InícioRegulaçãoGlobalABcripto vs Banco Central: o debate sobre stablecoins

ABcripto vs Banco Central: o debate sobre stablecoins

-

A ABcripto entrou em confronto direto com o Banco Central ao defender que stablecoins devem ser reguladas como ativos virtuais, e não equiparadas automaticamente à moeda eletrônica tradicional.

A Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto) emitiu uma resposta formal ao Banco Central do Brasil contestando a interpretação da autarquia sobre a natureza jurídica das stablecoins. A entidade, que representa empresas do setor de ativos digitais no país, defende que essas moedas estáveis sejam enquadradas em um regime regulatório próprio, distinto das normas que já regem a moeda eletrônica convencional.

O ponto central do embate é a recusa da ABcripto em aceitar uma equiparação automática entre stablecoins e moeda eletrônica. Para a associação, as características técnicas e econômicas desses ativos são suficientemente distintas para justificar um arcabouço normativo específico, alinhado à legislação que trata dos ativos virtuais no Brasil — a chamada Lei do Criptoativo.

Segundo o Portal do Bitcoin, a ABcripto rebateu diretamente uma nota divulgada pelo BC que sinalizava a intenção de regular stablecoins sob o guarda-chuva das normas de pagamento já existentes. A associação argumenta que essa abordagem ignoraria as particularidades tecnológicas e operacionais dos ativos digitais lastreados em moeda fiduciária.

⚖️ Posição do Banco Central

O BC sinalizou que stablecoins poderiam ser enquadradas como moeda eletrônica, submetendo-as às regras do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) já vigentes.

🏛️ Posição da ABcripto

A associação defende que stablecoins são ativos virtuais por natureza e devem ser reguladas por regime próprio, respeitando a legislação específica do setor cripto.

📋 O que está em jogo

O enquadramento regulatório define quais obrigações, licenças e limites operacionais as empresas que emitem ou negociam stablecoins precisarão cumprir no Brasil.

🌍 Contexto global

União Europeia (MiCA) e outros países já criaram categorias regulatórias exclusivas para stablecoins, separando-as de instrumentos de pagamento tradicionais.

Por que o enquadramento regulatório importa

A discussão vai além de tecnicidades jurídicas. O enquadramento escolhido pelo Banco Central determinará, na prática, quais entidades poderão emitir stablecoins no Brasil, sob que condições e com que nível de supervisão. Se tratadas como moeda eletrônica, as emissoras precisariam, em tese, de autorização específica do BC como instituição de pagamento — um processo mais rigoroso e restritivo.

Já o regime de ativo virtual, previsto na legislação aprovada em 2022, foi desenhado pensando nas especificidades do setor cripto: descentralização, custódia digital, protocolos baseados em blockchain e a atuação das prestadoras de serviços de ativos virtuais (VASPs), que já operam sob supervisão do próprio Banco Central desde 2023.

O que são stablecoins?

Stablecoins são criptoativos cujo valor é atrelado a um ativo de referência, geralmente uma moeda fiduciária como o dólar americano (USDT, USDC) ou o real. Elas buscam combinar a estabilidade de preço das moedas tradicionais com a praticidade das transações em blockchain, sendo amplamente usadas em finanças descentralizadas (DeFi) e como reserva de valor no mercado cripto.

A ABcripto também ressalta que uma regulação inadequada pode prejudicar a competitividade do mercado brasileiro frente a outros países que já avançaram em marcos regulatórios específicos para ativos digitais. O argumento é que regras pensadas para o sistema financeiro tradicional tendem a não capturar bem as nuances do ecossistema cripto.

Leia também: guia completo de criptomoedas.

📌 Nota editorial

As informações desta reportagem são baseadas em conteúdo publicado pelo Portal do Bitcoin. O KriptoHoje acompanha o processo regulatório de ativos digitais no Brasil e continuará cobrindo os desdobramentos deste debate entre a ABcripto e o Banco Central.

Importante: não damos recomendação de investimento

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O KriptoHoje não é consultor de investimentos e não recomenda a compra, venda ou manutenção de qualquer ativo. Investimento em criptoativos envolve risco elevado de perda total.

Proteja seus ativos com a melhor custódia

A KriptoBR, integrante do mesmo grupo do KriptoHoje, é a maior e mais antiga revenda oficial de hardware wallets do mundo. Trezor, Ledger, SecuX, Yubico e Key-ID.

Mais de 600 mil clientes atendidos em 32 países. Envio direto do Brasil, garantia do fabricante, suporte técnico em português.

Conheça a KriptoBR

Leituras relacionadas

Este conteúdo é de caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptomoedas são ativos voláteis; consulte um profissional antes de investir.

ULTIMAS NOTÍCIAS

CoinEx nega envolvimento em fluxo de US$ 3,8 bi ao Irã

A TRM Labs identificou bilhões em transações entre a CoinEx e plataformas iranianas sancionadas. A exchange nega ter tido qualquer conhecimento das operações.

Corretoras de Cripto Migram para Ativos Tokenizados

Fundador da CryptoQuant aponta que petróleo, metais e ações já movimentam volumes expressivos em exchanges cripto, sinalizando uma transformação estrutural do setor.

Rede Base da Coinbase sofre interrupção na produção de blocos

A blockchain Base enfrentou uma falha técnica que interrompeu a produção de blocos e afetou transações, depósitos e saques na rede.

Blockchain Base sofre travamento e para de produzir blocos

A blockchain Base, incubada pela Coinbase, registrou uma falha técnica grave que interrompeu temporariamente a produção de blocos e afetou transações e saques.

SIGA A GENTE

0FãsCurtir
0SeguidoresSeguir
0SeguidoresSeguir
0InscritosInscrever

MAIS POPULAR