Uma pesquisa da Project Eleven aponta que o chamado “Q-day” — o momento em que computadores quânticos poderiam comprometer as criptografias do Bitcoin e do Ethereum — pode ocorrer já em 2030, dois anos antes das estimativas anteriores do Google.
O cenário de uma ameaça quântica às criptomoedas ganhou contornos mais urgentes. A organização de pesquisa Project Eleven publicou uma análise indicando que computadores quânticos suficientemente poderosos para quebrar a criptografia que protege redes como Bitcoin e Ethereum podem estar operacionais já em 2030 — antecipando em dois anos a janela temporal que pesquisadores do Google haviam projetado anteriormente.
O chamado “Q-day” é o ponto hipotético em que um computador quântico seria capaz de executar o algoritmo de Shor em escala suficiente para fatorar as chaves criptográficas que sustentam a segurança de transações em blockchain. Segundo a reportagem do Portal do Bitcoin, a análise da Project Eleven acelera esse horizonte com base nos avanços recentes em hardware quântico.
Na prática, isso significa que carteiras com chaves públicas expostas — especialmente endereços que já realizaram transações e, portanto, tiveram sua chave pública revelada na rede — seriam os alvos mais vulneráveis. Estima-se que milhões de bitcoins estejam armazenados em endereços nessa condição, incluindo carteiras atribuídas ao próprio Satoshi Nakamoto.
O que está em risco e por quê
A criptografia usada pelo Bitcoin — baseada no algoritmo ECDSA (Elliptic Curve Digital Signature Algorithm) — e os mecanismos de assinatura do Ethereum dependem de problemas matemáticos que são computacionalmente inviáveis para computadores clássicos resolverem. Um computador quântico suficientemente avançado, contudo, poderia realizar esse cálculo em tempo hábil.
Carteiras que já enviaram transações expõem sua chave pública na blockchain, tornando-as potencialmente vulneráveis a um ataque quântico via algoritmo de Shor.
Endereços que nunca realizaram uma transação de saída mantêm sua chave pública oculta, oferecendo uma camada adicional de proteção contra ataques quânticos no curto prazo.
Desenvolvido em 1994, este algoritmo quântico é capaz de fatorar grandes números inteiros de forma eficiente — o que quebraria a base matemática da criptografia de curva elíptica.
A Project Eleven antecipa o “Q-day” para 2030, dois anos antes do estimado pelo Google, com base nos avanços acelerados em processadores quânticos de alta fidelidade.
O Ethereum também enfrenta exposição significativa, dado que grande parte dos endereços ativos na rede já teve suas chaves públicas reveladas em interações com contratos inteligentes e transferências. Para entender melhor como a rede funciona e sua arquitetura de segurança, confira o guia completo de Ethereum.
A corrida pela criptografia pós-quântica
O NIST (Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia) dos EUA já publicou os primeiros padrões de criptografia pós-quântica em 2024. Desenvolvedores de Bitcoin e Ethereum discutem protocolos de migração, mas a transição exige coordenação ampla da comunidade e atualizações de protocolo de grande complexidade técnica.
Comunidades cripto já debatem soluções
Desenvolvedores do ecossistema Bitcoin debatem propostas como o QuBit (BIP-360), que introduziria endereços resistentes a ataques quânticos. No Ethereum, a transição para esquemas de assinatura pós-quânticos é um tema recorrente nas discussões do roteiro de longo prazo da rede, embora ainda sem data definida para implementação.
Segundo o Portal do Bitcoin, a análise da Project Eleven reforça a necessidade de que o setor trate o tema com maior urgência. O estudo não aponta que o colapso é inevitável, mas que a janela de tempo para adaptação é menor do que se imaginava — o que torna o debate técnico cada vez mais relevante para desenvolvedores, custodiantes e usuários de longo prazo.
📌 Nota editorial
A análise da Project Eleven representa uma estimativa técnica, não uma certeza. O desenvolvimento de computadores quânticos em escala suficiente envolve desafios de engenharia ainda não resolvidos. O debate, porém, evidencia a importância de acompanhar os avanços nessa área com atenção.
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