Dados recentes indicam que cerca de metade de todos os bitcoins em circulação estão sendo carregados por detentores que pagaram mais do que o valor atual de mercado — e nem os grandes fundos escapam dessa conta.
O mercado de bitcoin atravessa um momento delicado. Segundo levantamento divulgado pela Exame, aproximadamente 50% de todos os bitcoins em circulação estão nas mãos de investidores que adquiriram a criptomoeda a preços superiores ao nível atual de mercado — ou seja, estão tecnicamente no prejuízo.
O fenômeno não se restringe a pequenos investidores de varejo. A gestora americana BlackRock, uma das maiores do mundo, também figura entre os afetados. Um podcast especializado estimou que o fundo IBIT — o ETF de bitcoin à vista da BlackRock — acumula perdas não realizadas na casa dos US$ 13 bilhões, dependendo do preço médio de entrada dos cotistas.
Para entender como esse cenário se forma, é preciso olhar para uma métrica conhecida no mercado como custo de base (ou cost basis): o preço médio pelo qual cada unidade de bitcoin foi adquirida. Quando o preço de mercado cai abaixo desse valor, o detentor entra na zona de perda não realizada.
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Por que metade do mercado está no vermelho?
O bitcoin chegou a atingir máximas históricas acima de US$ 100 mil no final de 2024, atraindo uma leva expressiva de novos compradores naquele patamar. Com a correção subsequente dos preços, boa parte dessas posições passaram a registrar valor de mercado inferior ao preço pago — configurando o cenário descrito nos dados mais recentes.
Segundo a Exame.com, a estimativa de prejuízo no IBIT da BlackRock foi levantada por um podcast do setor, com base no preço médio de entrada dos investidores que aportaram no fundo durante o pico de entusiasmo do mercado. Vale ressaltar que perdas não realizadas representam o valor em carteira no momento da análise — e podem se reverter com a recuperação do ativo.
Cerca de metade das unidades em circulação estão abaixo do custo de aquisição dos atuais detentores, segundo análise de mercado.
Estimativa de podcast especializado aponta que o ETF de bitcoin da maior gestora do mundo acumula perdas não realizadas significativas.
Muitos investidores compraram bitcoin próximo às máximas históricas do final de 2024, elevando o custo médio de entrada no mercado.
O prejuízo contabilizado é “no papel”: só se materializa caso o investidor decida vender o ativo abaixo do preço de compra.
O que são “perdas não realizadas”?
Uma perda não realizada ocorre quando o valor de mercado de um ativo cai abaixo do preço pago pelo investidor, mas a posição ainda não foi encerrada. No caso do bitcoin, enquanto o detentor não vender, a perda existe apenas no registro contábil. Historicamente, o bitcoin já se recuperou de múltiplos ciclos de quedas profundas — mas isso não garante comportamento futuro semelhante.
Institucional também sofre com a volatilidade
A presença de grandes instituições como a BlackRock no mercado de bitcoin foi amplamente interpretada como sinal de maturidade do setor. No entanto, o cenário atual demonstra que a volatilidade característica do ativo afeta qualquer perfil de investidor — do pequeno detentor de varejo às maiores gestoras globais.
O IBIT acumula bilhões de dólares em ativos sob gestão e registrou captações recordes desde seu lançamento, em janeiro de 2024. Mas o volume de entradas nos meses de maior euforia — quando o preço do bitcoin estava em patamares elevados — significa que uma parcela relevante dos cotistas entrou no fundo a preços médios altos.
📰 Fonte
As informações sobre o percentual de bitcoins no prejuízo e a estimativa de perdas no fundo IBIT foram originalmente reportadas pela Exame em sua editoria Future of Money. A estimativa do rombo de US$ 13 bilhões foi atribuída a um podcast especializado em criptoativos, sem divulgação de metodologia detalhada pela publicação.
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