Austin Griffith, da Ethereum Foundation, depositou cerca de US$ 1 em uma carteira protegida por uma chave óbvia. Bots perceberam o saldo quase de imediato e tentaram levá-lo em segundos.
Um experimento mostrou como uma chave privada fraca pode custar caro, mesmo com pouco dinheiro em jogo. Segundo a Unchained, Austin Griffith colocou cerca de US$ 1 em uma carteira Ethereum cuja chave era o número 6969, e bots foram atrás quase na hora.
“Assim que o dólar chegou, havia três transações pendentes na mempool tentando roubá-lo”, disse Griffith em 21 de outubro, no programa Uneasy Money, da Unchained, que ele co-apresenta.
A chave privada é o número secreto que controla uma carteira. Quem a adivinha consegue mover os fundos.
O que mostram os registros on-chain
Os registros analisados pela Unchained indicam que 0,0004 ETH, cerca de US$ 1, chegou ao endereço da chave 6969 às 20h35 UTC de 21 de outubro. No bloco seguinte, 12 segundos depois, uma transação assinada com a mesma chave tirou o valor, gastando a maior parte do depósito em taxas de rede.
Outras três transações, de endereços diferentes, atingiram a carteira logo depois, e duas delas falharam. O depósito partiu de slop.atg.eth, carteira financiada por austingriffith.eth.
Tempo até a transação que moveu o depósito da chave 6969, no bloco seguinte.
Todas as chaves de 1 a 255 já enviaram transações na mainnet, conforme a checagem da Unchained.
Da falha da eMudhra ao teste
Griffith fez o teste após uma falha de segurança na eMudhra, autoridade certificadora da Índia. Um site sobre o caso, criado por Dennis Jackson, da Mozilla, afirma que as chaves de oito certificados intermediários emitidos em abril de 2025 foram comprometidas.
O pesquisador Scott Helme escreveu que cada chave era um número abaixo de 256, e uma delas era 4. Firefox e Chrome bloquearam os certificados em 17 de outubro, dia do alerta, e a Microsoft fez o mesmo em 20 de outubro. Em 22 de outubro, a eMudhra disse que sairá do negócio global de certificados SSL/TLS.
Até onde os bots chegam?
Griffith previa que os bots parariam de achar chaves entre 8 e 12 dígitos. No programa, disse que chaves de 10 dígitos foram drenadas “na hora”, e as de 12 dígitos “ainda não”.
Chaves de 14 e 16 dígitos seguem em teste
Griffith afirmou ter plantado também uma chave de 14 e outra de 16 dígitos, “procurando alguém para roubar meu dólar”. Ele não revelou quais são, e a Unchained não conseguiu verificar de forma independente.
Os registros mostram que slop.atg.eth financiou outros quatro endereços cerca de 14 minutos após o primeiro depósito. Um foi esvaziado em 12 segundos, e três ainda tinham fundos em 23 de outubro. Não é possível saber a qual tamanho de chave cada um corresponde. Os apresentadores prometeram checar o resultado na semana seguinte.
Leia também: guia completo de Ethereum.
O que isso significa para quem investe no Brasil
O caso não trata de nenhum serviço brasileiro, mas serve de lembrete para qualquer pessoa que guarde cripto por conta própria. Carteiras comuns geram chaves aleatórias, e o risco aparece quando alguém escolhe números previsíveis manualmente.
📌 Nota editorial
O experimento é informal e usou valor simbólico. Os resultados com chaves de 14 e 16 dígitos ainda não foram divulgados.
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