Para o CEO da Blockrise, Jos Lazet, o próximo grande passo do Bitcoin não está nos mercados financeiros tradicionais — mas na construção de instituições totalmente independentes deles.
Em entrevista concedida durante a conferência BTC Prague, Jos Lazet, CEO da gestora holandesa de ativos digitais Blockrise, apresentou uma tese que vai além da narrativa de adoção institucional convencional: para ele, o futuro do Bitcoin passa pela criação de neobancos anárquicos — instituições financeiras nativas do ecossistema Bitcoin que operariam como alternativas reais ao sistema bancário tradicional.
Segundo a The Block, Lazet argumenta que as empresas e plataformas que hoje atuam com Bitcoin estão em processo de maturação. Com o tempo, algumas delas deverão evoluir de simples intermediadoras para verdadeiras instituições capazes de oferecer serviços financeiros completos — depósitos, crédito, pagamentos — sem depender da infraestrutura bancária convencional.
O termo “anárquico”, neste contexto, não carrega conotação de desordem, mas sim de autonomia: a ideia de que essas instituições operariam fora dos trilhos do sistema financeiro regulado de forma centralizada, preservando os princípios fundamentais do Bitcoin — descentralização, soberania individual e resistência à censura.
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O que seriam esses neobancos nativos de Bitcoin?
A visão de Lazet parte do princípio de que o Bitcoin já provou sua resiliência como reserva de valor. O próximo desafio, segundo ele, é construir a camada de serviços financeiros em torno dessa base — sem abrir mão da filosofia original da rede.
Instituições nativas de Bitcoin poderiam oferecer serviços como crédito e pagamentos sem depender de bancos tradicionais ou bancos centrais.
O modelo preserva os princípios fundamentais do Bitcoin: descentralização e resistência à censura, diferente dos neobancos digitais convencionais.
Empresas que hoje atuam como intermediadoras de Bitcoin estariam, segundo Lazet, no caminho natural de evoluir para instituições financeiras completas.
A tese ganha força em regiões com sistemas bancários menos acessíveis, onde o Bitcoin já funciona como alternativa financeira de facto.
A visão de Jos Lazet (Blockrise)
Para o executivo, as instituições nativas de Bitcoin não deveriam tentar imitar os bancos tradicionais, mas sim criar um modelo financeiro paralelo, construído sobre os valores de autonomia, transparência e resistência à interferência estatal. Esse seria, segundo ele, o verdadeiro diferencial competitivo frente aos neobancos digitais convencionais já existentes no mercado.
A Blockrise, empresa fundada por Lazet e com sede na Holanda, atua na gestão de patrimônio em Bitcoin para clientes institucionais e de alta renda. A trajetória da empresa ilustra, em parte, o caminho que o próprio CEO descreve: de plataforma de acesso ao Bitcoin para uma estrutura mais próxima de uma gestora financeira tradicional — mas construída sobre bases completamente diferentes.
📌 Nota editorial
A tese dos “neobancos anárquicos” ainda é uma visão de longo prazo e enfrenta desafios regulatórios significativos em praticamente todas as jurisdições. A maioria dos países exige licenças bancárias para a oferta de serviços financeiros — o que, por si só, introduz uma tensão com o princípio de autonomia defendido por Lazet.
A declaração do CEO da Blockrise reflete um debate crescente dentro da comunidade Bitcoin sobre qual deve ser o próximo passo da adoção: integração ao sistema financeiro existente ou construção de uma infraestrutura paralela e independente. Não há consenso — e essa tensão deve se intensificar à medida que mais capital institucional entra no ecossistema.
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