O mercado de ativos reais tokenizados acumula mais de US$ 60 bilhões, mas um novo relatório revela que a maior parte desse valor está concentrada, restrita ou inativa on-chain — levantando dúvidas sobre a profundidade real do setor.
O segmento de ativos do mundo real tokenizados (RWA, na sigla em inglês) atingiu uma marca expressiva: mais de US$ 60 bilhões em valor total registrado on-chain. O número, à primeira vista, parece indicar uma adoção robusta da tecnologia blockchain nos mercados tradicionais. No entanto, uma análise mais detalhada do setor aponta para um cenário bem mais complexo.
Segundo a BeInCrypto, o relatório Real State of Tokenization in 2026, produzido pela divisão de inteligência do veículo com dados da plataforma RWA.xyz, mapeou mais de 7.000 produtos distribuídos em 12 classes de ativos. A conclusão central é que apenas 62 ativos concentram 88% de todo o valor tokenizado — o que evidencia uma distribuição extremamente desigual dentro do mercado.
Além da concentração, o estudo identificou que grande parte do valor registrado permanece restrita ou inativa: tokens sem mercado secundário relevante, ativos acessíveis apenas a investidores institucionais qualificados e produtos com liquidez praticamente nula no dia a dia. Para os especialistas ouvidos no relatório, isso coloca em xeque a narrativa de que a tokenização já representa uma transformação efetiva dos mercados financeiros.
Leia também: tokenização de ativos reais (RWA).
O que os dados revelam sobre a maturidade do setor
A pesquisa detalha que as classes de ativos com maior representatividade no total tokenizado incluem títulos do tesouro americano, fundos de money market e crédito privado. São segmentos que naturalmente atraem grandes volumes institucionais, mas que, por definição, limitam o acesso ao varejo e reduzem a circulação efetiva dos tokens no mercado aberto.
Apenas 62 ativos respondem por 88% de todo o valor tokenizado rastreado — em um universo de mais de 7.000 produtos mapeados.
Grande parte dos tokens RWA não possui mercado secundário ativo, sendo acessível apenas a investidores institucionais ou permanecendo inativo on-chain.
Tesouros americanos, fundos money market e crédito privado lideram o volume, classes que, por natureza, restringem o acesso ao investidor de varejo.
O relatório da BeInCrypto Intelligence rastreou mais de 7.000 produtos em 12 classes de ativos com dados da plataforma RWA.xyz.
Crescimento real ou ilusão de escala?
O debate central levantado pelo relatório é se o volume de US$ 60 bilhões em RWA tokenizados representa adoção genuína ou apenas o registro contábil de ativos que, na prática, continuam operando com as mesmas restrições dos mercados tradicionais. Para especialistas citados pela BeInCrypto, a liquidez efetiva — e não o valor nominal registrado — é o indicador mais relevante para avaliar a maturidade do setor.
O ponto levantado pelos analistas não é que a tokenização seja ineficaz, mas que o mercado ainda está em estágio inicial de desenvolvimento. A infraestrutura para negociação secundária de tokens RWA, a padronização regulatória entre jurisdições e a integração com sistemas de liquidação tradicionais ainda são gargalos que limitam o potencial do setor.
Para o Brasil, o tema também é relevante. O Banco Central e a CVM têm avançado em marcos regulatórios para ativos digitais, e iniciativas como o Drex — a moeda digital do BC — preveem a tokenização de ativos financeiros como parte da infraestrutura futura do mercado de capitais nacional.
📌 Nota editorial
Os dados citados neste artigo são provenientes do relatório Real State of Tokenization in 2026, publicado pela BeInCrypto Intelligence com base em informações da plataforma RWA.xyz. O KriptoHoje não produziu nem validou de forma independente as métricas apresentadas.
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