Um relatório recente aponta que o avanço da computação quântica no Brasil coloca em xeque os sistemas criptográficos que protegem a custódia de ativos virtuais — e o Banco Central já está de olho no problema.
O Brasil avança no desenvolvimento de computadores quânticos com capacidade de até 100 qubits, e esse progresso tecnológico traz um alerta sério para o setor financeiro digital. Segundo a Exame, um relatório recente aponta que essas máquinas, quando atingirem níveis mais elevados de processamento, terão potencial para quebrar os algoritmos criptográficos que sustentam hoje a custódia de ativos virtuais — incluindo criptomoedas como Bitcoin e Ethereum.
A criptografia de chave pública, base da segurança em praticamente toda a infraestrutura de blockchain e de carteiras digitais, foi construída sobre problemas matemáticos considerados intratáveis para computadores convencionais. A computação quântica, contudo, opera sob princípios físicos diferentes e pode resolver esses problemas em tempo exponencialmente menor — tornando vulneráveis sistemas que hoje são considerados seguros.
O que está em risco e por quê isso importa agora
A ameaça quântica não é imediata — especialistas debatem se levará décadas até que máquinas com poder suficiente estejam operacionais em larga escala. Mas o setor financeiro trabalha com horizontes longos, e o Banco Central do Brasil já sinalizou que monitora os desdobramentos relacionados à segurança pós-quântica. A autarquia avalia de que forma a regulação e a infraestrutura do sistema financeiro nacional devem se adaptar antes que o risco se materialize.
O conceito de “harvest now, decrypt later” — colher dados criptografados agora para decifrá-los no futuro, quando houver poder quântico suficiente — já preocupa agências de segurança ao redor do mundo. No contexto de criptoativos, isso significa que transações e chaves privadas registradas hoje poderiam, em tese, ser comprometidas futuramente.
RSA, ECDSA e outros padrões de criptografia assimétrica usados em blockchains podem ser quebrados por computadores quânticos suficientemente poderosos.
O BC monitora a evolução da segurança pós-quântica e avalia adaptações regulatórias para o sistema financeiro nacional antes que o risco se torne concreto.
O país desenvolve máquinas quânticas de até 100 qubits, um passo relevante na trajetória tecnológica, ainda que distante do limiar necessário para ameaças criptográficas reais.
O NIST (EUA) já padronizou algoritmos resistentes a ataques quânticos. A migração para esses padrões é apontada como caminho inevitável para o setor de criptoativos.
A corrida pela criptografia pós-quântica
Em resposta à ameaça, o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST) concluiu, em 2024, a padronização de algoritmos de criptografia resistentes a ataques quânticos. Projetos de blockchain e custodiantes de criptoativos ao redor do mundo já discutem cronogramas de migração para esses novos padrões — um processo que pode levar anos e exige coordenação entre desenvolvedores, exchanges e reguladores.
Por que a custódia própria ganha relevância
Diante de ameaças sistêmicas como a computação quântica, o debate sobre autocustódia volta ao centro das discussões. Guardar criptoativos em hardware wallets — dispositivos físicos que mantêm as chaves privadas offline — reduz a superfície de ataque digital. A migração futura para algoritmos pós-quânticos também tende a ser mais simples quando o usuário controla diretamente suas chaves.
Segundo a Exame, o relatório que embasou o alerta destaca que o Brasil ocupa uma posição singular: ao mesmo tempo em que avança no desenvolvimento de tecnologia quântica nacional, ainda carece de um marco regulatório específico para endereçar os riscos que essa mesma tecnologia impõe ao mercado de ativos digitais.
Para quem detém criptomoedas, a orientação de especialistas em segurança digital é acompanhar a evolução dos protocolos utilizados pelas carteiras e plataformas escolhidas, além de manter atenção às atualizações de segurança dos principais projetos de blockchain. Entender como seus ativos são custodiados é um passo fundamental nesse cenário.
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📰 Nota editorial
Esta reportagem é baseada em informações publicadas pela Exame sobre relatório técnico que analisa os impactos da computação quântica sobre a custódia de ativos virtuais no Brasil. O KriptoHoje reescreveu e contextualizou o conteúdo de forma independente.
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