Uma investigação forense conduzida pela Chainspect identificou que os criminosos por trás do roubo de carteiras Coldcard estão usando o protocolo CoinJoin para apagar o rastro dos bitcoins subtraídos na blockchain.
A análise foi conduzida por Felipe Américo Moraes, advogado criminalista e fundador da Chainspect, empresa especializada em investigação de ativos digitais. Segundo a Livecoins, o estudo aponta que os responsáveis pelo furto das carteiras Coldcard — dispositivos de armazenamento a frio amplamente utilizados por detentores de bitcoin — recorreram ao CoinJoin como principal ferramenta de ofuscação financeira.
O CoinJoin é um protocolo que permite que múltiplos usuários combinem suas transações em uma única operação na blockchain. Todos os participantes assinam conjuntamente a transação e, na saída, recebem valores equivalentes — tornando extremamente difícil determinar qual endereço de origem corresponde a qual endereço de destino. Embora seja uma ferramenta legítima de privacidade para usuários comuns, ela também pode ser explorada para quebrar o rastreamento forense de fundos de origem ilícita.
Entender como esse mecanismo funciona é essencial para proprietários de hardware wallets avaliarem riscos. Leia também: como blindar suas criptomoedas contra roubos.
Como o CoinJoin é usado para ocultar crimes
Na prática investigada pela Chainspect, os hackers movimentaram os bitcoins roubados em várias rodadas de CoinJoin, fragmentando os valores e misturando-os com transações de terceiros desavisados. Cada rodada adiciona uma nova camada de opacidade, dificultando o trabalho de analistas de blockchain e autoridades policiais.
A técnica não é nova no universo do crime digital, mas sua aplicação a um caso envolvendo carteiras de hardware — dispositivos vendidos exatamente como solução de segurança máxima — acende um alerta sobre as limitações da proteção física quando o vetor de ataque envolve outros fatores, como engenharia social ou acesso físico ao dispositivo.
Protocolo que combina transações de múltiplos usuários em uma só, tornando difícil rastrear a origem e o destino dos fundos na blockchain.
Hardware wallet focada em segurança avançada para Bitcoin, popular entre usuários que priorizam custódia própria e armazenamento a frio.
Empresa brasileira de investigação forense em blockchain, fundada pelo advogado criminalista Felipe Américo Moraes, responsável pela análise do caso.
Mesmo carteiras de hardware não são invioláveis quando o ataque envolve acesso físico, coerção ou exploração de outros vetores fora do dispositivo.
Privacidade legítima ou ferramenta do crime?
O CoinJoin em si não é ilegal e integra carteiras como Wasabi e JoinMarket com propósitos genuínos de privacidade. O problema, segundo investigadores, está no uso sistemático e em múltiplas rodadas logo após eventos de roubo identificados — padrão que se torna uma assinatura comportamental rastreável por analistas forenses especializados.
O que isso significa para detentores de hardware wallets
O caso reforça que a segurança de criptoativos vai além da escolha do dispositivo. Práticas operacionais — como não revelar a posse de ativos, usar passphrases adicionais e manter backups seguros — são tão relevantes quanto o hardware em si.
Do ponto de vista das investigações criminais, o episódio mostra que a análise forense de blockchain no Brasil está se sofisticando. Empresas como a Chainspect demonstram que, mesmo com o uso de ferramentas de privacidade, padrões de comportamento on-chain podem ser identificados e utilizados como evidência.
📰 Fonte
Esta reportagem é baseada em análise publicada originalmente pela Livecoins, com dados da investigação conduzida por Felipe Américo Moraes, fundador da Chainspect.
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