Uma carteira Ethereum associada ao esquema fraudulento de mineração em nuvem HashFlare voltou a movimentar fundos após mais de três anos dormindo — transferindo o equivalente a US$ 18,5 milhões em ETH de uma só vez.
Na manhã de segunda-feira, um endereço Ethereum diretamente ligado ao esquema Ponzi de mineração em nuvem HashFlare registrou sua primeira movimentação em aproximadamente três anos e meio. Ao todo, foram transferidos 10.600 ETH, montante avaliado em cerca de US$ 18,5 milhões no momento da transação.
O alerta partiu do investigador onchain ZachXBT, em colaboração com a empresa de segurança Cyvers. A movimentação chamou atenção justamente pela longa inatividade da carteira — um padrão frequentemente associado a tentativas de dissipação de fundos oriundos de crimes financeiros, após um período de espera deliberada para reduzir o escrutínio das autoridades.
Segundo a The Defiant, que reportou o caso, esta foi a primeira atividade registrada no endereço desde que os fundos foram depositados, o que torna o episódio especialmente relevante para investigadores e autoridades que acompanham o rastro financeiro do caso HashFlare.
O que foi o HashFlare?
O HashFlare se apresentava como uma plataforma de mineração de criptomoedas em nuvem, prometendo retornos a investidores que pagavam pelo “aluguel” de poder computacional. As autoridades americanas concluíram que a operação era, na prática, um esquema Ponzi: os fundadores estonios Sergei Potapenko e Ivan Turogin foram indiciados nos EUA em 2022 por fraude que teria lesado mais de 75 mil pessoas, movimentando centenas de milhões de dólares.
A detecção precoce desse tipo de movimentação é cada vez mais comum graças a ferramentas de análise onchain e à atuação de investigadores independentes como ZachXBT, cujo trabalho tem sido essencial para rastrear recursos ligados a golpes históricos do mercado cripto.
10.600 ETH movimentados de uma única vez, avaliados em aproximadamente US$ 18,5 milhões no momento da transação.
A carteira ficou completamente dormante por cerca de três anos e meio antes de registrar qualquer movimentação.
O investigador onchain ZachXBT, com apoio da empresa de segurança Cyvers, identificou e reportou o movimento publicamente.
Os fundadores do HashFlare foram indiciados nos EUA em 2022 por fraude contra mais de 75 mil vítimas ao redor do mundo.
O episódio reforça um ponto central sobre a natureza pública do blockchain: mesmo após anos de inatividade, todo rastro financeiro permanece auditável e rastreável por qualquer pessoa com as ferramentas certas. Esse nível de transparência é, paradoxalmente, uma das características que torna a rede Ethereum ao mesmo tempo atrativa para usos legítimos e desafiadora para quem tenta ocultar recursos ilícitos.
Para entender melhor como funciona a rede que sustenta esse tipo de rastreamento, acesse o guia completo de Ethereum, com explicações detalhadas sobre a tecnologia por trás da segunda maior criptomoeda do mundo.
📰 Nota editorial
As informações deste artigo foram apuradas a partir de reportagem publicada pelo portal The Defiant e dos alertas públicos emitidos pelo investigador ZachXBT e pela empresa de segurança Cyvers. O KriptoHoje não teve acesso independente aos dados onchain e reproduz as informações com base nas fontes citadas.
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