Uma autoridade do Banco da Inglaterra avaliou que a demanda por stablecoins pode perder força nos próximos anos, à medida que o sistema bancário tradicional evolui e passa a oferecer alternativas digitais equivalentes.
Megan Greene, membro do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra (BoE), declarou que a demanda por stablecoins pode ser temporária. Segundo ela, grande parte do apelo atual dessas moedas digitais atreladas a ativos estáveis — como o dólar americano — reside nas limitações do sistema financeiro convencional, e não necessariamente em uma vantagem estrutural permanente das criptomoedas.
Segundo a Yahoo Finance, Greene fez a declaração em um evento recente, argumentando que, à medida que bancos e instituições financeiras tradicionais modernizem seus sistemas de pagamento e ofereçam soluções mais ágeis e baratas, a utilidade das stablecoins como alternativa pode diminuir consideravelmente.
Para entender melhor o contexto, é importante saber o que são stablecoins e por que elas ganharam tanto espaço nos últimos anos. Se você está começando no universo cripto, confira o guia completo de criptomoedas para ter uma base sólida sobre o tema.
O que são stablecoins e por que elas cresceram
Stablecoins são criptomoedas cujo valor é atrelado a um ativo de referência — geralmente o dólar americano. As mais conhecidas são USDT (Tether) e USDC (USD Coin). Elas foram criadas para resolver um problema central do mercado cripto: a alta volatilidade de ativos como Bitcoin e Ethereum.
Seu crescimento se acelerou especialmente em países com moedas locais instáveis, onde cidadãos passaram a usá-las como reserva de valor em dólar digital, e também em transferências internacionais, por serem mais rápidas e baratas do que os sistemas bancários convencionais.
Transferências internacionais lentas, com altas taxas e horários limitados. Um dos fatores que impulsionaram o uso de stablecoins.
Permitem enviar valor em dólares digitais para qualquer lugar do mundo em minutos, com custos baixos e sem depender de bancos.
Em economias com moedas instáveis, como Argentina e Turquia, stablecoins se tornaram ferramenta de proteção patrimonial popular.
Governos e bancos centrais ao redor do mundo buscam regulamentar stablecoins, o que pode mudar sua dinâmica de mercado.
A visão do Banco da Inglaterra
A avaliação de Greene reflete uma postura que vem ganhando força entre reguladores do mundo todo: a de que o sucesso das stablecoins é, em parte, reflexo das ineficiências do sistema financeiro atual, e não apenas de uma proposta de valor intrínseca à tecnologia blockchain.
O argumento central do BoE
Se os bancos tradicionais conseguirem oferecer pagamentos instantâneos, 24 horas por dia, 7 dias por semana, com baixo custo e alcance global — parte significativa da demanda por stablecoins pode simplesmente desaparecer. A questão é: conseguirão fazer isso a tempo?
O argumento, no entanto, não é consenso. Defensores das stablecoins apontam que elas oferecem algo que bancos dificilmente replicarão: acesso sem permissão, ou seja, qualquer pessoa com acesso à internet pode usá-las, sem necessidade de abrir uma conta bancária ou passar por processos de verificação.
Além disso, o uso de stablecoins em aplicações de finanças descentralizadas (DeFi) vai além de simples transferências — elas funcionam como base para empréstimos, rendimentos e negociações em protocolos que operam de forma autônoma, sem intermediários.
📌 Nota editorial
A declaração de Greene foi reportada pela Yahoo Finance e representa a opinião de um membro do comitê do BoE, não uma posição oficial da instituição como um todo. O debate sobre o futuro das stablecoins segue em aberto entre economistas, reguladores e o setor cripto.
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