A exchange Coinbase congelou mais de US$ 3 milhões em criptoativos associados a redes de fraude do Sudeste Asiático, em ação coordenada com autoridades federais dos Estados Unidos.
A Coinbase bloqueou mais de US$ 3 milhões em criptoativos vinculados a organizações criminosas do Sudeste Asiático especializadas em fraudes de investimento. A ação faz parte da chamada Disruption Week, iniciativa liderada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) em parceria com empresas de tecnologia do setor privado.
A operação reuniu investigadores federais e grandes plataformas digitais com o objetivo de cortar o acesso a contas e à infraestrutura utilizada por golpistas que aplicam fraudes de investimento habilitadas por meio digital — esquemas que já custaram bilhões de dólares a vítimas ao redor do mundo.
Segundo a BeInCrypto, a Coinbase foi uma das empresas privadas que colaboraram diretamente com o DOJ no esforço coordenado, identificando e congelando recursos rastreados até as redes fraudulentas. A troca de informações entre setor público e privado foi apontada como peça central da estratégia.
O que são as fraudes de investimento do Sudeste Asiático?
As organizações criminosas com base no Sudeste Asiático ficaram conhecidas por operar o chamado “pig butchering” (ou “abate de porco”), um tipo de golpe em que criminosos cultivam relacionamentos com as vítimas ao longo de semanas ou meses — geralmente via aplicativos de mensagens ou redes sociais — antes de convencê-las a investir em plataformas falsas de criptomoedas.
Após depositarem valores significativos, as vítimas percebem que não conseguem resgatar seus fundos. As plataformas simplesmente desaparecem, e o dinheiro é rapidamente convertido e movimentado por meio de redes de lavagem de criptoativos.
A Coinbase bloqueou mais de US$ 3 milhões em criptoativos diretamente rastreados a redes criminosas do Sudeste Asiático durante a Disruption Week.
O DOJ coordenou a operação junto a empresas de tecnologia, usando troca de inteligência para identificar contas e infraestruturas ligadas às fraudes.
Fraudes de investimento habilitadas digitalmente já causaram prejuízos de bilhões de dólares globalmente, com vítimas recrutadas principalmente por redes sociais e apps de mensagens.
As organizações operam principalmente a partir de Myanmar, Camboja e Laos, frequentemente utilizando vítimas de tráfico humano como operadores dos esquemas.
Disruption Week: a estratégia do DOJ
A Disruption Week representa uma mudança de abordagem das autoridades americanas no combate a crimes cibernéticos financeiros. Em vez de apenas investigar após o fato, o modelo busca interromper ativamente as operações criminosas em tempo real, bloqueando recursos e desmantelando infraestruturas enquanto os golpes ainda estão em andamento. A participação de exchanges como a Coinbase é considerada essencial para viabilizar essa resposta rápida.
A ação reforça uma tendência crescente de responsabilização das plataformas de criptoativos no combate a atividades ilícitas. Exchanges que cooperam com autoridades ganham espaço como parceiras estratégicas no ecossistema regulatório — ao mesmo tempo em que demonstram capacidade técnica para rastrear e bloquear fluxos suspeitos.
Para usuários comuns, o episódio serve como alerta sobre a sofisticação crescente das fraudes que utilizam criptomoedas como veículo. Conhecer os principais tipos de golpe é uma das formas mais eficazes de proteção.
Leia também: como identificar golpes com criptomoedas.
📰 Nota editorial
Esta reportagem é baseada em informações publicadas pela BeInCrypto. O KriptoHoje não teve acesso independente aos documentos do DOJ ou da Coinbase relativos à operação. Dados sobre o volume de fraudes globais são estimativas amplamente citadas por agências governamentais americanas como o FBI.
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