A maior gestora de venture capital focada em cripto do mundo defende que o termo ‘stablecoin’ carrega uma bagagem histórica que já não faz jus ao tamanho e à função dessas moedas digitais na economia global.
A Andreessen Horowitz, conhecida no mercado como a16z, é uma das vozes mais influentes do ecossistema cripto global. Recentemente, a gestora levantou um debate incomum: o próprio nome que o setor usa para descrever moedas digitais atreladas a ativos estáveis pode estar fazendo mais mal do que bem.
Para a a16z, o termo “stablecoin” nasceu em um contexto muito específico — o dos primeiros anos das criptomoedas, marcados por volatilidade extrema. Naquela época, fazia sentido destacar que certas moedas digitais eram “estáveis” em relação ao caos que reinava no mercado. Mas o mundo mudou.
Segundo a BeInCrypto, a gestora argumenta que as chamadas stablecoins já evoluíram para se tornar uma infraestrutura crítica de pagamentos globais, transferências internacionais e serviços financeiros descentralizados — e que o nome atual não captura essa realidade.
Por que o nome importa?
A discussão pode parecer semântica à primeira vista, mas tem implicações práticas relevantes. O rótulo “stablecoin” ancora a percepção dessas moedas ao passado volátil das criptomoedas, em vez de posicioná-las como ferramentas financeiras modernas e funcionais.
Para iniciantes no universo cripto, a confusão é ainda maior: o prefixo “stable” pode sugerir uma promessa de segurança absoluta — o que não é necessariamente verdade, como o colapso da UST/Terra demonstrou em 2022. Ao mesmo tempo, o sufixo “coin” remete à especulação, o que afasta potenciais usuários que buscam apenas uma ferramenta de pagamento eficiente.
O termo “stablecoin” é um resquício da era volátil das criptomoedas e não reflete o papel atual dessas moedas como infraestrutura de pagamentos globais.
Moedas como USDT e USDC já movimentam trilhões de dólares por ano em transações internacionais, superando redes tradicionais em velocidade e custo.
O prefixo “stable” pode criar expectativas equivocadas de segurança absoluta, enquanto “coin” reforça a associação com especulação.
Governos e reguladores ao redor do mundo debatem como classificar e supervisionar esses ativos, e a nomenclatura influencia diretamente esse processo.
O que são stablecoins, afinal?
Para quem está começando a entender o universo das criptomoedas, stablecoins são moedas digitais criadas para manter um valor fixo em relação a um ativo de referência — geralmente o dólar americano. As mais conhecidas são o USDT (Tether) e o USDC (USD Coin).
Diferente do Bitcoin ou do Ether, cujos preços oscilam diariamente, uma stablecoin lastreada em dólar tende a valer sempre cerca de US$ 1,00. Isso as torna úteis para transferências internacionais, proteção contra a desvalorização de moedas locais e transações no ecossistema de finanças descentralizadas (DeFi).
Para se aprofundar nesse tema e entender melhor como as criptomoedas funcionam de forma geral, vale conferir o guia completo de criptomoedas da KriptoBR.
O peso das palavras no mercado cripto
A a16z não é a primeira a questionar a terminologia do setor. Ao longo dos anos, termos como “altcoin”, “token” e até “blockchain” passaram por reinterpretações à medida que o mercado amadureceu. A discussão sobre “stablecoin” reflete um movimento mais amplo de consolidação e profissionalização da indústria cripto, que busca ser levada a sério por reguladores, instituições financeiras e o público em geral.
O debate levantado pela a16z chega em um momento em que os Estados Unidos e a União Europeia avançam em marcos regulatórios específicos para moedas digitais estáveis. No contexto regulatório, a forma como um ativo é nomeado e classificado pode determinar quais regras se aplicam a ele — o que torna a discussão semântica também uma questão política e econômica.
Por enquanto, o mercado segue usando “stablecoin” como padrão. Mas o questionamento da a16z indica que, à medida que esses ativos ganham protagonismo na economia digital, uma redefinição de identidade pode estar no horizonte.
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