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Investigação: Coinbase em tempestade perfeita — outage de 7h, prejuízo de US$ 394 mi, layoff de 14% e dois vazamentos de dados por funcionários terceirizados

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🔍 Investigação · 10 de maio, 2026

Em uma única semana, a Coinbase anunciou layoffs de 14% do quadro, reportou prejuízo de US$ 394 milhões e ficou sete horas fora do ar pelo segundo grande outage por AWS desde outubro de 2025. Vozes do setor pediram nas redes que usuários “deletem o aplicativo imediatamente”. O KriptoHoje analisou o histórico recente da maior exchange listada do mundo — incluindo o vazamento de dados de 69.461 clientes em 2025, custo estimado em até US$ 400 milhões — e contextualiza o que essa tempestade perfeita revela sobre risco de contraparte em exchanges centralizadas.

Na noite de quarta-feira, 7 de maio de 2026, por volta das 17h56 PDT, a Coinbase — maior exchange de criptoativos listada nos Estados Unidos (NASDAQ: COIN) — começou a registrar erros em todos os seus serviços. Usuários no mundo inteiro relataram que não conseguiam mais negociar, transferir ou sequer visualizar saldos. A interrupção viria a durar aproximadamente sete horas, encerrando-se apenas por volta das 02h28 PDT do dia 8. Segundo a própria Coinbase, o motivo foi um evento térmico em uma zona de disponibilidade da AWS na região US-EAST-1, em Virgínia (Norte), que provocou perda de energia e danificou hardware.

O outage foi grave por si só. Mas o contexto em que ele ocorreu é o que torna o caso digno de reportagem aprofundada: a interrupção aconteceu poucas horas depois de a Coinbase divulgar resultados desastrosos do primeiro trimestre de 2026 (prejuízo de US$ 394 milhões, receita 31% abaixo do ano anterior) e dois dias depois de a empresa anunciar o corte de 14% do quadro de colaboradores — cerca de 660 a 700 pessoas, conforme reportado por veículos como CoinDesk, Newsweek e CryptoTimes.

Nas redes sociais, o tom subiu rapidamente. Vozes conhecidas da comunidade cripto, como Rabid Mining (perfil verificado focado em mineração com canal no YouTube), recomendaram em 9 de maio que os usuários “deletassem o Coinbase de todos os dispositivos imediatamente”. A frase é radical e merece checagem. Esta reportagem reconstrói o histórico recente da Coinbase — os outages, o vazamento de dados de 2025 que afetou 69.461 clientes, o segundo incidente menor confirmado em fevereiro de 2026, os números financeiros de 2026, os layoffs e os argumentos críticos do setor — para que cada leitor possa formar sua própria avaliação com base em fatos verificáveis.

O outage de 7 horas — e por que os fundos do cliente parados não rendem juros nem se movem

A Coinbase mantém uma página oficial de status (status.coinbase.com) que documenta a cronologia completa do incidente. Os horários abaixo são extraídos diretamente desses registros e cruzados com a cobertura da CCN, do CoinDesk, do TheStreet, da Yahoo Finance e do CryptoTimes:

⏱️ Cronologia oficial do outage de 7-8 de maio

  • 17h25 PDT (7/5) — Engenheiros da AWS detectam problema na zona use1-az4, região US-EAST-1 (Virgínia do Norte). Causa: evento térmico no data center.
  • 17h56 PDT (7/5) — Coinbase registra que clientes “podem estar incapazes de transacionar”.
  • 18h53 PDT (7/5) — Coinbase atribui o problema oficialmente ao apagão da AWS.
  • 19h37 PDT (7/5) — Coinbase confirma “interrupções devido a temperaturas elevadas no serviço AWS afetado”.
  • 21h52 PDT (7/5) — Coinbase coloca todos os mercados em modo Cancel Only: ordens em aberto podem ser canceladas, novas ordens não podem ser aceitas.
  • 23h24 PDT (7/5) — Atualização oficial confirma o modo Cancel Only.
  • 23h39 PDT (7/5) — Mercados passam para modo Auction (clientes podem postar ordens-limite).
  • 00h49 PDT (8/5) — Negociação é reaberta nos mercados principais.
  • 02h28 PDT (8/5) — Coinbase declara incidente principal totalmente resolvido. Tempo total: aproximadamente 6 horas e 35 minutos.

Ao longo de toda a interrupção, a Coinbase manteve em comunicações oficiais a frase: “Your funds are safe” (“Seus fundos estão seguros”). A empresa fez questão de reforçar que nenhum saldo foi perdido e que os clientes recuperaram acesso normal aos ativos assim que os sistemas voltaram ao ar.

Mas há um ponto que merece análise editorial: durante 7 horas, dezenas (talvez centenas) de milhões de dólares em saldos de clientes não puderam ser movidos. Para o investidor médio, isso é um inconveniente. Para um day trader em meio a uma janela de volatilidade, isso pode significar perda real. Para o usuário pego em hora errada, pode significar a impossibilidade de reagir a uma queda. Em qualquer ativo descentralizado em hardware wallet pessoal — Bitcoin, Ethereum, Litecoin —, nenhum desses cenários é possível: a rede continua processando transações 24/7, independentemente do que acontece com qualquer empresa.

O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, em 9 de maio classificou o outage como “inaceitável” ao news.bitcoin.com e disse que a empresa vai reavaliar tradeoffs entre velocidade, co-locação de servidores e tempo de recuperação em falhas de infraestrutura. A admissão pública de inadequação da arquitetura — vinda do próprio CEO — é incomum e revela o tamanho da pressão.

Não foi a primeira vez

O CoinDesk, em sua cobertura, lembrou que esse é o segundo grande outage da Coinbase relacionado à AWS desde outubro de 2025. O veículo também recuperou histórico anterior:

  • 📅 Fevereiro de 2020 — Coinbase ficou fora do ar quando o Bitcoin caiu 10%, de US$ 9.500 para US$ 8.100, em 30 minutos. Outras exchanges americanas, incluindo a Kraken, reportaram operações normais no mesmo período.
  • 📅 Semana anterior (2020) — Outage similar quando o Bitcoin subiu 15% para US$ 8.900.
  • 📅 Outubro de 2025 — Primeiro grande outage por AWS na sequência atual.
  • 📅 7-8 de maio de 2026 — O incidente atual. Aparentemente, a única grande exchange afetada pelo evento da AWS, conforme apontado pelo CoinDesk.

O vazamento de 69.461 clientes — e a admissão de um segundo incidente em fevereiro de 2026

A história mais grave da Coinbase nos últimos doze meses não está no outage — está no vazamento de dados de 69.461 clientes ocorrido em 26 de dezembro de 2024, descoberto em 11 de maio de 2025 e divulgado oficialmente em 15 de maio de 2025 via Form 8-K à SEC (Securities and Exchange Commission, reguladora americana do mercado de capitais).

O modus operandi: suborno de funcionários terceirizados

Conforme a própria Coinbase descreveu publicamente em comunicado oficial em seu blog, em 15 de maio de 2025:

“Cibercriminosos subornaram e recrutaram um grupo de agentes de suporte estrangeiros para roubar dados de clientes da Coinbase, com o objetivo de facilitar ataques de engenharia social. Esses insiders abusaram de seus acessos aos sistemas de suporte ao cliente para roubar dados de conta de um pequeno subconjunto de clientes.”

— Comunicado oficial da Coinbase, em “Protecting Our Customers — Standing Up to Extortionists”, 15 de maio de 2025

A composição completa do que foi vazado, segundo o Form 8-K à SEC, a notificação ao Procurador-Geral do Maine e a cobertura de The Register, Dark Reading e Levin Law:

📛 Dados pessoais

Nomes completos, datas de nascimento, endereços residenciais, telefones, e-mails.

🆔 Documentos de identidade

Imagens de IDs governamentais (carteira de motorista, passaporte, RG), submetidas para KYC.

🏦 Dados financeiros parciais

Últimos 4 dígitos do Social Security Number (EUA), números mascarados de contas bancárias.

💼 Dados de conta

Saldos, histórico de transações, transferências, datas de abertura.

A Coinbase fez questão de destacar publicamente que não foram comprometidos: senhas, chaves privadas, seed phrases ou qualquer informação que permitisse acesso direto às contas e fundos. A empresa também afirmou que a Coinbase Prime (plataforma institucional) não foi afetada.

A extorsão de US$ 20 milhões — e a recusa da Coinbase

Em 11 de maio de 2025, segundo confirmação ao SC Media, CNBC e The Register, a Coinbase recebeu por e-mail uma demanda de extorsão de US$ 20 milhões em Bitcoin — pagamento exigido para que os dados não fossem liberados publicamente.

A resposta da empresa foi singular: não pagou o resgate. Em vez disso, em comunicado público assinado pelo CEO Brian Armstrong, a Coinbase anunciou a criação de um fundo de recompensa de US$ 20 milhões para informações que levassem à prisão e condenação dos atacantes. Os contratados envolvidos foram demitidos e a empresa cooperou com a aplicação da lei.

O custo financeiro: até US$ 400 milhões

A Coinbase divulgou estimativa oficial de impacto financeiro entre US$ 180 milhões e US$ 400 milhões, conforme reportado pela Dark Reading, Bitdefender e Exterro. O custo inclui: notificação aos clientes, monitoramento de crédito por um ano, remediação cibernética, investigações internas, ressarcimento aos clientes vítimas de engenharia social subsequente e potenciais penalidades regulatórias.

A empresa, em sua nota oficial, prometeu literalmente “tornar os clientes inteiros” (making customers whole) — ressarcindo aqueles que tenham sido enganados em transferências subsequentes baseadas nas informações roubadas.

As ações coletivas: pelo menos seis processos

Conforme o GRC Report e o Milberg Law (escritório que protocolou uma das ações), pelo menos seis ações coletivas (class actions) foram ajuizadas nos Estados Unidos contra a Coinbase, alegando negligência e resposta inadequada ao incidente. A maior delas, ajuizada pela Milberg, representa os 69.461 clientes afetados. As alegações centrais: falha em implementar medidas de segurança razoáveis (como withdrawal allow-listing ou autenticação obrigatória por chave física) e falha em proteger dados pessoalmente identificáveis (PII).

O segundo incidente: fevereiro de 2026

Como se o caso de 2025 não bastasse, em fevereiro de 2026 a Coinbase confirmou um segundo incidente de natureza similar. Conforme reportado pelo TechRadar, BleepingComputer, Risky Bulletin e SC Media, um único contratado da Coinbase acessou indevidamente dados de aproximadamente 30 clientes — número muito menor que o caso anterior, mas o modus operandi é idêntico: insider terceirizado com acesso ao painel de suporte.

“No ano passado, nosso time de segurança detectou que um único contratado da Coinbase acessou indevidamente informações de clientes, impactando um número muito pequeno de usuários (aproximadamente 30).”

— Porta-voz da Coinbase ao BleepingComputer, fevereiro de 2026

O contratado foi demitido e os clientes afetados notificados. Mas o ponto editorialmente relevante é o padrão de repetição: dois incidentes em pouco mais de um ano envolvendo terceirizados de suporte explorando o mesmo vetor de acesso. Para os críticos do modelo, a recorrência sugere que a arquitetura de controles da Coinbase em torno de terceirizados ainda apresenta vulnerabilidades.

Os números de 2026: prejuízo de US$ 394 milhões e demissão de 14% do quadro

Para entender por que vozes do setor cripto estão particularmente críticas com a Coinbase neste momento, é preciso olhar os números mais recentes do balanço. Os dados abaixo são extraídos do relatório oficial do Q1 2026 da empresa, divulgado em 7 de maio de 2026, e confirmados pela cobertura de CCN, CoinDesk, TheStreet, CryptoTimes, Yahoo Finance e Newsweek:

Prejuízo GAAP Q1 2026
-US$ 394 mi

2º trimestre consecutivo de prejuízo

EPS Q1 2026
-US$ 1,49

vs. expectativa de +US$ 0,04

Receita Q1 2026
US$ 1,41 bi

-31% YoY · -7% vs. estimativa

Adjusted EBITDA
-67% YoY

deterioração acelerada

O prejuízo de US$ 394 milhões está atrelado, em grande parte, a US$ 482 milhões em perdas não realizadas em criptoativos mantidos como investimento — particularmente Bitcoin, que recuou cerca de 23% no trimestre. As ações da Coinbase (ticker COIN) caíram mais de 5% no after-hours da sexta-feira após a divulgação dos resultados, conforme reportado pelo CoinDesk e Yahoo Finance.

Há números positivos no balanço — para ser justo: a Coinbase atingiu recorde de 8,6% de market share em volume de negociação cripto, a receita de derivativos cresceu 169% YoY, e mercados de previsão (prediction markets) atingiram US$ 100 milhões anualizados em apenas dois meses. Mas a deterioração da geração de caixa preocupa investidores, e o tom da reação foi predominantemente negativo.

Os layoffs: 14% do quadro

Em 5 de maio de 2026 — dois dias antes do balanço e do outage —, o CEO Brian Armstrong anunciou em postagem no X o corte de aproximadamente 14% do quadro, equivalente a entre 660 e 700 colaboradores. O release oficial menciona um custo único de reestruturação de US$ 50-60 milhões e economia anualizada projetada de US$ 500 milhões.

Em comunicado interno tornado público, Armstrong justificou os cortes mencionando a “transição para uma organização nativa em IA” e a adaptação a condições adversas de mercado. O CEO declarou ainda em entrevistas posteriores, conforme reportado pela Newsweek e pela 24/7 Wall St., que “layoffs em massa estão chegando a todas as empresas” — declaração interpretada por alguns analistas como tentativa de naturalizar a decisão num contexto setorial mais amplo.

A reorganização envolve, segundo o relatório oficial, fusão de equipes de engenharia antes operadas separadamente, mudanças no modelo gerencial e — segundo a própria Coinbase — aumento de 78% YoY em pull requests por engenheiro sob a nova estrutura. Para o ecossistema cripto, no entanto, a leitura é mais imediata: uma das maiores plataformas custodiantes do mundo está reduzindo equipes de produto, segurança e suporte simultaneamente, em meio a histórico de incidentes envolvendo justamente terceirizados de suporte.

Outras frentes de crítica: Base, “everything exchange” e roadmap 2026

As críticas atuais à Coinbase não se limitam aos quatro vetores acima. Em janeiro de 2026, o CEO Brian Armstrong divulgou o roadmap “Everything Exchange” da empresa — uma visão ambiciosa de plataforma que integraria criptoativos, ações, commodities, mercados de previsão, stablecoins escaladas, pagamentos e onboarding via Base App. Conforme cobertura do BeInCrypto, a recepção foi mista, com tom mais crítico que celebratório:

  • ⚠️ Disconexão entre roadmap e execução. Analistas apontam que o histórico recente da Coinbase mostra execução irregular — listagens de tokens com critérios opacos e priorização interna nem sempre alinhada com méritos técnicos.
  • ⚠️ Insatisfação com a Base. Desenvolvedores de longa data da rede Base (L2 da Coinbase sobre Ethereum) reclamam de “playground desigual“, em que o mérito é frequentemente secundário ao alinhamento interno. O caso da memecoin associada ao rapper Soulja Boy gerou backlash significativo no início de 2026.
  • ⚠️ Saída da Argentina. Em janeiro de 2026, usuários questionaram publicamente por que a Coinbase planejava desligar rampas de entrada/saída de stablecoins na Argentina, uma das regiões com maior uso de USDC e USDT no mundo.

Há ainda uma discussão pública de longo prazo sobre computação quântica e a vulnerabilidade das chaves criptográficas, com os próprios consultores da Coinbase publicando análise em abril de 2026 alertando que a janela para preparar o ecossistema para a era pós-quântica está estreitando — tema que vai além do escopo desta reportagem mas merece registro como vetor adicional de inquietação.

“Delete o aplicativo imediatamente”: a reação radical no X

Foi nesse contexto — outage de 7 horas, prejuízo trimestral, layoffs e dois vazamentos de dados em pouco mais de um ano — que vozes da comunidade cripto adotaram tom mais incisivo. Em 9 de maio de 2026, às 17h36, o perfil verificado Rabid Mining (@MiningRabid), focado em mineração de criptoativos e com canal estabelecido no YouTube, publicou:

“Delete o @coinbase de todos os dispositivos. Imediatamente.”

— Rabid Mining (@MiningRabid), no X, 9 de maio de 2026

A postagem teve mais de 2.000 visualizações em poucas horas e gerou debate. Não há, na publicação, fato novo verificável — trata-se de uma posição editorial baseada na leitura do conjunto de eventos recentes. Mas o tom captura uma percepção crescente em comunidades cripto mais técnicas: a de que o nível de exposição operacional acumulado pela Coinbase está alto demais e que o usuário individual não tem por que carregar esse risco.

O KriptoHoje não endossa a recomendação de “deletar imediatamente”. Cada usuário tem necessidades diferentes: alguns dependem da Coinbase para operações específicas (USDC, mercados regulamentados americanos, Coinbase Prime), outros usam apenas para conversões pontuais. O ponto editorial relevante não é “abandonar a Coinbase” — é entender que qualquer exchange centralizada carrega riscos operacionais que o usuário individual não pode controlar, e que a manutenção de patrimônio relevante em qualquer custodiante terceiro envolve trade-offs que merecem avaliação consciente.

A lição estrutural: dependências invisíveis em uma exchange centralizada

O que o caso da Coinbase mostra com particular clareza — talvez mais do que qualquer outro caso recente — é o conjunto de dependências invisíveis que qualquer usuário de exchange centralizada herda automaticamente ao manter saldos lá:

☁️ Dependência de cloud provider

Um data center da AWS em Virgínia superaquece e a maior exchange listada do mundo fica 7 horas fora do ar. Essa dependência não está no contrato com o cliente — mas afeta o cliente.

👥 Dependência de terceirizados

Suborno de funcionário terceirizado em escritório no exterior compromete dados de 69.461 clientes em 2025. Repete-se em escala menor em fevereiro/2026. Você confiou no Coinbase, mas teus dados foram para outras mãos.

📉 Dependência de balanço

A saúde financeira da empresa custodiante influencia diretamente sua capacidade de manter equipes de produto, segurança e suporte robustas. Prejuízo trimestral significa cortes — e cortes podem afetar serviços críticos.

⚖️ Dependência de jurisdição

Coinbase é empresa pública americana sob jurisdição da SEC. Mudanças regulatórias, sanções, decisões judiciais — todas podem afetar o acesso aos fundos. O usuário internacional carrega esse risco geopolítico.

A frase que sintetiza a tese editorial dessa investigação é a mesma que circulamos em reportagem anterior, sobre o caso Tether/Banco Master: “Não basta sair do banco se o cripto que você usa também está exposto a esse banco. Auto-custódia em Bitcoin elimina contraparte. Stablecoins, exchanges centralizadas e plataformas custodiantes — não.”

O caso Coinbase é didático justamente porque a Coinbase é uma das exchanges mais bem estruturadas, mais regulamentadas e mais transparentes do mercado. Cumpre obrigações de SEC, divulga balanços, paga multas, contrata equipes de segurança de classe mundial. Se até a Coinbase apresenta esse nível de fragilidade operacional, fica evidente que o problema não é a empresa específica — é o modelo de exchange centralizada como infraestrutura para custódia de longo prazo.

A Coinbase se manifestou

Para esta reportagem, o KriptoHoje verificou os canais oficiais de comunicação da Coinbase (perfil X @coinbase, perfil de suporte @CoinbaseSupport, página oficial de status e blog corporativo). Ao contrário de outros casos onde a empresa investigada não se manifestou, a Coinbase tem se posicionado ativamente sobre todos os pontos abordados nesta matéria:

  • ✓ Outage: CEO Brian Armstrong classificou como “inaceitável”; empresa promete revisar arquitetura de resiliência.
  • ✓ Vazamento de 2025: Comunicado público no blog corporativo, 8-K à SEC, recusa pública de pagar resgate, criação de fundo de recompensa de US$ 20 milhões, oferta de 1 ano de monitoramento gratuito de identidade aos afetados, compromisso de ressarcir clientes vítimas de engenharia social subsequente.
  • ✓ Incidente fevereiro/2026: Resposta confirmando ao BleepingComputer e ao TechRadar.
  • ✓ Q1 2026 e layoffs: Comunicado interno tornado público pelo CEO, divulgação completa do balanço, conferência aberta com analistas.

A transparência da Coinbase nessas comunicações — uma das poucas exchanges no mundo a ser obrigada legalmente a esse nível de disclosure por estar listada em bolsa — é, paradoxalmente, o que torna esses casos visíveis. Em exchanges offshore não regulamentadas, eventos de mesma natureza permaneceriam invisíveis ao público.

⚠️ Importante: rigor jornalístico e jurídico

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e jornalístico. As informações apresentadas baseiam-se em comunicados oficiais da Coinbase, registros à SEC (Form 8-K), documentos públicos do balanço Q1 2026, página oficial de status e cobertura de veículos jornalísticos especializados (CoinDesk, CCN, CryptoTimes, TechRadar, The Register, Dark Reading, BleepingComputer, Newsweek, CNBC, BeInCrypto, entre outros). O KriptoHoje não atribui responsabilidade jurídica nem afirma que a Coinbase atuou de má-fé. Os fatos relatados refletem informações oficialmente divulgadas pela própria empresa e por veículos profissionais. As opiniões de terceiros citadas (como a postagem do perfil Rabid Mining) são exclusivamente de seus autores e foram reproduzidas para contextualização do debate público — não representam recomendação editorial do KriptoHoje. A Coinbase é empresa pública listada na NASDAQ (COIN), e seus saldos de cliente, segundo a própria empresa e registros regulatórios, estão protegidos. Investimento em criptoativos e o uso de qualquer plataforma envolvem risco de perda. Esta matéria não constitui recomendação de compra, venda ou abandono de qualquer plataforma específica. Decisões individuais sobre custódia devem ser tomadas com base em avaliação própria. Consulte profissional habilitado antes de tomar decisões financeiras.

📚 Fontes consultadas

  • Comunicações oficiais Coinbase: blog corporativo “Protecting Our Customers — Standing Up to Extortionists” (15/05/2025); página oficial de status (status.coinbase.com); perfil X @CoinbaseSupport; Form 8-K à SEC (15/05/2025); Q1 2026 Earnings Report (07/05/2026)
  • Cobertura do outage 7-8 maio: CCN, CoinDesk, CryptoTimes, TheStreet/Yahoo Finance, Coinpedia, Techloy, news.bitcoin.com, cryip.co
  • Cobertura do vazamento de 2025: The Register, Dark Reading, Bitdefender, Milberg Law, Levin Law, Exterro, GRC Report, CNBC, Reuters, Maine Attorney General (notificação)
  • Cobertura do incidente fevereiro/2026: TechRadar, BleepingComputer, Risky Bulletin, SC Media, BrightDefense
  • Cobertura do Q1 2026: CCN, CoinDesk, Newsweek, 24/7 Wall St., CryptoTimes, Yahoo Finance
  • Cobertura “Everything Exchange” e Base: BeInCrypto, CoinDesk
  • Postagens públicas no X de @MiningRabid (Rabid Mining) e perfis citados — 9 de maio de 2026

Hardware wallet pessoal: a única classe de ativo livre de balanço trimestral, layoff e AWS

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