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Cardano e Solana revelam a maior fraqueza da governança cripto

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Os modelos de governança de Cardano e Solana enfrentam um problema em comum: poucos participantes tomam decisões que afetam milhões. Entenda o que está em jogo.

Dois dos maiores projetos de blockchain do mundo estão diante de um desafio que coloca em xeque a ideia de governança descentralizada: a baixa participação de seus próprios agentes na tomada de decisões. Cardano e Solana, cada um à sua maneira, expuseram uma vulnerabilidade estrutural que o setor cripto ainda não sabe como resolver.

Segundo a CryptoSlate, os DReps (representantes delegados) e os SPOs (operadores de stake pools) da rede Cardano estão operando abaixo dos limiares mínimos necessários para uma governança considerada saudável. Ao mesmo tempo, a Solana enfrenta conflitos entre os padrões adotados por validadores, as preferências de quem delega stake e regras de aprovação que se contradizem — tornando difícil até mesmo interpretar o que significa uma “baixa participação” naquela rede.

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O que é governança on-chain e por que ela importa

Em redes blockchain descentralizadas, as decisões sobre o futuro do protocolo — como atualizações de código, mudanças em taxas ou ajustes de consenso — são tomadas coletivamente pelos participantes da rede. Esse processo é chamado de governança on-chain.

No modelo ideal, quanto mais pessoas participam, mais legítimas e representativas são as decisões. O problema surge quando a maioria dos detentores de tokens simplesmente não vota — deixando o poder concentrado nas mãos de poucos agentes, o que contradiz diretamente a promessa de descentralização.

🔵 Cardano (ADA)

DReps e SPOs operam abaixo dos limiares mínimos de participação, comprometendo a validade das decisões tomadas em rede.

🟣 Solana (SOL)

Conflitos entre padrões de validadores, preferências de delegadores e regras de aprovação tornam ambíguo o real significado da participação na rede.

Uma fraqueza que o setor ainda não resolveu

A situação revelada por Cardano e Solana não é exclusiva desses dois projetos. A apatia de governança — termo usado para descrever a falta de engajamento dos detentores de tokens nos processos de votação — é um fenômeno recorrente em praticamente todas as redes blockchain que tentaram implementar governança descentralizada.

Por que as pessoas não participam?

Os motivos são variados: complexidade técnica dos processos de votação, desinteresse, falta de incentivos financeiros diretos e a sensação de que um único voto não faz diferença. O resultado é que as redes acabam sendo governadas por uma minoria ativa — geralmente grandes detentores e validadores institucionais — enquanto a maioria permanece passiva.

No caso específico de Cardano, o sistema CIP-1694 introduziu os DReps como uma camada adicional de representação — cidadãos podem delegar seu poder de voto a representantes registrados. Mas se os próprios DReps não atingem os quóruns necessários, o sistema não funciona como projetado.

Já na Solana, o cenário é ainda mais complexo: validadores frequentemente seguem configurações padrão que podem não refletir a vontade de quem delegou stake a eles. Quando as regras de aprovação de propostas entram em conflito com o comportamento real dos participantes, fica difícil até mesmo definir se uma votação foi legítima ou não.

📌 Nota editorial

A análise é baseada em reportagem publicada pela CryptoSlate, que apontou os casos de Cardano e Solana como exemplos da maior fraqueza estrutural da governança cripto: a dependência de uma participação ampla que, na prática, raramente se concretiza.

O debate levanta uma questão fundamental para o setor: é possível construir sistemas de governança verdadeiramente descentralizados se a maioria dos usuários não está disposta — ou não está preparada — para participar ativamente? Essa pergunta ainda não tem resposta clara, mas os casos de Cardano e Solana mostram que ignorá-la tem consequências reais para a legitimidade dessas redes.

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Beatriz Pacheco
Analista de suporte técnico da KriptoBR. Atua no atendimento a clientes de carteiras de hardware e acompanha incidentes de segurança que afetam usuários finais.

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