InícioAnálisesARK rebate tese da a16z sobre DeFi e finanças tradicionais

ARK rebate tese da a16z sobre DeFi e finanças tradicionais

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A diretora de pesquisa da ARK Invest contestou publicamente a posição da a16z crypto, que defende que o mercado financeiro tradicional preferirá blockchains permissionadas ao DeFi aberto.

Um debate de peso está se desenrolando entre dois dos nomes mais influentes do setor de capital de risco em criptoativos. De um lado, a a16z crypto — braço cripto da Andreessen Horowitz — sustenta que as grandes instituições financeiras vão migrar para blockchains permissionadas, estruturas fechadas com controle centralizado de acesso. Do outro, a ARK Invest defende que o caminho natural das finanças tradicionais passa, inevitavelmente, pelos trilhos do DeFi.

Segundo a Cointelegraph.com News, a diretora de pesquisa da ARK Invest entrou diretamente em campo para rebater a tese da a16z. Para ela, a premissa de que o mercado tradicional quer apenas a tecnologia de blockchain — sem a camada descentralizada — ignora a direção para a qual as próprias instituições estão caminhando na prática.

A visão da a16z se apoia no argumento de que bancos, gestoras e demais players do mercado financeiro convencional não estão dispostos a abrir mão de controle regulatório e conformidade, o que tornaria as blockchains permissionadas a única alternativa viável. A ARK, por sua vez, vê isso como uma leitura incompleta do cenário.

Leia tambem: o que e DeFi e como funciona.

Os dois modelos em disputa

🔒 Tese da a16z crypto

Instituições financeiras tradicionais adotarão blockchains permissionadas — ambientes fechados, auditáveis e compatíveis com exigências regulatórias —, deixando os protocolos DeFi abertos de lado.

🌐 Tese da ARK Invest

As instituições dependerão cada vez mais dos trilhos do DeFi, atraídas por liquidez profunda, eficiência de liquidação e transparência on-chain — características que blockchains fechadas não replicam com a mesma eficácia.

O ponto central da ARK é que liquidez e eficiência operacional são fatores determinantes para qualquer instituição financeira. Protocolos DeFi consolidados já oferecem volumes expressivos e mecanismos de liquidação que blockchains permissionadas, por sua natureza fragmentada, têm dificuldade em igualar.

O que está realmente em jogo?

A discussão entre ARK e a16z não é apenas acadêmica. Ela define onde bilhões de dólares em capital institucional serão alocados nos próximos anos — e quais protocolos se tornarão infraestrutura crítica das finanças globais. A posição de cada gestora reflete diretamente seus portfólios e apostas de longo prazo no setor.

O debate também levanta questões regulatórias relevantes. Blockchains permissionadas oferecem maior controle de acesso, o que facilita a conformidade com normas como KYC e AML. No entanto, críticos apontam que esse modelo concentra poder e reduz a interoperabilidade — dois atributos que, historicamente, limitam a escala de adoção.

A ARK argumenta que a evolução regulatória caminha no sentido de adaptar as regras ao DeFi, e não de forçar o DeFi a se encaixar em estruturas herdadas. Iniciativas de tokenização de ativos reais em redes públicas, como as observadas em projetos piloto de bancos centrais e gestoras globais, seriam evidências dessa tendência.

📌 Nota editorial

A divergência entre ARK Invest e a16z reflete um debate estrutural ainda aberto no setor. Não há consenso sobre qual modelo prevalecerá — e é provável que diferentes segmentos do mercado financeiro adotem caminhos distintos dependendo de seu apetite regulatório e necessidades de liquidez.

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Edilson Lauro
Sócio investidor da KriptoBR. Acompanha mercado de criptoativos, fluxo de fundos institucionais e o comportamento dos ETFs de Bitcoin e Ethereum.

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