O roubo de US$ 1,5 bilhão da Bybit pelo Grupo Lazarus virou um processo judicial nos EUA — e está colocando à prova a ideia de que transações em blockchain são verdadeiramente irreversíveis.
A exchange de criptomoedas Bybit entrou com uma ação judicial nos Estados Unidos contra a Coreia do Norte, seu Reconnaissance General Bureau e o notório Grupo Lazarus, o coletivo de hackers patrocinado pelo Estado norte-coreano responsável por alguns dos maiores roubos digitais da história. O processo foi ajuizado no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Columbia.
Além de protocolar a ação, a Bybit obteve uma liminar preliminar bloqueando que réus não identificados movimentem ou vendam os criptoativos roubados. Segundo a CryptoSlate, o alcance da ordem judicial se limita aos ativos já identificados — sem confirmação de que cubra a totalidade dos US$ 1,5 bilhão subtraídos no ataque.
O caso levanta uma questão central para o ecossistema: se o blockchain é imutável e descentralizado, até que ponto ordens judiciais têm poder real sobre fundos roubados que já percorreram dezenas de carteiras e protocolos de mixing?
O que o caso Bybit revela sobre a “irreversibilidade” do cripto
A narrativa popular de que transações em blockchain são absolutamente irreversíveis é, na prática, mais complexa do que parece. O que é imutável é o registro na cadeia — ninguém apaga ou altera o histórico de uma transação. Mas isso não significa que fundos roubados estão necessariamente fora do alcance da lei.
O que a Bybit está tentando fazer é diferente: não reverter transações, mas congelar ativos no ponto em que ainda são rastreáveis — em exchanges centralizadas, protocolos com KYC ou carteiras identificadas. A liminar obtida funciona como uma ordem de bloqueio judicial direcionada a qualquer plataforma que receba, identifique ou dê liquidez a esses fundos.
O registro de cada transação no blockchain não pode ser alterado ou apagado — esse é o pilar técnico da irreversibilidade.
Tribunais podem bloquear a conversão e movimentação de ativos identificados, pressionando exchanges e plataformas reguladas a negar liquidez aos fundos.
Mixers, bridges entre blockchains e carteiras descentralizadas sem KYC tornam o rastreamento progressivamente mais difícil à medida que o tempo passa.
O Grupo Lazarus é especializado em dissolver fundos roubados por camadas de transações, dificultando ao máximo a atribuição e o bloqueio.
Custódia própria: a primeira linha de defesa
Casos como o da Bybit reforçam por que especialistas em segurança insistem na autocustódia: manter criptoativos em hardware wallets desconectadas da internet reduz drasticamente a superfície de ataque. Exchanges, por mais robustas que sejam, concentram enormes volumes em sistemas conectados — e seguem sendo alvos primários de grupos como o Lazarus.
O ataque à Bybit, ocorrido em fevereiro de 2025, é considerado o maior roubo da história das criptomoedas. Autoridades americanas e analistas de blockchain como a Chainalysis vinham rastreando a movimentação dos fundos desde então, identificando padrões típicos das operações do Lazarus — que historicamente financia o programa de armamentos da Coreia do Norte com os valores subtraídos.
Leia também: como blindar suas criptomoedas contra roubos.
📰 Nota editorial
As informações deste artigo são baseadas em reportagem da CryptoSlate, publicada em julho de 2025. Os detalhes do processo judicial e o alcance exato da liminar ainda estão sujeitos a atualizações conforme o caso avança nos tribunais americanos.
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