O BIS, principal organismo de cooperação entre bancos centrais do mundo, publicou estudo indicando que stablecoins lastreadas no dólar enfraquecem mecanismos tradicionais de controle de capital e câmbio.
O Banco de Compensações Internacionais (BIS), entidade que reúne os principais bancos centrais do planeta, emitiu um alerta formal sobre o impacto das stablecoins atreladas ao dólar americano nos sistemas financeiros nacionais. Segundo o estudo, esses ativos digitais têm capacidade de contornar restrições cambiais e controles de capital que os governos aplicam sobre depósitos bancários em moeda estrangeira.
Segundo a The Block, que publicou a análise, o BIS conclui que as ferramentas regulatórias tradicionais são substancialmente menos eficazes quando aplicadas a stablecoins do que quando aplicadas a depósitos bancários convencionais em moeda estrangeira. Em outras palavras: o que funciona para conter o fluxo de dólares dentro do sistema bancário pode não funcionar para conter o uso de ativos como USDT ou USDC.
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Por que os controles de capital existem?
Controles de capital são mecanismos adotados por governos — especialmente em países emergentes — para regular a entrada e saída de dinheiro estrangeiro. Eles servem para proteger a moeda local, conter fugas de capital em momentos de crise e preservar as reservas internacionais do país.
Na prática, funcionam limitando quanto um cidadão pode enviar para o exterior, exigindo autorização para transações em moeda estrangeira ou tributando a conversão de moeda local em dólares. O problema apontado pelo BIS é que, com uma stablecoin em dólar, qualquer pessoa com acesso à internet pode dolarizar suas economias sem passar pelo sistema bancário regulado.
Depósitos em moeda estrangeira passam por bancos regulados, que devem obedecer às restrições cambiais impostas pelos governos e bancos centrais.
Ativos como USDT e USDC operam em redes descentralizadas, fora do alcance direto dos controles cambiais convencionais, o que dificulta a supervisão regulatória.
Países com moedas instáveis e histórico de controle cambial — como Argentina e Turquia — são os mais vulneráveis à dolarização via stablecoins.
O BIS reconhece que as ferramentas atuais de supervisão financeira não foram projetadas para lidar com ativos digitais que circulam em redes públicas sem intermediários.
O que o BIS propõe?
O estudo não apresenta uma solução definitiva, mas sinaliza a necessidade de atualização dos marcos regulatórios para contemplar a realidade dos ativos digitais. O BIS sugere que reguladores nacionais precisam considerar as stablecoins como uma categoria distinta — e não apenas como um equivalente digital dos depósitos bancários em moeda estrangeira.
O que é uma stablecoin?
Uma stablecoin é um tipo de criptomoeda projetada para manter um valor estável, geralmente atrelada a uma moeda fiduciária como o dólar americano. As mais conhecidas são USDT (Tether) e USDC (Circle). Diferentemente do Bitcoin, seu preço não oscila livremente — cada unidade representa, em tese, um dólar real mantido em reserva pelo emissor.
A análise do BIS ganha relevância em um momento em que o mercado global de stablecoins ultrapassa US$ 200 bilhões em capitalização, com volume de transações diárias que rivaliza com redes de pagamento tradicionais. Para países como o Brasil, que historicamente manteve restrições ao câmbio, o debate é especialmente pertinente.
📌 Nota editorial
Este artigo é baseado em estudo publicado pelo BIS e reportado pela The Block. O KriptoHoje não tem acesso ao documento completo do BIS e recomenda a leitura da fonte primária para aprofundamento.
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