Com o Bitcoin recuando cerca de 50% em relação ao topo histórico, o cofundador da Glassnode trouxe dados históricos que indicam como os ciclos de baixa vêm mudando de intensidade ao longo dos anos.
O Bitcoin acumula uma queda expressiva em relação ao seu topo histórico registrado em outubro, e o debate sobre onde está o fundo do ciclo atual ganhou força nas últimas semanas. Rafael Schultze-Kraft, cofundador da plataforma de análise on-chain Glassnode, publicou uma análise detalhada sobre o comportamento dos drawdowns do Bitcoin ao longo dos diferentes ciclos de mercado.
Segundo a Livecoins, Schultze-Kraft destaca uma tendência consistente nos dados históricos: os fundos de cada ciclo vêm sendo progressivamente menos profundos. Ou seja, a cada novo ciclo, a queda máxima a partir do topo histórico tem sido menor do que a do ciclo anterior, sugerindo uma maturação gradual do mercado de Bitcoin.
Essa observação é relevante porque coloca o momento atual em perspectiva. Quedas de 80% a 85% do topo eram comuns nos primeiros ciclos do Bitcoin. Com o crescimento da base de usuários, da liquidez e da participação institucional, esse padrão parece estar se atenuando — embora não haja garantias de que a tendência se repita.
O que os dados históricos mostram sobre os ciclos
A análise da Glassnode parte de uma comparação entre os drawdowns máximos registrados em cada ciclo de baixa do Bitcoin. Nos primeiros anos da criptomoeda, recuos superiores a 80% do topo eram a norma. Nos ciclos seguintes, esses fundos foram se tornando menos extremos, ainda que continuassem sendo quedas severas em termos absolutos.
Nos primeiros ciclos do Bitcoin, os drawdowns chegaram a superar 85% a partir do topo histórico, refletindo um mercado ainda pequeno e sem liquidez.
Nos ciclos mais recentes, os fundos ficaram entre 50% e 77%, indicando que, historicamente, os recuos vêm perdendo intensidade a cada novo ciclo.
A chegada de grandes investidores e ETFs spot é apontada como um fator que contribui para um mercado mais resiliente e com menor volatilidade extrema.
Padrões históricos não garantem comportamento futuro. O próprio cofundador da Glassnode ressalta que a análise é descritiva, não preditiva.
A Glassnode é reconhecida no setor por fornecer métricas on-chain que monitoram o comportamento real dos detentores de Bitcoin — desde o volume de moedas em carteiras de longo prazo até indicadores de lucro e prejuízo não realizado. Esse tipo de dado costuma ser usado por analistas para tentar identificar regiões de acumulação historicamente relevantes.
Drawdowns cada vez mais rasos: o que isso significa?
A tese central da análise de Schultze-Kraft é que o Bitcoin, ao longo do tempo, tem atraído mais capital de longo prazo, o que amortece as quedas. No entanto, o próprio analista é cauteloso: a tendência de drawdowns mais rasos é uma observação histórica, não uma lei. Fatores macroeconômicos, regulatórios ou de liquidez podem alterar esse padrão a qualquer momento.
Contexto atual: 50% abaixo do topo histórico
O Bitcoin perdeu aproximadamente metade do seu valor em relação ao topo histórico registrado em outubro. Esse nível de recuo, que em ciclos anteriores era visto como zona de capitulação intermediária, hoje é analisado sob uma nova ótica: com o mercado mais maduro, alguns analistas consideram que o ativo já pode estar operando em regiões de acumulação historicamente relevantes.
Ainda assim, a incerteza macroeconômica global — com juros elevados nos Estados Unidos, tensões geopolíticas e apetite reduzido por risco — mantém o ambiente desafiador para ativos voláteis como o Bitcoin.
Leia também: guia completo de Bitcoin para iniciantes.
📌 Nota editorial
Esta reportagem é baseada em análise publicada pela Livecoins, com base em dados e declarações do cofundador da Glassnode, Rafael Schultze-Kraft. O KriptoHoje não confirma nem refuta as projeções citadas — análises on-chain têm caráter descritivo e não constituem previsão de mercado.
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