A gestora de ativos Bitwise defende que o Bitcoin não apenas se recupera, mas estabelece patamares mínimos progressivamente mais altos a cada ciclo — e que a adoção institucional é o principal motor desse movimento.
Em meio à volatilidade recente do mercado de criptoativos, a Bitwise Asset Management, uma das principais gestoras especializadas em ativos digitais dos Estados Unidos, apresentou uma leitura diferente do momento atual do Bitcoin. Para a empresa, a correção em curso é consideravelmente mais branda do que as observadas em ciclos anteriores — e isso não seria coincidência.
Segundo o Portal do Bitcoin, a Bitwise argumenta que o piso do Bitcoin está subindo a cada novo ciclo de mercado. Ou seja, mesmo nos momentos de queda mais acentuada, a criptomoeda não retorna aos mínimos históricos do ciclo anterior. Essa elevação progressiva dos fundos seria sustentada, principalmente, pelo avanço da adoção institucional.
A análise ganha relevância num contexto em que fatores externos — como o avanço da inteligência artificial e mudanças no cenário macroeconômico global — têm gerado incerteza nos mercados. Ainda assim, a gestora mantém uma visão estruturalmente positiva para o ativo no longo prazo.
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Por que o piso sobe a cada ciclo?
A lógica apresentada pela Bitwise parte de um princípio simples: à medida que grandes players institucionais — fundos de pensão, ETFs, tesourarias corporativas e bancos — passam a alocar em Bitcoin, o volume de capital “ancorado” no ativo cresce. Isso cria uma base de demanda mais sólida que, nos momentos de estresse, evita quedas tão profundas quanto as do passado.
Em ciclos anteriores, o Bitcoin chegou a recuar mais de 80% em relação ao seu pico. A gestora aponta que, no ciclo atual, as retrações têm sido significativamente menores em percentual — um indicativo, segundo ela, de que a estrutura de mercado amadureceu.
A cada ciclo, os mínimos registrados pelo Bitcoin ficam acima dos mínimos do ciclo anterior, segundo a análise da Bitwise.
ETFs de Bitcoin à vista, tesourarias corporativas e fundos de grande porte ampliam a base de demanda e reduzem a amplitude das correções.
O avanço da inteligência artificial gera pressão competitiva por atenção de capital, mas a Bitwise não vê isso como ameaça estrutural ao Bitcoin.
A correção atual é descrita pela gestora como menos severa em comparação com os bear markets de 2018 e 2022, em termos percentuais.
Inteligência artificial no radar
Um dos pontos levantados no debate é o crescimento acelerado do setor de inteligência artificial, que tem disputado atenção e capital de investidores ao redor do mundo. A pergunta implícita é: o entusiasmo com IA poderia drenar recursos que antes iam para o Bitcoin?
A Bitwise, conforme reportado pelo Portal do Bitcoin, não enxerga essa competição como uma ameaça capaz de deslocar o Bitcoin de sua posição. A gestora entende que os dois ativos atendem a teses de investimento distintas — e que o Bitcoin, como reserva de valor descentralizada, opera em uma categoria própria.
O que a Bitwise está dizendo, na prática
A gestora não está prevendo preços nem datas. O argumento central é estrutural: com mais capital institucional permanentemente alocado em Bitcoin, os ciclos de baixa tendem a ser menos devastadores do que os registrados quando o mercado era dominado por investidores de varejo. O piso sobe porque a base de sustentação fica maior.
Vale lembrar que a Bitwise é gestora de ETFs e fundos de criptoativos nos EUA, e tem interesse direto no crescimento do mercado. Suas análises, portanto, devem ser lidas com o devido senso crítico — o que não invalida os dados históricos que sustentam o argumento do piso crescente.
📰 Fonte
As informações desta reportagem são baseadas em análise publicada pelo Portal do Bitcoin, que repercutiu o posicionamento da Bitwise Asset Management sobre os ciclos de mercado do Bitcoin e o impacto da adoção institucional.
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