O crescimento do USDC em 2025 foi expressivo, mas os números revelam um modelo de negócio em que boa parte da receita vai direto para os parceiros de distribuição — especialmente a Coinbase.
A Circle, empresa emissora da stablecoin USDC, registrou um crescimento notável em 2025: a moeda digital atrelada ao dólar americano atingiu US$ 75,3 bilhões em circulação no quarto trimestre, uma alta de 72% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mas os documentos financeiros da companhia contam uma história mais complexa sobre como esse crescimento se traduz em lucro.
Segundo a CryptoSlate, que analisou o relatório anual (10-K) protocolado pela própria Circle, a empresa desembolsou US$ 1,4 bilhão em custos de distribuição vinculados à Coinbase em 2025 — um salto em relação aos US$ 924,5 milhões pagos no ano anterior. Esse valor representou aproximadamente 51% de toda a receita e renda de reservas da companhia no período.
Em outras palavras: a cada dois dólares gerados pelo USDC, pouco mais de um foi para cobrir o custo de manter a Coinbase como distribuidora. Para entender melhor como stablecoins funcionam dentro do ecossistema cripto, confira o guia completo de criptomoedas da KriptoBR.
O que são custos de distribuição de stablecoins?
Para circular amplamente, uma stablecoin precisa estar disponível onde os usuários operam — bolsas de valores digitais, carteiras e plataformas de pagamento. A Circle firmou acordos com a Coinbase e outras empresas para garantir que o USDC esteja presente nesses ambientes. Em troca, repassa uma parte significativa dos rendimentos obtidos com as reservas da moeda.
As reservas do USDC são compostas principalmente por títulos do Tesouro americano e depósitos bancários. Com as taxas de juros elevadas nos Estados Unidos ao longo de 2024 e 2025, essa carteira de reservas gerou rendimentos consideráveis — que representam a principal fonte de receita da Circle. O problema é que uma fatia crescente desse rendimento precisa ser repassada aos distribuidores.
A stablecoin atingiu US$ 75,3 bilhões em circulação no Q4 2025, alta de 72% ano a ano — segundo o 10-K da Circle.
US$ 1,4 bilhão pagos à Coinbase em 2025 — 51% de toda a receita e renda de reservas da Circle no ano.
Títulos do Tesouro americano e depósitos bancários formam o lastro do USDC e geram os rendimentos da Circle.
A Coinbase detém participação societária na Circle e é a principal distribuidora do USDC, o que explica o volume dos repasses.
Crescer mais caro: o dilema da Circle
A relação entre a Circle e a Coinbase vai além de um simples contrato comercial. A bolsa americana possui participação societária na Circle e integra o Centro Consórcio, grupo que historicamente governou o protocolo USDC. Essa estrutura garante à Coinbase uma posição privilegiada — e lucrativa — no ecossistema da stablecoin.
O paradoxo do sucesso
Quanto mais o USDC cresce, maior é o volume de reservas — e, portanto, maiores os rendimentos gerados. Mas, pela estrutura atual de acordos, os custos de distribuição também escalam proporcionalmente. A Circle precisa crescer de forma inteligente para que a expansão do USDC se converta em lucratividade real para a companhia, e não apenas para seus parceiros.
O cenário levanta questões relevantes sobre a sustentabilidade financeira do modelo à medida que a Circle avança em direção a uma oferta pública inicial (IPO). A empresa já protocolou documentos para abertura de capital nos Estados Unidos, e investidores em potencial tendem a observar com atenção a proporção entre receita bruta e custos operacionais.
📰 Nota editorial
Os dados citados nesta reportagem foram extraídos do relatório anual 10-K protocolado pela própria Circle junto às autoridades regulatórias americanas e analisados originalmente pela CryptoSlate. O KriptoHoje reescreveu as informações em português com fins informativos.
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