Três das maiores empresas de pagamentos do mundo — Visa, Mastercard e Stripe — estariam desenvolvendo conjuntamente uma plataforma voltada para stablecoins, segundo fontes familiarizadas com os planos.
Segundo a CoinDesk, citada pelo portal Livecoins, ao menos três fontes com conhecimento direto das tratativas confirmaram que Visa, Mastercard e Stripe estão em negociações para construir uma infraestrutura compartilhada de stablecoins — ativos digitais atrelados ao valor de moedas fiduciárias, como o dólar americano.
A movimentação chama atenção justamente porque essas três companhias historicamente ocupam o centro do sistema financeiro tradicional. O fato de estarem se aproximando do ecossistema cripto — em vez de resistir a ele — sinaliza uma mudança relevante na postura das grandes corporações de pagamentos frente às moedas digitais estáveis.
O que se sabe sobre a plataforma conjunta
Até o momento, os detalhes técnicos e comerciais do projeto não foram divulgados oficialmente por nenhuma das três empresas. As informações disponíveis partem de fontes anônimas, o que significa que os contornos definitivos da iniciativa ainda podem mudar — ou nem chegar a se concretizar na forma descrita.
O que o mercado observa, no entanto, é que as três empresas já vinham, individualmente, ampliando sua exposição ao universo de ativos digitais. A Stripe reativou suporte a pagamentos em criptomoedas após anos afastada do segmento. A Visa tem conduzido pilotos com liquidação em USDC. A Mastercard, por sua vez, firmou parcerias com diversas exchanges e redes blockchain nos últimos anos.
Já realiza pilotos de liquidação usando USDC na blockchain Ethereum e Solana, sinalizando abertura para infraestrutura descentralizada.
Firmou acordos com exchanges e redes blockchain, e lançou ferramentas para facilitar pagamentos com ativos digitais em sua rede global.
Reativou suporte a pagamentos em cripto após pausa de anos e adquiriu a Bridge, startup especializada em infraestrutura de stablecoins, em 2024.
Por que gigantes de pagamentos querem stablecoins?
As stablecoins permitem transferências quase instantâneas, com custos potencialmente menores do que os praticados pelas redes tradicionais de cartão. Para empresas como Visa e Mastercard, que cobram taxas sobre cada transação intermediada, isso pode parecer uma ameaça — mas também representa uma oportunidade de modernizar a própria infraestrutura e manter relevância em um cenário financeiro em transformação.
Ao construir ou integrar uma plataforma própria de stablecoins, essas empresas poderiam continuar sendo o elo central das transações digitais, mesmo que o meio de troca mude do cartão tradicional para moedas digitais lastreadas. A lógica é: se o dinheiro vai se mover em blockchain, que seja pela nossa trilha.
Contexto: o avanço regulatório nos EUA
O movimento acontece em um momento em que o Congresso americano avança na regulamentação de stablecoins. O chamado GENIUS Act — legislação dedicada a estabelecer regras claras para emissores de moedas digitais estáveis nos EUA — ganhou tração no Senado em 2025, criando um ambiente mais previsível para que grandes players tradicionais entrem no setor sem os riscos regulatórios anteriores.
Segundo a Livecoins, que repercutiu a reportagem original da CoinDesk, as fontes ouvidas pela publicação americana são pessoas diretamente familiarizadas com os planos das três empresas — embora nenhuma delas tenha se identificado publicamente, e nenhuma das companhias tenha confirmado oficialmente a iniciativa até o momento da publicação.
Para quem acompanha o mercado de Bitcoin e criptoativos em geral, o movimento reforça uma tendência já observada há alguns anos: a convergência entre finanças tradicionais e infraestrutura descentralizada. Entender o papel das stablecoins nesse cenário é fundamental para qualquer pessoa que queira compreender o ecossistema cripto. Leia também nosso guia completo de Bitcoin para iniciantes.
📌 Nota editorial
As informações sobre a plataforma conjunta de Visa, Mastercard e Stripe partem de fontes anônimas ouvidas pela CoinDesk e reproduzidas pela Livecoins. Nenhuma das três empresas confirmou oficialmente o projeto até o fechamento desta reportagem. O KriptoHoje continuará acompanhando eventuais desenvolvimentos.
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