A BlackRock e o JPMorgan unem forças para levar fundos do mercado monetário tokenizados ao mercado europeu, movimentando o setor de finanças tradicionais em direção à tecnologia blockchain.
Duas das maiores instituições financeiras do mundo estão avançando juntas no segmento de ativos tokenizados. Segundo a Cointelegraph.com News, a BlackRock firmou parceria com o JPMorgan para tokenizar cotas selecionadas de seus fundos do mercado monetário na Europa, utilizando a plataforma Kinexys, infraestrutura blockchain própria do banco americano.
Os fundos serão representados digitalmente em três moedas: libra esterlina, euro e dólar americano. A iniciativa marca mais um passo concreto da indústria financeira tradicional em direção à tecnologia de registro distribuído, conhecida pela sigla DLT (Distributed Ledger Technology).
O que é tokenização de fundos e por que ela importa
Para quem está começando a entender o universo cripto e blockchain, a tokenização consiste em transformar um ativo do mundo real — como uma cota de fundo de investimento — em um token digital registrado em uma rede blockchain. Esse processo torna o ativo mais fácil de transferir, rastrear e, potencialmente, negociar em novos mercados.
No caso dos fundos do mercado monetário, que são considerados investimentos de baixo risco e alta liquidez, a tokenização pode simplificar operações como garantias em contratos financeiros e liquidações entre instituições. Se quiser entender melhor o ecossistema por trás dessas tecnologias, confira nosso guia completo de criptomoedas.
Maior gestora de ativos do mundo, com mais de US$ 10 trilhões sob gestão. Já opera o fundo tokenizado BUIDL na rede Ethereum desde 2024.
Plataforma blockchain institucional do JPMorgan, anteriormente chamada de Onyx. Processa bilhões de dólares em transações tokenizadas diariamente.
As cotas tokenizadas serão denominadas em libra esterlina (GBP), euro (EUR) e dólar americano (USD), ampliando o alcance geográfico da operação.
A expansão mira o mercado europeu, onde regulações como o MiCA têm criado um ambiente mais estruturado para ativos digitais institucionais.
Contexto: a corrida pelos ativos do mundo real
A movimentação de BlackRock e JPMorgan faz parte de uma tendência mais ampla chamada de RWA (Real World Assets, ou Ativos do Mundo Real). O segmento envolve trazer para blockchains ativos tradicionais como títulos do governo, imóveis, commodities e fundos de investimento.
Grandes bancos e gestoras têm acelerado suas apostas nesse campo ao longo de 2024 e 2025. A BlackRock, por exemplo, já havia lançado o fundo BUIDL na rede Ethereum, voltado para investidores institucionais. A nova parceria com o JPMorgan expande essa estratégia para o continente europeu com uma infraestrutura proprietária.
O que muda para o mercado institucional?
Com cotas de fundos representadas como tokens em blockchain, instituições financeiras podem usá-las como garantia em tempo real para outras operações, sem a necessidade de aguardar liquidações que normalmente levam dias. Isso reduz fricção operacional e potencialmente libera capital que ficaria parado durante esses ciclos.
Segundo a Cointelegraph.com News, a plataforma Kinexys já processou volumes expressivos em transações digitais para clientes institucionais, consolidando-se como uma das infraestruturas blockchain mais robustas do setor bancário global. A integração com os fundos da BlackRock representa uma ampliação significativa do portfólio de ativos disponíveis na plataforma.
📌 Nota editorial
A tokenização de ativos tradicionais ainda é um campo em desenvolvimento. Aspectos regulatórios, custódia e interoperabilidade entre diferentes blockchains seguem sendo desafios relevantes para a adoção em larga escala no setor financeiro europeu e global.
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