Oito jogos distribuídos na Steam continham software malicioso que roubou tokens de carteiras digitais. O rastro financeiro dos criminosos levou investigadores até entregas do Uber Eats pagas com Bitcoin.
Oito títulos disponibilizados na plataforma Steam, da Valve, foram identificados como vetores de distribuição de malware projetado especificamente para drenar tokens de carteiras de criptomoedas. A descoberta acende um alerta importante para qualquer pessoa que mantém ativos digitais em dispositivos usados também para jogos.
Segundo a CryptoSlate, investigadores conseguiram rastrear o fluxo dos fundos roubados até gift cards adquiridos com Bitcoin e utilizados para pagar entregas no serviço Uber Eats — um exemplo incomum de como criminosos tentam converter criptoativos roubados em bens do mundo real para dificultar o rastreamento.
O caso ilustra dois riscos simultâneos: a facilidade com que softwares aparentemente legítimos podem ocultar código malicioso, e a vulnerabilidade de carteiras digitais mantidas em máquinas de uso geral, como PCs de gaming. Para entender melhor como o Bitcoin funciona nesse contexto, vale consultar o guia completo de Bitcoin para iniciantes.
Como o malware agia nas máquinas das vítimas
Os títulos maliciosos eram distribuídos de forma que pareciam jogos comuns na loja da Steam. Uma vez instalados, o código oculto passava a monitorar a atividade do sistema em busca de carteiras de criptomoedas, chaves privadas ou dados de autenticação relacionados a exchanges e aplicativos de gestão de ativos digitais.
Esse tipo de ataque é classificado como infostealer — um malware especializado em coletar credenciais e dados sensíveis silenciosamente, sem que a vítima perceba qualquer anomalia no comportamento do computador. A eficácia desse método está justamente na invisibilidade: o jogo funciona normalmente enquanto o código malicioso opera em segundo plano.
Jogos aparentemente legítimos na Steam ocultavam código infostealer que operava silenciosamente em segundo plano durante o uso normal do jogo.
Carteiras de criptomoedas, chaves privadas e credenciais de exchanges armazenadas no mesmo dispositivo usado para jogar eram os principais alvos do malware.
Os fundos roubados foram convertidos em gift cards comprados com Bitcoin e usados em pedidos do Uber Eats — tentativa de converter cripto em bens físicos.
Investigadores seguiram o rastro na blockchain e conseguiram conectar as transações de Bitcoin aos gift cards e, posteriormente, às entregas físicas.
O rastro na blockchain levou ao Uber Eats
O detalhe mais revelador do caso é justamente o rastro deixado pelos criminosos. Apesar de o Bitcoin ser frequentemente associado ao anonimato, a natureza pública da blockchain permitiu que investigadores seguissem as transações desde os endereços das vítimas até a aquisição de gift cards e o uso final desses créditos em pedidos de entrega de comida.
Bitcoin é rastreável — e os criminosos descobriram isso
Diferentemente do que muitos imaginam, transações em Bitcoin são registradas permanentemente em um livro-razão público. Ferramentas de análise de blockchain permitem que investigadores rastreiem o caminho dos fundos mesmo quando os criminosos tentam fragmentar ou converter os valores. No caso dos jogos da Steam, esse rastro foi determinante para identificar os responsáveis.
O episódio reforça um princípio fundamental da segurança em criptoativos: carteiras digitais não devem ser mantidas em dispositivos de uso cotidiano, especialmente em máquinas onde são instalados aplicativos de terceiros, como jogos. A separação física entre o ambiente de armazenamento e o ambiente de uso é a principal camada de proteção contra ataques desse tipo.
📌 Nota Editorial
A reportagem original foi publicada pela CryptoSlate e detalha como investigadores conectaram o fluxo de Bitcoin roubado a entregas físicas do Uber Eats, demonstrando a rastreabilidade da blockchain mesmo em tentativas sofisticadas de ocultação de origem dos fundos.
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