Uma ação coletiva avaliada em 623 BTC foi protocolada contra a BitMEX no mesmo dia em que a exchange de derivativos anunciou o encerramento de suas operações, alegando manipulação sistemática de liquidações forçadas.
A BitMEX, exchange de derivativos de criptomoedas que já foi uma das plataformas mais movimentadas do setor, enfrentou uma nova e pesada investida judicial exatamente no dia em que comunicou ao mercado o fim de suas operações. Uma ação coletiva proposta avalia o prejuízo causado aos usuários em 623 BTC — quantia que, a valores de mercado atuais, representa milhões de dólares.
Segundo a Cointelegraph.com News, o processo alega que a exchange utilizava acesso privilegiado ao sistema de negociação e provocava congelamentos deliberados em seus servidores para acionar liquidações forçadas em posições de clientes, lucrando diretamente sobre as perdas dos próprios usuários.
A denúncia aponta uma prática conhecida no mercado como “stop hunting” — quando ordens de liquidação são disparadas de maneira artificial, atingindo níveis de preço onde há grande concentração de posições alavancadas. Os autores da ação coletiva argumentam que a BitMEX não apenas se beneficiava dessas liquidações, mas as induzia ativamente por meio de sua infraestrutura técnica.
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O processo foi protocolado no mesmo dia do anúncio de encerramento da BitMEX, avaliando os danos em 623 BTC para o conjunto de usuários afetados.
A acusação afirma que instabilidades técnicas eram provocadas deliberadamente para forçar liquidações em momentos de alta volatilidade do mercado.
Alegações indicam que operadores internos da exchange teriam acesso antecipado a dados de posições dos clientes, criando vantagem assimétrica nas negociações.
A BitMEX comunicou oficialmente o fim de suas atividades no mesmo dia do protocolo judicial, sem divulgar detalhes sobre o processo de devolução de fundos aos usuários.
Uma trajetória marcada por polêmicas regulatórias
A BitMEX acumula um histórico significativo de embates com autoridades regulatórias. Em 2020, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou seus fundadores, incluindo Arthur Hayes, por violações à Lei de Sigilo Bancário e ausência de controles adequados de prevenção à lavagem de dinheiro. Hayes chegou a ser condenado e, posteriormente, recebeu o perdão presidencial.
A plataforma foi pioneira na popularização de contratos futuros perpétuos com alta alavancagem em Bitcoin, chegando a oferecer até 100x de exposição ao preço do ativo. Esse modelo atraiu um volume expressivo de traders, mas também expôs usuários a liquidações rápidas e de grande impacto em períodos de volatilidade intensa.
O que são liquidações forçadas em exchanges?
Quando um trader opera com alavancagem, a exchange pode encerrar automaticamente sua posição caso o saldo da conta não seja suficiente para cobrir as perdas — processo chamado de liquidação forçada. O problema apontado na ação contra a BitMEX é que a própria plataforma teria manipulado as condições de mercado para acelerar esse processo, capturando os fundos dos usuários de forma artificial.
A coincidência entre o anúncio de encerramento e o protocolo judicial levanta questões sobre o acesso dos usuários a seus fundos durante o processo de dissolução da plataforma. Até o momento da publicação desta reportagem, a BitMEX não havia divulgado um cronograma detalhado de devolução de ativos.
O caso reacende o debate sobre a custódia de ativos em exchanges centralizadas e os riscos associados ao uso de plataformas com pouca transparência sobre seus mecanismos internos de liquidação. Especialistas do setor têm recomendado que usuários mantenham apenas o volume necessário para negociação ativa em exchanges, transferindo o restante para carteiras sob sua própria custódia.
📌 Nota editorial
As alegações contidas na ação coletiva ainda não foram julgadas por nenhuma instância judicial. O KriptoHoje relata os fatos conforme disponíveis publicamente, sem atribuir culpa antes de decisão final da Justiça.
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