A empresa de Michael Saylor acumula uma posição bilionária em Bitcoin, mas a forte correção do ativo desde as máximas históricas deve pesar nos resultados do segundo trimestre de 2025.
A Strategy — empresa fundada por Michael Saylor e conhecida por sua agressiva estratégia de acumulação de Bitcoin — se prepara para divulgar os resultados do segundo trimestre de 2025 em meio ao cenário mais adverso desde que adotou o ativo digital como principal reserva de valor. Segundo a Yahoo Finance, a companhia enfrenta o trimestre mais difícil de sua trajetória como maior detentora corporativa de BTC do mundo.
O Bitcoin recuou cerca de 50% em relação ao seu pico histórico, registrado no final de 2024, quando chegou a superar os US$ 108 mil. A queda pressiona diretamente o balanço da Strategy, que contabiliza seus ativos digitais com base em regras de valor justo (fair value accounting), método que obriga o reconhecimento de variações de preço diretamente no resultado do período.
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Quanto Bitcoin a Strategy possui — e o que está em jogo
De acordo com dados públicos da companhia, a Strategy detém mais de 580 mil BTC, posição acumulada ao longo de anos por meio de emissões de dívida, ações preferenciais e lucros operacionais. O custo médio de aquisição por unidade fica ao redor de US$ 68 mil, o que significa que, com o Bitcoin negociado abaixo desse patamar durante boa parte do Q2, a empresa deve reportar perdas não realizadas significativas.
Importante ressaltar: perdas contábeis por variação de valor justo não representam necessariamente saídas de caixa. A Strategy não precisa vender seus Bitcoins para registrar um prejuízo no balanço. Ainda assim, o impacto nos resultados divulgados ao mercado tende a influenciar a percepção dos investidores e a cotação das ações da companhia na Nasdaq.
O Bitcoin recuou aproximadamente 50% em relação ao topo histórico de mais de US$ 108 mil atingido no fim de 2024, pressionando o balanço da Strategy.
A companhia detém mais de 580 mil BTC com custo médio em torno de US$ 68 mil por unidade, tornando-a a maior detentora corporativa do ativo no mundo.
As novas regras contábeis do FASB obrigam a Strategy a registrar variações de preço do Bitcoin diretamente em seu resultado trimestral.
A divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2025 é aguardada com atenção pelo mercado, dado o cenário de preços deprimidos durante o período.
Saylor mantém a aposta — e o discurso
Apesar da pressão nos resultados, Michael Saylor tem mantido publicamente sua convicção na tese do Bitcoin como ativo de reserva de longo prazo. A Strategy seguiu comprando BTC mesmo durante a queda, o que reduziu o preço médio de entrada em algumas aquisições mais recentes, mas ampliou a exposição total ao risco de preço.
Contexto: o modelo de negócios da Strategy
A Strategy praticamente abandonou seu negócio original de software empresarial para se tornar, na prática, um veículo de exposição a Bitcoin para investidores de mercado de capitais. A companhia capta recursos emitindo dívida e ações para financiar novas aquisições de BTC — um modelo que funciona em ciclos de alta, mas que amplifica as perdas contábeis em períodos de correção expressiva.
A divulgação dos resultados do Q2 deve ser acompanhada de perto por analistas e investidores que utilizam a Strategy como termômetro indireto do mercado cripto no ambiente corporativo. O desempenho das ações da companhia na Nasdaq tende a refletir, com volatilidade amplificada, os movimentos do próprio Bitcoin.
📌 Nota editorial
As informações deste artigo são baseadas em reportagem publicada pela Yahoo Finance e em dados públicos divulgados pela Strategy. Os números de posição em Bitcoin e custo médio podem variar conforme atualizações da companhia.
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