Vítima de golpe de pig butchering em Alagoas obteve decisão para que a Tether congele carteiras na rede Tron e devolva 52.750 USDT, ou o equivalente em reais, em 15 dias.
A Justiça brasileira determinou o bloqueio de USDT pela Tether em carteiras ligadas a golpistas, em um caso que envolve cerca de R$ 300 mil. Segundo a Livecoins, o autor da ação é um investidor de Alagoas.
Ele perdeu 52.750 USDT, ou R$ 291.008,68, em uma fraude de engenharia social conhecida como pig butchering. O golpe ocorreu entre 20 de agosto e 23 de outubro de 2025.
Como o golpe aconteceu
De acordo com o processo analisado pela Livecoins, a vítima foi induzida a investir com a promessa de rendimentos de 2% a 5% ao dia, em um suposto pool de mineração e staking ligado ao site fraudulento bnb-mine3.com.
Ele comprou as criptomoedas em corretoras brasileiras e fez 22 transferências aos golpistas. Ao tentar sacar, foi pressionado a enviar mais dinheiro para liberar os saques, que nunca aconteceram.
O que a Justiça decidiu
A Tether deve congelar o saldo de 8 carteiras na rede Tron e enviar 52 mil USDT à vítima, ou converter o valor em reais e depositar na conta dela.
Em caso de descumprimento, a multa é de R$ 10 mil por dia, até o limite de R$ 500 mil.
A empresa também arcará com as custas, em 10% sobre o valor atualizado da causa.
Em dezembro de 2025, a Justiça já havia ordenado um bloqueio preventivo do saldo até o limite da fraude. A Tether argumentou que não consegue bloquear um endereço em partes: é tudo ou nada. A condenação ocorreu em uma terça-feira (20), segundo a reportagem.
Rastreamento foi peça central
A vítima registrou boletim de ocorrência, abriu um registro na plataforma Chainabuse e pediu um rastreamento técnico com o advogado Raphael Souza. Para ele, a decisão mostra que quem emite uma stablecoin não está fora do alcance da Justiça brasileira quando tem meios técnicos de bloquear o token.
Souza afirmou à Livecoins que, quanto antes o caminho do dinheiro é mapeado e as provas são guardadas, mais opções existem. A reportagem não localizou a defesa da Tether para comentar o caso.
O que isso significa para quem investe no Brasil
O caso indica que a ideia de transação irreversível não impede, por si só, uma ordem judicial contra o emissor de uma stablecoin. Guardar comprovantes, registrar boletim de ocorrência e rastrear as transferências foram passos citados no processo.
Ainda assim, trata-se de uma decisão específica, com prazo em andamento, e o cumprimento pela Tether não foi confirmado pela fonte.
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🔎 Nota editorial
As informações são do processo analisado pela Livecoins. O KriptoHoje não verificou os autos de forma independente.
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