Com um único dispositivo de baixa potência, um minerador independente desafiou gigantes da indústria e resolveu um bloco inteiro do Bitcoin, garantindo uma recompensa superior a R$ 1 milhão.
Na última sexta-feira (10), um minerador solo entrou para a história da rede Bitcoin ao resolver o bloco de número 957.382 utilizando apenas uma Bitaxe — um dispositivo de mineração compacto, de uso doméstico e com potência computacional muito inferior às grandes fazendas de mineração que dominam o setor.
Segundo a Livecoins, os dados foram revelados pela plataforma Public Pool, que reúne mineradores independentes em um sistema de mineração coletiva, mas neste caso o minerador operava de forma completamente solo. A recompensa obtida foi de mais de R$ 1 milhão, equivalente ao valor da subsídio do bloco somado às taxas de transação.
Para entender a dimensão do feito, é preciso ter em mente que a rede Bitcoin é hoje dominada por pools de mineração industriais, com galpões inteiros de equipamentos de alta performance operando 24 horas por dia. A probabilidade de um único dispositivo caseiro resolver um bloco é astronomicamente baixa — o que torna este caso um evento estatisticamente raro.
Leia também: guia completo de Bitcoin para iniciantes.
O que é uma Bitaxe e como funciona a mineração solo
A Bitaxe é um dispositivo de mineração Bitcoin de código aberto, desenvolvido para uso doméstico. Ela consome pouquíssima energia em comparação aos equipamentos profissionais como os ASICs de última geração, e cabe na palma da mão. Seu hashrate — ou seja, a capacidade computacional de processar cálculos — é uma fração mínima do que grandes mineradoras operam.
Na mineração solo, o minerador compete diretamente contra toda a rede sem dividir esforços com outros participantes. A recompensa, quando conquistada, é integral — mas as chances de sucesso são comparáveis a ganhar na loteria. É exatamente por isso que a maioria dos pequenos mineradores prefere participar de pools, onde os ganhos são menores, porém mais frequentes e previsíveis.
O minerador compete sozinho contra toda a rede. Recompensa integral em caso de sucesso, mas probabilidade muito baixa de resolver um bloco.
Grupos de mineradores somam poder computacional. Os ganhos são divididos proporcionalmente, garantindo renda mais regular e previsível.
Dispositivo de mineração open source para uso doméstico. Baixo consumo energético e hashrate reduzido, mas acessível a qualquer entusiasta.
Quem resolve um bloco recebe o subsídio em BTC mais as taxas das transações incluídas naquele bloco. Após o halving de 2024, o subsídio é de 3,125 BTC.
Um lembrete sobre a descentralização do Bitcoin
O episódio reacende um debate recorrente na comunidade: o grau de centralização da mineração de Bitcoin. Nos últimos anos, grandes pools e empresas listadas em bolsa passaram a controlar parcelas cada vez maiores do hashrate global da rede, levantando questionamentos sobre os princípios originais do protocolo.
A lógica por trás da raridade
O hashrate total da rede Bitcoin supera atualmente 800 exahashes por segundo (EH/s). Uma Bitaxe opera em torno de 1 a 2 terahashes por segundo (TH/s) — uma diferença de mais de 400 bilhões de vezes. Estatisticamente, um dispositivo nessa faixa poderia levar centenas de milhares de anos para resolver um bloco sozinho. Quando acontece, é pura — e matemática — sorte.
Ainda assim, casos como este demonstram que a rede permanece, em teoria, aberta a qualquer participante — independentemente do tamanho do equipamento. A vitória do minerador anônimo foi celebrada pela comunidade como um símbolo da proposta original do Bitcoin: um sistema financeiro sem intermediários e sem barreiras de entrada.
📰 Nota editorial
As informações sobre o bloco 957.382 e o uso de uma Bitaxe foram reportadas originalmente pelo portal Livecoins, com base em dados públicos da plataforma Public Pool. O KriptoHoje apurou e reescreveu o conteúdo de forma independente.
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