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Bitget pode ter sido hackeada: US$ 183 milhões saem de carteiras da corretora

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Dados on-chain registram 14 transações em cerca de duas horas levando ETH, stablecoins, BNB, AVAX e até ouro tokenizado de carteiras atribuídas à Bitget, incluindo uma carteira fria, para um único endereço sem identificação. Parte do valor virou Ethereum em minutos, com ágio de até 5%. Até a publicação, a corretora não havia se pronunciado.

Um conjunto de movimentações atípicas colocou a Bitget, uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo, no centro das atenções do mercado nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026. Monitoramentos on-chain identificaram a saída de aproximadamente US$ 183 milhões de carteiras rotuladas como pertencentes à exchange para um único endereço externo recém-ativo, em um padrão que analistas classificam como compatível com o início de um ataque hacker.

É importante dizer desde já: a Bitget não confirmou nem negou um ataque até o fechamento desta matéria, e não há comprovação de que todo o valor movimentado represente perda da corretora. O que existe, por ora, é uma suspeita fundamentada em dados públicos de blockchain, que qualquer pessoa pode verificar.

O que os dados mostram

O primeiro sinal veio da rede Arbitrum. Um endereço criado há poucas horas, identificado como 0xe410…d946, usou cerca de US$ 19,67 milhões em USDT0 retirados de uma carteira quente da Bitget para comprar 7.111 ETH em aproximadamente seis minutos. As ordens passaram por agregadores descentralizados como UniswapX e 1inch Fusion, e algumas execuções pagaram até 5% acima do preço de mercado, levando o pool WETH/USDC a marcar brevemente cerca de US$ 2.870. Quem compra com esse nível de pressa não está buscando o melhor preço: está buscando velocidade.

Na sequência, plataformas de análise como a Arkham Intelligence registraram 14 transações em cerca de duas horas saindo de endereços rotulados como da Bitget para um mesmo destino. Segundo levantamento do analista Wu Blockchain, três carteiras quentes e uma carteira fria estariam envolvidas. Os ativos movimentados incluem ETH, USDT, USDT0, USDC, BNB, AVAX e até XAUT, o ouro tokenizado da Tether, em ao menos seis redes diferentes. As carteiras sob suspeita ainda guardariam cerca de US$ 530 milhões, segundo as mesmas análises.

US$ 183 milhões

Valor total rastreado saindo de carteiras atribuídas à Bitget até a publicação (24/09/2026)

7.111 ETH em 6 minutos

Compra relâmpago na Arbitrum com US$ 19,67 milhões em USDT0, pagando ágio de até 5%

3 quentes + 1 fria

Carteiras da corretora sob suspeita, segundo o Wu Blockchain; 14 transações em cerca de 2 horas

US$ 6 bilhões

Total que a Bitget mantém em suas carteiras, segundo a Arkham; o valor movimentado equivale a cerca de 3% disso

Linha do tempo do caso

1. Monitoramentos on-chain detectam a saída de US$ 19,67 milhões em USDT0 de uma carteira quente da Bitget na rede Arbitrum.

2. Em cerca de seis minutos, o endereço recém-criado 0xe410…d946 converte todo o valor em 7.111 ETH via UniswapX e 1inch Fusion, aceitando pagar acima do preço de mercado.

3. Análises identificam 14 transações, em cerca de duas horas, de carteiras rotuladas como da Bitget (três quentes e uma fria) para um único endereço de consolidação, somando US$ 183 milhões em ao menos seis redes.

4. Os endereços ligados à movimentação seguem convertendo stablecoins em ETH, segundo os monitoramentos.

5. A Arkham registra, na sequência, a Bitget transferindo ativos de carteiras quentes para frias, movimento típico de contenção.

6. Até a publicação desta matéria, a corretora não havia se manifestado em seus canais oficiais. Circulam relatos isolados, e não confirmados, de saques travados na plataforma.

Verifique você mesmo

Blockchain é registro público. O endereço que recebeu os fundos e a transação que abriu o caso na Arbitrum podem ser consultados em exploradores como Etherscan e Arbiscan:

Endereço de consolidação: 0x770b10b273fC44Fe9197D6bF20F145c2e98463Ee

Transação inicial (Arbitrum): 0xd032320ad8a3cddc61ec0db5e6e26a6dcf813243a77b7edc5a65451ade0b84e3

Hack ou operação interna? O que pesa em cada hipótese

A favor da hipótese de ataque, há quatro elementos. Primeiro, o destino é um endereço novo, sem histórico e sem rótulo de custódia conhecida. Segundo, a pressa: converter dezenas de milhões em minutos, pagando ágio de 5%, é comportamento de quem prioriza velocidade sobre preço. Terceiro, a escolha do ETH tem lógica: emissores como Tether e Circle conseguem congelar USDT e USDC em endereços específicos, como já fizeram em incidentes anteriores, enquanto o Ethereum não possui esse mecanismo no protocolo. Trocar stablecoins por ETH rapidamente é o padrão clássico de quem teme bloqueio. Quarto, o envolvimento de uma carteira rotulada como fria, algo raro em manutenções de rotina.

A favor da hipótese de operação interna, também há argumentos. Corretoras remanejam fundos entre carteiras com frequência, e rótulos atribuídos por plataformas de análise podem conter erros. Além disso, a própria movimentação posterior da Bitget, levando ativos de carteiras quentes para frias, tanto pode indicar contenção de um ataque quanto uma reorganização de tesouraria. Enquanto a exchange não se manifestar, o caso permanece como suspeita fundamentada, não como hack confirmado.

O silêncio da Bitget e o que a corretora tem a seu favor

Fundada em 2018 e comandada por Gracy Chen, a Bitget se tornou uma das maiores plataformas do mundo em volume. A corretora mantém uma prova de reservas pública e um fundo de proteção que, segundo a própria empresa, supera US$ 300 milhões. Pelos dados da Arkham, suas carteiras somam mais de US$ 6 bilhões: mesmo no pior cenário, o valor movimentado hoje representa uma fração dos ativos totais.

Há ainda um precedente que joga a favor da empresa. Em fevereiro de 2025, quando a Bybit perdeu cerca de US$ 1,4 bilhão para hackers ligados ao grupo norte-coreano Lazarus, foi a própria Bitget quem emprestou 40 mil ETH, na época cerca de US$ 105 milhões, para ajudar a rival a honrar os saques. Por outro lado, a comparação também cobra um preço: naquele caso, o CEO da Bybit confirmou o ataque publicamente em poucas horas, o que ajudou a conter o pânico. Quanto mais tempo a Bitget levar para se pronunciar, maior tende a ser a pressão sobre a confiança na plataforma.

O episódio se soma a um ano difícil para a segurança de corretoras centralizadas: no início de 2026, a turca BtcTurk confirmou um ataque de US$ 48 milhões, e em 2024 a indiana WazirX havia perdido cerca de US$ 234 milhões, também com atribuição ao Lazarus. O elo fraco costuma ser o mesmo: as carteiras operacionais das plataformas.

O que quem usa a Bitget no Brasil deve fazer agora

  • Não agir por pânico. Até agora não há confirmação de perda de fundos de clientes, e o histórico recente do setor mostra grandes corretoras cobrindo prejuízos com recursos próprios.
  • Desconfiar imediatamente de qualquer mensagem sobre “reembolso”, “verificação de conta” ou “saque de emergência”. Golpistas exploram incidentes assim em questão de minutos, por e-mail, DM e grupos de Telegram. Nenhuma corretora pede senha, códigos ou frase de recuperação por mensagem.
  • Acompanhar apenas os canais oficiais da Bitget e veículos de imprensa. Não clicar em links recebidos por terceiros.
  • Revisar a segurança da conta: autenticação em dois fatores por aplicativo ou chave física, nunca por SMS.
  • Rever quanto do seu patrimônio está em custódia de terceiros. Em corretora, mantenha apenas o necessário para operar. Reservas de longo prazo pertencem à autocustódia, e vale lembrar: a carteira fria de uma exchange não é a sua carteira fria. Se as chaves não estão com você, existe risco de contraparte, por maior que seja a plataforma.

Suas criptomoedas, suas chaves

Episódios como o de hoje reforçam a regra número um do mercado: reservas de longo prazo ficam mais seguras fora das corretoras, em uma hardware wallet original, com as chaves privadas sob seu controle.

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Transparência: o KriptoHoje pertence ao mesmo grupo da KriptoBR, revendedora oficial de hardware wallets no Brasil desde 2017. A cobertura é editorialmente independente. Procuramos a Bitget para comentário e atualizaremos esta matéria, nesta mesma URL, assim que houver resposta ou novos desdobramentos.

Fontes: dados on-chain públicos com rótulos da Arkham Intelligence; publicações do analista Wu Blockchain; reportagens de CryptoBriefing e Bitcoin Sistemi; apuração própria.

Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptomoedas envolvem alto risco e volatilidade.

Reportagem produzida com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas do setor e revisada pela equipe da KriptoBR antes da publicação. Como produzimos nosso conteúdo.
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