A gestora suíça 21Shares mira o Brasil como laboratório para uma nova geração de ETFs de criptomoedas focados em geração de renda — produtos que, segundo a empresa, poderiam rivalizar com a atratividade da taxa Selic.
A 21Shares, gestora suíça especializada em produtos de investimento com exposição a criptoativos, estuda lançar no Brasil um ETF voltado para geração de renda a partir de estratégias de yield com criptomoedas. A iniciativa posicionaria o país como um mercado-piloto para esse modelo de produto, ainda inédito no cenário local de fundos negociados em bolsa.
Segundo a InfoMoney, a gestora enxerga no Brasil um ambiente propício para testar esse tipo de estrutura, dado o histórico do investidor brasileiro com produtos de renda fixa de alta rentabilidade — especialmente em um cenário de Selic elevada. A ideia seria oferecer um veículo que gerasse retornos periódicos a partir de mecanismos como staking e outras formas de rendimento nativo de protocolos blockchain.
A proposta marca uma mudança de abordagem no segmento de ETFs de cripto, que até agora se concentravam majoritariamente em exposição passiva ao preço de ativos como Bitcoin e Ether. Trazer o componente de renda para esse tipo de produto representa uma tentativa de atrair investidores mais conservadores, acostumados com o rendimento previsível de títulos públicos e fundos de renda fixa.
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O que diferencia um ETF de renda cripto
Diferentemente dos ETFs tradicionais de criptomoedas, que simplesmente replicam a variação de preço de um ativo digital, um ETF de renda cripto busca distribuir rendimentos gerados pelo próprio protocolo. Isso pode ocorrer por meio de staking — mecanismo pelo qual detentores de certas criptomoedas recebem recompensas por participar da validação de transações — ou de outras estratégias de yield em finanças descentralizadas.
Replica passivamente a variação de preço de ativos como Bitcoin ou Ether. Não distribui rendimentos periódicos ao cotista.
Gera e distribui rendimentos via staking ou yield de protocolos DeFi, buscando oferecer retorno periódico além da valorização do ativo.
O investidor brasileiro tem forte cultura de renda fixa. A 21Shares vê o mercado local como terreno fértil para testar a aceitação desse produto inovador.
Com a Selic em patamar historicamente elevado, qualquer produto de renda alternativa precisa oferecer retorno competitivo para atrair capital brasileiro.
Desafios regulatórios e de mercado
A concretização do produto depende, entre outros fatores, de aprovação regulatória pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O órgão brasileiro tem avançado na regulamentação de produtos cripto, mas estruturas que envolvem distribuição de rendimentos a partir de protocolos descentralizados ainda apresentam complexidades jurídicas que precisam ser endereçadas.
Brasil como laboratório global de inovação cripto
A escolha do Brasil pela 21Shares reflete um movimento mais amplo de gestoras internacionais que enxergam o país como mercado estratégico para testar produtos inovadores. Com uma das maiores bases de investidores em cripto do mundo e um arcabouço regulatório em evolução, o Brasil tem atraído atenção crescente de players globais do setor.
Ainda não há prazo definido para o lançamento do produto, tampouco detalhes sobre os ativos que comporiam a carteira ou a estrutura de distribuição de rendimentos. A 21Shares também atua em mercados como Estados Unidos e Europa, onde a oferta de ETFs de criptomoedas já é consideravelmente mais madura.
📌 Nota editorial
As informações desta reportagem têm como base a publicação original da InfoMoney. O KriptoHoje reescreveu o conteúdo de forma independente para contextualização do leitor brasileiro. Detalhes operacionais do produto ainda não foram divulgados oficialmente pela 21Shares.
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