O encerramento vale para toda a plataforma, não só para o Brasil. Os saques já estão liberados e seguem abertos até 22 de dezembro de 2026, quando a corretora completa nove anos e fecha as portas. O KriptoHoje apurava a saída do país desde sexta-feira e confirmou a decisão horas antes do anúncio.
A CoinEx anunciou na noite desta segunda-feira (14) o encerramento de todas as suas operações. Em carta publicada no X, o CEO e fundador Haipo Yang afirmou que a corretora inicia um encerramento ordenado e será formalmente fechada em 22 de dezembro de 2026, exatamente nove anos depois de entrar no ar, em 22 de dezembro de 2017.
Os saques já estão liberados e ficam abertos até 22 de dezembro. Segundo Yang, a taxa de reservas da corretora supera 100% e todos os ativos dos usuários estão integralmente cobertos e disponíveis para retirada. Alguns tokens podem demorar um pouco mais para processar, pela movimentação de fundos entre carteiras frias e quentes, mas a empresa garante que toda solicitação feita dentro do prazo será honrada.
No Brasil, o KriptoHoje apurava a saída da corretora desde sexta-feira (11) e confirmou a decisão com a empresa horas antes do anúncio oficial. Segundo a apuração, a CoinEx optou por não solicitar ao Banco Central a autorização exigida das prestadoras de serviços de ativos virtuais, as PSAVs. O anúncio desta noite mostra que a decisão brasileira fazia parte de um movimento global.
O comunicado oficial detalha o cronograma e os procedimentos do encerramento. Junto do anúncio, a corretora divulgou sua página de prova de reservas, onde a cobertura dos ativos dos usuários pode ser acompanhada, e a carta completa do CEO está publicada em sua conta no X.
Nove anos e um final anunciado pelo fundador
Na carta, Yang reconhece que a CoinEx não se tornou uma das corretoras líderes do setor e avalia que os riscos de segurança e de conformidade de operar uma exchange ficaram cada vez mais difíceis de conter. “A receita pode cair, a responsabilidade não”, escreveu, ao concluir que carregar risco ilimitado em troca de receita limitada deixou de ser uma escolha racional. Ainda assim, destacou que a plataforma atravessou nove anos de ciclos de alta e de baixa e sai do mercado intacta, honrando os usuários.
O fundador conta que chegou a considerar a venda da empresa, mas descartou a ideia: para ele, os usuários confiaram seus ativos à plataforma, em muitos casos a ele pessoalmente, e transferir essa confiança a um novo dono não seria o desfecho adequado. A corretora também anunciou a recompra do token CET pelo preço inicial de listagem, de 0,005 USDT por unidade, sem limite de quantidade, como forma de encerrar de maneira responsável o capítulo do token junto aos detentores.
O mercado já desconfiava
O assunto já circulava entre criadores de conteúdo do setor. Em vídeo publicado na sexta-feira, 11 de setembro, o youtuber SalleSRJ, do canal SalleSRJ na Web3, com cerca de 159 mil inscritos, contou que retirou todas as suas criptomoedas da corretora, recomendou o uso de hardware wallets para a guarda dos ativos e citou rumores de que a CoinEx poderia fechar.
Vídeo publicado pelo canal SalleSRJ na Web3 em 11 de setembro de 2026. Assista no YouTube.
O relato tinha um peso particular: o canal divulgou a CoinEx por anos em seus conteúdos, inclusive com link de indicação para a plataforma. A partir do vídeo, a reportagem procurou outros criadores de conteúdo que historicamente divulgaram a corretora; todos se esquivaram de comentar, e as divulgações haviam parado. O silêncio, agora se sabe, tinha motivo.
O mesmo roteiro da Europa
Os sinais regulatórios vinham se acumulando. Com a aplicação plena do MiCA, o regulamento europeu para criptoativos, qualquer plataforma precisava de autorização como prestadora de serviços de criptoativos para continuar atendendo clientes do bloco a partir de 1º de julho de 2026. A CoinEx não buscou a licença: em comunicado publicado em junho, anunciou que descontinuaria os serviços para usuários do Espaço Econômico Europeu até aquela data.
No aviso, a empresa afirmou que o serviço de saques não seria afetado e que os usuários impactados poderiam “sacar seus criptoativos a qualquer momento”. O nome da CoinEx tampouco aparece entre as prestadoras autorizadas no registro da ESMA, a autoridade europeia dos mercados de valores mobiliários. Visto em retrospecto, a saída da Europa foi o primeiro capítulo do encerramento global.
Por que as corretoras estão deixando o Brasil
No Brasil, o pano de fundo é o novo marco regulatório. As Resoluções BCB 519, 520 e 521, publicadas pelo Banco Central em 10 de novembro de 2025, entraram em vigor em 2 de fevereiro de 2026 e passaram a exigir autorização prévia para a prestação de serviços de ativos virtuais no país. Quem já operava ganhou uma janela de 270 dias, até 30 de outubro de 2026, para protocolar o pedido.
As exigências incluem entidade constituída no Brasil, capital mínimo, segregação entre o patrimônio da empresa e o dos clientes, governança e controles de prevenção à lavagem de dinheiro. Quem decide não pedir a autorização precisa encerrar as atividades de forma ordenada, com comunicação prévia aos clientes para a transferência dos ativos.
O efeito já aparece no mercado. Em 2026, Bitnuvem, NovaDAX e Digitra.com anunciaram encerramento, a Bitso deixou o atendimento a pessoas físicas e a Coinext, corretora brasileira, anunciou o fim da operação de varejo. Reportagem do Cointelegraph Brasil relatou ainda que executivos de pelo menos três grandes exchanges internacionais confirmaram, sob anonimato, planos de deixar o país. Com o anúncio desta segunda-feira, a CoinEx entra nessa lista, com uma diferença: no caso dela, o Brasil é parte de um fechamento mundial.
Linha do tempo: do lançamento ao fechamento
A CoinEx entra no ar. A corretora chegaria a afirmar atender mais de 6 milhões de usuários no mundo.
Banco Central publica as Resoluções BCB 519, 520 e 521, que regulamentam as prestadoras de serviços de ativos virtuais no Brasil.
As regras entram em vigor e começa a contagem dos 270 dias para o pedido de autorização, que termina em 30 de outubro.
Fim da transição do MiCA na Europa. A CoinEx descontinua os serviços no Espaço Econômico Europeu sem buscar a licença.
A Coinext, corretora brasileira sem relação com a CoinEx, anuncia o encerramento ordenado da operação de varejo.
O youtuber SalleSRJ publica vídeo citando rumores de fechamento da CoinEx e diz ter retirado todas as suas criptomoedas.
A CoinEx anuncia o encerramento de todas as operações, no Brasil e no mundo, e libera os saques imediatamente.
Fechamento formal da plataforma, exatamente nove anos após o lançamento, e fim do prazo para saques.
Os nomes são parecidos, mas as empresas são diferentes e não têm relação entre si. A CoinEx é a corretora global fundada em 2017 que anunciou nesta segunda-feira o fim de todas as operações. A Coinext, com t no final, é uma corretora brasileira, também de 2017, que anunciou em 3 de setembro de 2026 o encerramento da sua operação de varejo. Os dois processos são independentes.
O que fazer se você usa a CoinEx
Com a janela de saques aberta até 22 de dezembro, a orientação de sempre vale ainda mais: não deixe a retirada para os últimos dias. A própria empresa avisa que alguns tokens podem levar mais tempo para processar, pela movimentação entre carteiras frias e quentes, e filas de verificação e instabilidade são comuns nas últimas semanas de operação de qualquer corretora.
Quem pretende continuar negociando pode transferir os ativos para uma instituição autorizada ou com pedido de autorização em andamento no Banco Central. Quem prefere eliminar o risco de plataforma pode levar as criptomoedas para autocustódia, com as chaves privadas sob controle próprio, em uma hardware wallet.
Encerramentos também atraem golpes. Desconfie de e-mails, perfis e sites que se apresentem como suporte de saque da corretora, peçam a frase de recuperação da sua carteira ou ofereçam ajuda para liberar fundos. Nenhuma empresa legítima pede a seed phrase de clientes.
O KriptoHoje confirmou a decisão com a CoinEx antes do anúncio oficial. Esta matéria incorpora as informações divulgadas pela empresa e será atualizada se houver novos detalhes.
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Conhecer as hardware wallets na KriptoBRO KriptoHoje é um portal de notícias mantido pela KriptoBR, revendedora oficial de hardware wallets no Brasil. Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptoativos envolvem riscos, incluindo o de perda do capital. Prazos e procedimentos de encerramento devem sempre ser confirmados nos canais oficiais da corretora.
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