O maior protocolo de empréstimos descentralizados do mercado quer enxugar sua presença em blockchains de baixo volume e eliminar dezenas de ativos pouco utilizados, num processo que movimenta quase US$ 100 milhões.
O Aave, protocolo de empréstimos descentralizados com bilhões de dólares em liquidez travada, apresentou uma proposta formal para desativar 50 ativos de baixa adoção e encerrar sua presença em seis redes blockchain. O movimento, que envolve uma realocação de aproximadamente US$ 98 milhões, representa uma das maiores reestruturações já vistas no segmento de finanças descentralizadas.
Segundo a The Defiant, que teve acesso à proposta de governança, o cofundador do protocolo, Stani Kulechov, foi enfático ao declarar que a decisão “não deve ser interpretada como uma visão sobre qualquer L1 ou L2”. O objetivo, de acordo com Kulechov, é simplesmente concentrar os recursos do protocolo nos mercados que geram maior valor real para os usuários e para o ecossistema.
A lógica por trás da medida é objetiva: manter mercados com pouca liquidez e baixa utilização consome recursos de desenvolvimento, auditoria e monitoramento de risco, sem retorno proporcional. Ao consolidar operações, o Aave busca fortalecer sua posição nas redes onde já domina o volume de empréstimos.
Quais redes estão na mira do encerramento
A proposta identifica seis blockchains onde o Aave operaria seus últimos mercados antes de encerrar as atividades. Os detalhes exatos das redes não foram todos divulgados publicamente de forma definitiva, mas a movimentação já gerou debate intenso na comunidade de governança do protocolo — que precisa votar para aprovar qualquer alteração estrutural dessa magnitude.
Vale lembrar que o Aave opera atualmente em mais de uma dezena de redes, incluindo Ethereum, Polygon, Avalanche, Arbitrum, Optimism e outras. A estratégia de expansão agressiva para múltiplas camadas 2 (Layer 2) e redes alternativas foi uma marca do protocolo nos últimos anos — e agora passa por revisão. Para entender melhor como essas redes funcionam, confira o guia completo de criptomoedas.
Tokens com baixo volume de uso serão retirados dos mercados do Aave, reduzindo exposição a riscos de liquidez fragmentada.
O protocolo planeja encerrar operações em seis blockchains onde o volume de empréstimos não justifica os custos de manutenção.
O valor total de liquidez envolvida na reestruturação chega a aproximadamente 98 milhões de dólares, segundo a proposta de governança.
Todas as mudanças precisam ser aprovadas pelos detentores do token AAVE por meio do processo formal de governança descentralizada.
Foco em mercados de alto valor
A tendência de consolidação não é exclusiva do Aave. Diversos protocolos DeFi passaram por revisões semelhantes após o ciclo de expansão de 2021 e 2022, quando a proliferação de redes e ativos superou, em muitos casos, a demanda real dos usuários.
O que Kulechov disse
Segundo a The Defiant, Stani Kulechov declarou que a operação de limpeza “não deve ser interpretada como uma visão sobre qualquer L1 ou L2” — sinalizando que a saída de determinadas redes é uma decisão puramente operacional e econômica, não um julgamento sobre o valor tecnológico dessas blockchains.
Do ponto de vista de gestão de risco, manter mercados com ativos ilíquidos expõe o protocolo a possíveis ataques de manipulação de preço e eventos de má dívida — situações que já afetaram outros projetos DeFi no passado. A desativação planejada e gradual reduz esse vetor de risco de forma estruturada.
A proposta ainda aguarda votação formal pela comunidade do Aave DAO. Caso aprovada, representa um sinal claro de maturidade do setor: menos quantidade, mais qualidade — e uma aposta na sustentabilidade de longo prazo sobre a expansão a qualquer custo.
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