmente de dois pilares criptográficos: o algoritmo SHA-256, usado na mineração, e o ECDSA (Elliptic Curve Digital Signature Algorithm), responsável por proteger as chaves privadas e autorizar transações. Computadores quânticos suficientemente avançados poderiam, em teoria, reverter operações que hoje demandariam milhares de anos para serem quebradas por máquinas clássicas.
A preocupação central da Project Eleven recai sobre as chaves públicas expostas na blockchain. Endereços que já realizaram transações — e portanto tornaram suas chaves públicas visíveis — seriam os primeiros alvos em um cenário de ataque quântico bem-sucedido.
A Project Eleven projeta o “Dia-Q” entre 2030 e 2042, dependendo do ritmo de evolução do hardware quântico e dos avanços em correção de erros.
O avanço quântico não é gradual. O relatório destaca que um salto tecnológico pode encurtar drasticamente o prazo, pegando o ecossistema de surpresa.
Endereços Bitcoin que já realizaram transações são os mais vulneráveis, pois suas chaves públicas estão registradas permanentemente na blockchain.
A indústria já discute padrões resistentes à computação quântica. O NIST (EUA) finalizou em 2024 os primeiros algoritmos pós-quânticos padronizados.
O contexto: Google e a corrida quântica
O relatório da Project Eleven chega um mês após o Google anunciar novos avanços com seu processador quântico Willow, que demonstrou capacidade de resolver determinados problemas computacionais em tempo recorde. Embora o Willow ainda esteja muito distante de ameaçar a criptografia do Bitcoin, o anúncio reacendeu o debate sobre a velocidade com que essa tecnologia evolui.
A comunidade de desenvolvedores do Bitcoin já discute internamente propostas para tornar o protocolo resistente à computação quântica, mas qualquer mudança estrutural na rede exige amplo consenso e um processo longo de implementação — o que reforça a urgência apontada pelo relatório.
O que diz a Project Eleven
A organização não afirma que o ataque é iminente ou inevitável, mas argumenta que a janela de preparação é limitada e que a natureza não-linear do progresso quântico torna qualquer projeção conservadora potencialmente otimista demais. O relatório recomenda que o ecossistema comece a agir agora, antes que o prazo se torne urgência real.
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📌 Nota editorial
As informações deste artigo são baseadas no relatório divulgado pela Project Eleven e na cobertura publicada pelo portal Livecoins em 5 de junho de 2025. O KriptoHoje não teve acesso direto ao documento completo e reproduz as informações com base nas fontes citadas.
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