Gestores que controlam fortunas equivalentes a mais de 60 vezes o PIB brasileiro estão reavaliando sua exposição ao universo cripto — e o Bitcoin pode não ser a prioridade número um dessa vez.
Uma parcela significativa dos assessores financeiros globais segue otimista com o setor de criptoativos, mas o foco de atenção está se deslocando. Segundo levantamento divulgado pelo portal CryptoPotato, profissionais que gerenciam coletivamente cerca de US$ 175 trilhões em ativos estão direcionando o olhar para stablecoins e aplicações baseadas em blockchain, em vez de concentrar apostas apenas no Bitcoin.
O movimento reflete uma maturidade crescente na forma como o mercado institucional enxerga o ecossistema cripto. Se antes o Bitcoin era o único porto de entrada para quem queria exposição digital, hoje a infraestrutura construída ao redor das criptomoedas passou a despertar interesse próprio — especialmente em um cenário de taxas de juros ainda elevadas e busca por eficiência nos pagamentos globais.
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O que está atraindo a atenção institucional
Segundo a CryptoPotato, as duas categorias que mais chamam atenção dos assessores são as stablecoins — ativos digitais atrelados a moedas fiduciárias, como o dólar — e as chamadas aplicações de blockchain, que incluem protocolos de finanças descentralizadas (DeFi), tokenização de ativos reais e sistemas de liquidação interbancária. A percepção é de que essas categorias oferecem casos de uso mais imediatos e tangíveis para clientes corporativos e institucionais.
Ativos digitais lastreados em moedas fiduciárias ganham força como ferramenta de pagamento e liquidação internacional, com menor volatilidade e rastreabilidade em blockchain.
Protocolos DeFi, tokenização de ativos reais e sistemas de liquidação interbancária atraem gestores que buscam eficiência operacional além da especulação com preços.
Assessores financeiros com carteiras de clientes corporativos preferem ativos com fluxo de caixa previsível ou utilidade clara, características que o Bitcoin puro ainda não entrega.
Volume total de ativos sob gestão dos profissionais consultados, o que torna qualquer realocação marginal desse capital potencialmente transformadora para o mercado cripto.
Bitcoin segue relevante, mas divide espaço
Isso não significa que o Bitcoin perdeu prestígio entre os grandes gestores. A criptomoeda mais antiga e de maior capitalização do mercado ainda é vista como reserva de valor e porta de entrada para o setor. Contudo, a narrativa está evoluindo: o ecossistema ao redor do Bitcoin e de outras redes passou a ser tão ou mais relevante quanto o ativo em si para determinados perfis de investidor institucional.
Contexto: por que stablecoins ganham tração agora?
O avanço regulatório em mercados como Estados Unidos e União Europeia tem dado mais segurança jurídica para que instituições financeiras adotem stablecoins em operações do dia a dia. Com a aprovação de marcos como o MiCA europeu e discussões legislativas em curso no Congresso americano, o ambiente para esses ativos ficou consideravelmente mais claro — o que reduz o risco percebido por gestores conservadores.
A tendência também dialoga com o crescimento dos ETFs de Bitcoin aprovados nos Estados Unidos no início de 2024, que já absorveram dezenas de bilhões de dólares em captações. Parte dos assessores que antes resistiam ao ativo agora o acessam via produtos regulados, enquanto direcionam análises mais aprofundadas para os segmentos de infraestrutura do setor.
📰 Nota editorial
Os dados citados nesta reportagem foram publicados originalmente pelo portal CryptoPotato e referem-se a levantamentos com assessores financeiros de diferentes mercados. O KriptoHoje reproduz as informações com caráter jornalístico e não endossa qualquer estratégia de alocação mencionada.
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