Hackers ligados ao governo de Pyongyang teriam virado as ferramentas do Estado contra o próprio Estado — invadindo o Banco Central norte-coreano e lavando o dinheiro em cripto.
Um grupo de hackers treinados e financiados pelo próprio governo da Coreia do Norte teria invadido as redes internas do Banco Central do país e do Banco de Comércio Exterior, desviando recursos que, em seguida, foram convertidos em criptomoedas. A informação foi publicada pelo veículo especializado Daily NK e repercutida pela Livecoins.
Segundo a Livecoins, após a conversão dos fundos roubados em criptoativos, o esquema seguia para uma segunda etapa: as moedas digitais eram trocadas por dólares e yuans em espécie diretamente na fronteira entre a Coreia do Norte e a China — um corredor historicamente usado para movimentações financeiras fora do radar das sanções internacionais.
O caso chama atenção porque, desta vez, o alvo não foi uma exchange ocidental, um protocolo DeFi ou uma empresa de tecnologia. O alvo foi a própria infraestrutura financeira do Estado norte-coreano — o que sugere que as operações do grupo extrapolaram qualquer missão oficial, colocando os próprios operadores em rota de colisão com o regime.
Cripto como rota de fuga financeira
A conversão de fundos roubados em criptomoedas é uma prática recorrente em esquemas de lavagem de dinheiro de alta complexidade. A pseudoanonimidade de certas redes, combinada com a velocidade das transações e a ausência de intermediários bancários tradicionais, torna os criptoativos uma camada atraente para quem busca mover valores sem deixar rastros imediatos. Agências como o FBI e o OFAC dos EUA já rastrearam e recuperaram centenas de milhões de dólares em casos similares.
Embora o grupo envolvido tenha acumulado uma quantia significativa com o esquema, o desfecho relatado pelo Daily NK aponta que os operadores não saíram ilesos: o regime norte-coreano, ao tomar conhecimento das atividades, teria agido para responsabilizar os envolvidos — um desdobramento que ilustra a linha tênue entre ser um ativo do Estado e tornar-se um alvo dele.
Leia também: como blindar suas criptomoedas contra roubos.
O padrão norte-coreano de crimes cibernéticos
A Coreia do Norte é apontada por governos ocidentais e pesquisadores de segurança como um dos mais ativos patrocinadores estatais de crimes cibernéticos financeiros do mundo. O grupo Lazarus, ligado a Pyongyang, é frequentemente associado a ataques de grande escala contra exchanges, bancos e plataformas de blockchain ao redor do globo.
Desta vez, ao contrário do padrão, os alvos foram o Banco Central e o Banco de Comércio Exterior da própria Coreia do Norte — não instituições ocidentais.
Os valores desviados foram convertidos em criptomoedas e depois trocados por moeda física — dólar e yuan — na fronteira com a China.
A região fronteiriça sino-coreana é historicamente associada ao contrabando e à movimentação de recursos fora do alcance das sanções internacionais.
Segundo o relato, ao descobrir o esquema, o próprio governo norte-coreano teria responsabilizado os hackers envolvidos — tornando-os alvos do Estado que os treinou.
O episódio reforça um debate crescente sobre a rastreabilidade das criptomoedas. Embora sejam frequentemente associadas ao anonimato, blockchains públicas registram permanentemente cada transação — o que permitiu, em casos anteriores, que autoridades recuperassem fundos roubados mesmo após múltiplas conversões.
📰 Nota editorial
As informações foram originalmente relatadas pelo Daily NK, veículo com sede em Seul especializado em cobertura da Coreia do Norte, e repercutidas pela Livecoins. O KriptoHoje não teve acesso independente às fontes primárias do caso. Detalhes sobre valores exatos e identidades dos envolvidos não foram divulgados publicamente.
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