O diretor de segurança da Binance afirma que computação quântica não é o que rouba criptomoedas hoje — e aponta phishing, malware e credenciais comprometidas como as verdadeiras ameaças do momento.
A computação quântica domina debates sobre o futuro da segurança digital, e o mercado de criptomoedas não é exceção. Mas, segundo o executivo responsável pela segurança da maior exchange do mundo, esse temor ainda está longe de ser uma ameaça concreta para os detentores de ativos digitais.
Jimmy Su, diretor de segurança da informação (Chief Security Officer) da Binance, declarou em uma sessão de perguntas e respostas promovida pela própria empresa que os computadores quânticos disponíveis atualmente não possuem capacidade técnica para comprometer as criptografias que protegem as redes de blockchain em operação.
Segundo a BeInCrypto, Su foi direto ao ponto: o que efetivamente drena fundos de usuários hoje não tem nada a ver com física quântica — são ataques de phishing, malware e o roubo de credenciais de acesso.
O que realmente ameaça seu patrimônio em cripto
De acordo com Su, os vetores de ataque mais comuns contra usuários de criptomoedas seguem sendo os mesmos de anos anteriores: e-mails fraudulentos, sites falsos que imitam exchanges legítimas, aplicativos maliciosos e engenharia social sofisticada. Nenhum desses métodos exige poder computacional extraordinário.
O executivo reforçou que a vulnerabilidade mais explorada pelos criminosos é o comportamento humano, não falhas criptográficas. Senhas reutilizadas, cliques em links suspeitos e armazenamento descuidado de chaves privadas continuam sendo a porta de entrada mais usada por agentes maliciosos.
Sites e e-mails falsos que imitam plataformas legítimas para capturar credenciais de acesso de usuários desatentos.
Softwares maliciosos instalados silenciosamente que monitoram senhas, capturam telas ou interceptam endereços de carteiras.
Senhas vazadas em outros serviços e reutilizadas em contas de exchanges — prática que facilita invasões em larga escala.
Manipulação psicológica para convencer usuários a revelar dados sensíveis ou transferir fundos voluntariamente.
Computação quântica: ameaça futura, não presente
Isso não significa que a ameaça quântica deva ser ignorada a longo prazo. Pesquisadores e desenvolvedores de protocolo já trabalham em soluções de criptografia pós-quântica — algoritmos projetados para resistir ao poder de processamento que computadores quânticos avançados poderão oferecer no futuro.
O próprio Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST) finalizou, em 2024, os primeiros padrões de criptografia resistente a ataques quânticos — um sinal de que a indústria leva o tema a sério, mas reconhece que o horizonte ainda é distante para a maioria dos usuários comuns.
A proteção começa no básico
Enquanto a indústria debate soluções quânticas para o futuro, a realidade de hoje exige atenção a práticas simples: autenticação em dois fatores, senhas únicas por plataforma, verificação de URLs antes de qualquer login e, para quem guarda volumes relevantes, o uso de hardware wallets — dispositivos físicos que mantêm as chaves privadas offline e fora do alcance de ataques remotos.
A posição de Su reforça um argumento recorrente entre especialistas em segurança: a maioria dos roubos de criptomoedas não explora falhas nas redes blockchain em si, mas sim erros cometidos pelos próprios usuários ou nas camadas de interface — carteiras custodiais, aplicativos de terceiros e plataformas de negociação.
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📰 Nota editorial
As declarações de Jimmy Su foram feitas em um Q&A institucional da Binance sobre computação quântica e foram reportadas originalmente pela BeInCrypto. O KriptoHoje reescreveu e contextualizou o conteúdo de forma independente, sem vínculo editorial com nenhuma das partes citadas.
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