O fundo de índice com dez criptomoedas da Bitwise foi lançado como aposta na diversificação do mercado cripto — mas acabou dominado pelo Bitcoin, que hoje responde por quase 78% de toda a carteira.
A Bitwise Asset Management estruturou seu fundo de índice com dez criptomoedas — conhecido como Bitwise 10 Crypto Index Fund (BITW) — com a promessa de oferecer ao investidor exposição diversificada ao mercado de ativos digitais. A tese era simples: ao reunir as dez maiores criptomoedas por capitalização de mercado, o produto reduziria a dependência de um único ativo. Na prática, porém, o resultado foi diferente.
Segundo a CryptoSlate, perdas de mercado combinadas com resgates líquidos reduziram o patrimônio do fundo de aproximadamente US$ 1 bilhão para cerca de US$ 532,8 milhões — uma queda superior a meio bilhão de dólares. Ao mesmo tempo, a participação do Bitcoin na carteira saltou para 77,81%, dominando o portfólio que deveria ser equilibrado entre dez ativos.
O fenômeno reflete uma característica estrutural dos fundos de índice ponderados por capitalização: quando o Bitcoin se valoriza mais do que os demais ativos — ou quando altcoins perdem valor relativo —, sua fatia na carteira cresce automaticamente. Para quem buscava diversificação real, o efeito pode ser frustrante.
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O fundo BITW encolheu para aproximadamente US$ 532,8 milhões, ante cerca de US$ 1 bilhão no auge — uma perda superior a US$ 500 milhões entre desvalorização de mercado e resgates.
O Bitcoin passou a representar 77,81% da carteira do fundo — quase quatro quintos de um produto originalmente concebido para distribuir exposição entre dez criptoativos.
Fundos ponderados por capitalização de mercado tendem a concentrar cada vez mais o ativo dominante quando ele performa melhor que os demais — efeito natural, porém que contradiz a narrativa de diversificação.
Além das perdas por desvalorização, o fundo também sofreu saída de capital por parte de investidores que optaram por resgatar suas cotas ao longo do período de queda.
O dilema da diversificação em cripto
No mercado cripto, construir um portfólio verdadeiramente diversificado é mais complexo do que parece. O Bitcoin ainda responde por mais da metade de toda a capitalização do setor. Qualquer fundo que pondere os ativos por tamanho de mercado inevitavelmente terá o BTC como peça central — independentemente de quantas moedas integrem o índice.
O caso do BITW levanta um debate recorrente entre gestores e analistas: diversificação em cripto significa, de fato, exposição a múltiplos ativos, ou apenas uma forma diferente de apostar no crescimento do Bitcoin? Com quase 78% do fundo concentrado em BTC, a linha entre um produto “diversificado” e um fundo essencialmente focado em Bitcoin fica tênue.
📰 Nota editorial
As informações sobre o patrimônio e a composição do fundo BITW foram publicadas originalmente pela CryptoSlate e reproduzidas aqui com base em dados públicos de mercado. O KriptoHoje não verificou os documentos primários do fundo de forma independente.
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