A Cboe Global Markets protocolou proposta para ETFs com alavancagem 3x de Bitcoin e Ethereum nos EUA, em meio a evidências de que produtos similares com alavancagem 2x já acumularam perdas anualizadas de até 96%.
A bolsa de derivativos norte-americana Cboe Global Markets submeteu à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) uma proposta para listar ETFs com alavancagem tripla atrelados ao Bitcoin e ao Ethereum. O pedido ainda aguarda análise do regulador, mas já acende o debate sobre os riscos inerentes a produtos financeiros dessa natureza no mercado de criptoativos.
O movimento ocorre num contexto que, por si só, levanta questionamentos. Segundo a CryptoSlate, dados reportados pelos próprios gestores de fundos com alavancagem 2x — o degrau imediatamente abaixo do que a Cboe agora propõe — mostram que o ETHU, fundo alavancado de Ethereum, registrou uma perda anualizada de 96,15% no valor patrimonial líquido (NAV) até 30 de junho. Um número que ilustra, de forma contundente, a volatilidade a que esses instrumentos estão sujeitos.
Para entender o que está em jogo, é importante ter clareza sobre o funcionamento desses produtos. ETFs alavancados buscam entregar um múltiplo do retorno diário do ativo subjacente — no caso proposto, três vezes o desempenho do Bitcoin ou do Ethereum em um único pregão. Para o Ethereum, ativo já conhecido por sua volatilidade estrutural, o efeito multiplicador pode ser devastador ao longo do tempo.
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O problema do “decaimento por volatilidade”
ETFs alavancados são redesenhados diariamente para manter o múltiplo prometido. Esse rebalanceamento constante gera o chamado decaimento por volatilidade (volatility decay): em mercados laterais ou com oscilações bruscas, as perdas se acumulam de forma assimétrica, corroendo o patrimônio do fundo mesmo quando o ativo-base termina o período no mesmo patamar de preço.
Perda anualizada de NAV de 96,15% até 30 de junho, segundo dados reportados pelo próprio gestor do fundo.
Pedido de listagem de ETFs com alavancagem 3x de Bitcoin e Ethereum submetido à SEC; status ainda pendente de aprovação.
O mecanismo de reajuste diário dos ETFs alavancados amplifica perdas em períodos de alta volatilidade, um risco estrutural desses produtos.
O regulador norte-americano ainda não se pronunciou sobre a proposta. A decisão pode definir novos precedentes para produtos cripto alavancados nos EUA.
Por que a alavancagem 3x preocupa analistas?
Se um ETF 2x de Ethereum já registrou perdas anualizadas superiores a 96%, um produto com alavancagem ainda maior eleva exponencialmente o risco de erosão total do capital investido em cenários de forte volatilidade — algo corriqueiro no mercado de criptoativos. O intervalo de tempo em que o investidor mantém a posição é fator determinante: quanto maior o período, mais o decaimento por volatilidade tende a se manifestar.
Apesar dos riscos documentados, a indústria de ETFs nos EUA tem avançado consistentemente no desenvolvimento de produtos cripto cada vez mais sofisticados. A aprovação dos ETFs spot de Bitcoin e Ethereum pela SEC em 2024 abriu caminho para uma série de pedidos subsequentes, incluindo produtos com diferentes estruturas de exposição.
A Cboe, como uma das principais bolsas de listagem desses instrumentos, posiciona-se estrategicamente ao protocolar o pedido dos ETFs 3x. A aprovação, contudo, não é garantida — e o histórico recente dos fundos alavancados 2x pode pesar na avaliação do regulador sobre o nível de proteção adequado ao investidor de varejo.
📰 Nota editorial
As informações sobre a perda de 96,15% no NAV anualizado do ETHU foram obtidas a partir de dados reportados pelo próprio gestor do fundo, conforme divulgado pela CryptoSlate. O KriptoHoje não verificou os dados de forma independente junto ao gestor.
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