O Tribunal de Justiça de Alagoas determinou que a exchange Bitfy devolva o saldo em bitcoin de um cliente, em decisão que reforça a proteção jurídica de investidores no mercado cripto brasileiro.
O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) condenou a Bitfy — antiga carteira de bitcoin brasileira — a restituir o saldo de um investidor que não conseguia acessar seus fundos na plataforma. A decisão foi proferida pela 9ª Vara Cível da capital alagoana e assinada pelo juiz Gilvan de Santana Oliveira na última segunda-feira (27).
Segundo a Livecoins, que obteve acesso exclusivo ao processo, a condenação determina que a empresa cumpra a ordem judicial sob pena de multa em caso de descumprimento. O veículo foi o único a noticiar os detalhes do processo até o momento da publicação.
O caso chama atenção por envolver uma das plataformas que já foi referência no segmento de custódia de criptoativos no Brasil. A Bitfy chegou a operar como carteira digital de bitcoin e outras criptomoedas, mas passou por mudanças ao longo dos últimos anos.
O que determina a decisão judicial?
A ordem da 9ª Vara Cível de Alagoas obriga a Bitfy a devolver integralmente o saldo em bitcoin ao investidor autor da ação. O descumprimento da decisão pode acarretar multa diária, mecanismo previsto na legislação brasileira para forçar o cumprimento de obrigações judiciais.
Custódia própria x custódia em exchanges
O episódio reacende o debate sobre os riscos da custódia de criptoativos em plataformas de terceiros. Quando um investidor mantém seus ativos em uma exchange ou carteira custodial, a posse técnica das chaves privadas pertence à empresa — não ao usuário.
Em situações de bloqueio de conta, encerramento de plataforma ou disputas contratuais, o investidor pode enfrentar dificuldades para reaver seus fundos sem recorrer à via judicial, como ocorreu neste caso.
O investidor controla suas próprias chaves privadas, geralmente por meio de uma hardware wallet. Sem dependência de terceiros para acessar os fundos.
A plataforma guarda as chaves em nome do usuário. Em caso de problemas operacionais ou jurídicos com a empresa, o acesso aos ativos pode ser bloqueado.
Judiciário brasileiro e criptomoedas
Decisões como esta do TJAL mostram que o Poder Judiciário brasileiro tem se mostrado cada vez mais capaz de lidar com litígios envolvendo criptoativos. Ainda que a regulamentação específica do setor esteja em desenvolvimento, os tribunais têm aplicado o Código de Defesa do Consumidor e o direito contratual para resolver conflitos entre investidores e plataformas.
A Lei 14.478/2022, que estabeleceu o marco regulatório dos criptoativos no Brasil, atribuiu ao Banco Central a supervisão das prestadoras de serviços de ativos virtuais (VASPs). A norma reforça obrigações de transparência e proteção ao cliente, mas sua implementação plena ainda está em curso.
📰 Nota editorial
O KriptoHoje não teve acesso direto ao processo judicial. As informações sobre o caso foram apuradas com base na reportagem exclusiva do portal Livecoins, veículo especializado em criptomoedas. Recomendamos a leitura da fonte original para detalhes adicionais.
Para entender melhor como o bitcoin funciona e quais são as melhores práticas para guardar seus ativos com segurança, confira o material educativo da KriptoBR:
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