Uma notificação do Banco Central a instituições financeiras sobre riscos de lavagem de dinheiro gerou efeito colateral imediato: criptomoedas ficaram até 2% mais caras para o investidor brasileiro.
O Banco Central do Brasil enviou notificações a bancos nacionais manifestando preocupação com possíveis esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo fundos de investimento que “importam” criptoativos do exterior. A movimentação da autoridade monetária, segundo apuração da Exame, provocou um efeito prático imediato no mercado: o spread — diferença entre o preço de compra e venda — das criptomoedas no Brasil subiu, encarecendo os ativos em até 2% para o investidor de varejo.
O mecanismo por trás do problema está na chamada formação de mercado (ou market making). Grandes instituições financeiras atuam como intermediárias, garantindo liquidez ao comprar e vender criptoativos continuamente. Quando essas instituições recebem sinais de alerta regulatório, tendem a reduzir ou paralisar essa operação — e é exatamente o que ocorreu após a notificação do BC.
Com menos participantes dispostos a oferecer liquidez, o mercado local de criptomoedas fica mais estreito. Isso significa que quem quer comprar Bitcoin, Ether ou outros ativos digitais no Brasil passa a pagar um preço mais alto do que o registrado nas bolsas internacionais de referência. A diferença, que em condições normais seria marginal, chegou a atingir a casa dos 2 pontos percentuais.
Leia tambem: guia completo de criptomoedas.
Por que o BC está preocupado?
A preocupação central da autoridade monetária gira em torno de fundos de investimento estruturados no Brasil que adquirem criptoativos por meio de plataformas internacionais. Segundo a Exame, o BC avalia que esse fluxo pode ser utilizado para dissimular a origem de recursos ilícitos — o que configura lavagem de dinheiro.
O modelo funciona da seguinte forma: um fundo brasileiro capta recursos de cotistas, transfere o capital para o exterior e adquire criptoativos em exchanges estrangeiras. O ativo é então registrado na carteira do fundo e comercializado localmente. Para o BC, esse circuito pode criar brechas para que dinheiro de origem duvidosa circule de maneira mais difícil de rastrear.
O que é spread e por que ele importa?
O spread é a diferença entre o preço pelo qual um ativo é vendido e o preço pelo qual ele é comprado em determinada plataforma. Quanto maior o spread, mais caro fica para o investidor entrar e sair de uma posição. Em mercados com alta liquidez, esse valor tende a ser mínimo. Quando formadores de mercado se retiram, o spread aumenta — e quem paga a conta é o investidor final.
O impacto para o investidor iniciante
Para quem está começando no universo dos criptoativos, o cenário exige atenção redobrada. A elevação do spread pode passar despercebida em uma primeira análise, mas representa um custo real e imediato na operação. Comprar Bitcoin 2% mais caro do que o preço internacional significa que o ativo precisa valorizar ao menos esse percentual antes de o investidor sair no zero a zero.
A saída de formadores de mercado reduziu a liquidez local, fazendo o preço das criptomoedas no Brasil subir até 2% acima das referências internacionais.
Após a notificação do BC, instituições financeiras reduziram sua atuação como intermediárias no mercado de cripto para evitar riscos regulatórios.
O BC sinaliza que fundos que “importam cripto” precisarão demonstrar controles mais rigorosos de prevenção à lavagem de dinheiro (PLD).
O investidor pessoa física é o mais afetado pela alta do spread, já que opera volumes menores e tem menos acesso a alternativas internacionais de menor custo.
Regulação em construção
O episódio evidencia que o marco regulatório brasileiro para criptoativos ainda está em fase de consolidação. A Lei 14.478/2022, que estabeleceu as bases para a regulação do setor no Brasil, delegou ao Banco Central a supervisão das prestadoras de serviços de ativos virtuais (VASPs). Desde então, o órgão tem aprimorado seu monitoramento sobre o segmento.
A expectativa de agentes do mercado, segundo a Exame, é de que a situação se normalize à medida que as instituições financeiras se adequem às exigências de conformidade. No entanto, o processo pode levar tempo — e, enquanto isso, o spread permanece elevado.
📰 Nota editorial
As informações deste artigo são baseadas em reportagem publicada pela Exame. O KriptoHoje não teve acesso ao documento original de notificação do Banco Central e reproduz os fatos conforme divulgados pela fonte primária. Recomendamos a leitura do material original para maiores detalhes.
Importante: não damos recomendação de investimento
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O KriptoHoje não é consultor de investimentos e não recomenda a compra, venda ou manutenção de qualquer ativo. Investimento em criptoativos envolve risco elevado de perda total.
Guarde seus cripto com segurança máxima
A KriptoBR, integrante do mesmo grupo do KriptoHoje, é a maior e mais antiga revenda oficial de hardware wallets do mundo. Trezor, Ledger, SecuX, Yubico e Key-ID.
Mais de 600 mil clientes atendidos em 32 países. Envio direto do Brasil, garantia do fabricante, suporte técnico em português.
Leituras relacionadas
📊 O que é liquidez em criptomoedas?Saiba como a liquidez afeta o preço dos ativos digitais e por que ela é tão importante para o investidor de varejo.
🔐 Hardware wallet: por que guardar cripto fora das exchangesCom riscos regulatórios em alta, entenda a importância de manter seus ativos digitais sob custódia própria.
Este conteúdo é de caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptomoedas são ativos voláteis; consulte um profissional antes de investir.
