Megan Green, diretora do Banco da Inglaterra, defende que a tokenização tem potencial para tornar pagamentos internacionais mais rápidos e baratos — mas reconhece que a burocracia dos bancos centrais ainda é um obstáculo real.
A tokenização de ativos financeiros está ganhando cada vez mais atenção entre autoridades monetárias ao redor do mundo. Desta vez, quem trouxe o tema ao debate foi Megan Green, diretora do Banco da Inglaterra (BoE), que avaliou publicamente o potencial da tecnologia para modernizar o sistema de pagamentos global.
Segundo a InfoMoney, Green reconhece que a tokenização pode reduzir custos operacionais e diminuir o tempo de liquidação em transações internacionais — duas das maiores dores do sistema financeiro tradicional, especialmente em transferências entre países.
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O que é tokenização e por que ela importa
Tokenização é o processo de representar um ativo real — como dinheiro, títulos ou imóveis — em formato digital dentro de uma blockchain. No contexto de pagamentos, isso significa transformar moeda fiduciária em tokens que podem ser transferidos de forma quase instantânea, sem intermediários tradicionais.
A proposta não é nova, mas vem ganhando tração com o avanço das chamadas CBDCs (moedas digitais de bancos centrais) e dos projetos de tokenização conduzidos por instituições como o BIS (Banco de Compensações Internacionais) e o próprio Banco da Inglaterra.
Transações tokenizadas podem ser liquidadas em segundos, contra dias úteis no sistema bancário convencional.
A eliminação de intermediários reduz taxas em transferências internacionais, que hoje podem chegar a 6% do valor enviado.
Tokens emitidos por bancos centrais teriam respaldo institucional, diferente das stablecoins privadas sem supervisão.
A própria diretora do BoE admite que processos internos dos bancos centrais ainda tornam a adoção lenta e complexa.
Tokens de bancos centrais: mais seguros, porém mais lentos
Green destacou que tokens regulados e emitidos por bancos centrais oferecem mais segurança e confiança do que soluções privadas. Entretanto, a própria natureza das autarquias — com seus processos de governança, aprovações internas e exigências regulatórias — torna a implementação significativamente mais lenta do que no setor privado.
O dilema central da tokenização institucional
Quanto mais regulado e seguro é o token, mais lento tende a ser o processo de adoção. Bancos centrais enfrentam o desafio de modernizar infraestruturas históricas sem abrir mão do controle e da estabilidade que o sistema financeiro exige.
Esse cenário coloca os bancos centrais numa posição delicada: de um lado, a pressão por inovação e competitividade frente a soluções privadas como stablecoins e redes de pagamento descentralizadas; do outro, a responsabilidade de garantir estabilidade sistêmica.
📰 Nota editorial
As declarações de Megan Green foram reportadas originalmente pela InfoMoney e refletem sua visão pessoal como diretora do Banco da Inglaterra. O KriptoHoje não teve acesso direto à fonte primária do discurso.
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