A reputação de volátil persegue o Bitcoin há anos — mas os números contam uma história diferente. Comparado a ações do S&P 500 e até à Tesla, o BTC pode ser menos imprevisível do que parece.
Perguntar se Bitcoin é volátil virou quase um ritual entre quem cogita entrar no mercado cripto pela primeira vez. A resposta curta é: sim, o BTC já exibiu oscilações expressivas. Mas a resposta completa exige contexto — e os dados disponíveis contradizem boa parte do senso comum propagado pela grande mídia.
Muitas pessoas que acompanharam o preço do Bitcoin nos últimos anos reconhecem o potencial da criptomoeda, mas hesitam diante de quedas pontuais. Essa hesitação, alimentada por narrativas de risco sem comparação com outros ativos, pode distorcer a percepção de quem ainda não tem BTC em carteira.
Para quem está começando a entender o universo do Bitcoin, vale conferir o guia completo de Bitcoin para iniciantes — um bom ponto de partida antes de mergulhar nas comparações de volatilidade.
O que os dados dizem sobre a volatilidade do Bitcoin
Um relatório publicado pela gestora VanEck em novembro de 2020 trouxe uma informação que passou despercebida por boa parte da imprensa financeira: 112 empresas do S&P 500 apresentaram volatilidade maior do que o Bitcoin em um período de 90 dias. No recorte de um ano, esse número subiu para 145 empresas.
Outro caso emblemático foi o da Tesla (TSLA). Segundo análise publicada pelo CoinDesk, em setembro de 2020, o preço do Bitcoin oscilou menos de 1,25% em mais de 50% dos dias do mês — contra apenas 6% dos dias para as ações da montadora de Elon Musk.
112 ações do S&P 500 foram mais voláteis que o Bitcoin em 90 dias. Em 1 ano, o número chegou a 145 empresas.
Em set/2020, BTC variou menos de 1,25% em mais de metade dos dias do mês. Tesla ficou abaixo desse patamar em apenas 6% dos dias.
Nos primeiros 9 meses de 2020, o Bitcoin desviou 10% ou mais em apenas 5 dias. O desvio médio diário foi de somente 2,3%.
O histórico ano a ano do BTC mostra valorização consistente, mesmo quando a leitura mensal aponta oscilações pontuais.
Esses números não significam que o Bitcoin seja um ativo isento de risco. Mas colocam em perspectiva a narrativa de que ele seria excepcionalmente mais perigoso do que alternativas já consideradas convencionais pelos investidores.
