A Coreia do Sul avança com uma reforma histórica na gestão de seus ativos públicos e, pela primeira vez, coloca criptomoedas dentro do conceito oficial de riqueza nacional.
O governo sul-coreano prepara uma legislação abrangente chamada Lei Básica de Ativos Nacionais, que pretende modernizar a forma como o Estado administra seu enorme patrimônio público — estimado em cerca de 1.400 trilhões de won. A proposta é a primeira grande revisão do marco legal de gestão de ativos do país em 76 anos e, entre seus pontos mais relevantes, inclui os criptoativos como parte integrante da riqueza nacional.
Segundo a BeInCrypto, a iniciativa representa uma mudança significativa de postura: em vez de tratar ativos digitais como instrumentos especulativos ou de risco, o governo passa a reconhecê-los como patrimônio de longo prazo a ser gerido de forma estratégica pelo Estado. A medida acompanha um movimento global de amadurecimento regulatório em torno das criptomoedas.
A proposta ainda não tem data definida para votação no parlamento sul-coreano, mas já sinaliza uma inflexão importante na abordagem do país ao mercado de ativos digitais — que, nos últimos anos, havia sido marcada por restrições e debates acalorados sobre regulação. Para entender melhor o ecossistema que pode se beneficiar dessa mudança, vale conhecer o que é DeFi e como funciona.
O que muda com a nova lei
A Lei Básica de Ativos Nacionais propõe uma estrutura unificada para catalogar, monitorar e gerir os bens públicos do país — incluindo imóveis, participações societárias, reservas financeiras e, agora, ativos digitais. A lógica por trás da inclusão das criptomoedas é que ignorá-las seria deixar de fora uma classe de ativos que já movimenta volumes expressivos na economia global.
A última revisão ampla das leis de gestão de patrimônio estatal na Coreia do Sul ocorreu há 76 anos. A nova lei busca adequar o marco legal à realidade econômica atual.
O patrimônio público sul-coreano gerido sob essa legislação é estimado em aproximadamente 1.400 trilhões de won, o equivalente a cerca de 1 trilhão de dólares americanos.
Pela primeira vez, criptoativos seriam formalmente reconhecidos como parte da riqueza nacional, saindo da zona cinzenta regulatória para um enquadramento legal claro.
A abordagem proposta trata criptomoedas não como especulação de curto prazo, mas como componente estratégico de patrimônio a ser preservado e monitorado pelo Estado.
Contexto: a Coreia do Sul e o mercado cripto
A Coreia do Sul é um dos mercados de criptomoedas mais ativos do mundo. O país já conta com regulação específica para exchanges e proteção ao investidor de varejo desde 2023, com a Lei de Ativos Virtuais. A nova proposta vai além: em vez de apenas regular o setor privado, o Estado passa a reconhecer criptoativos como parte de seu próprio balanço patrimonial — um passo inédito entre as grandes economias asiáticas.
A movimentação sul-coreana ocorre num momento em que outros países também revisam suas posturas em relação a ativos digitais. Nos Estados Unidos, o debate sobre reservas estratégicas de Bitcoin ganhou força em 2024 e 2025. Em El Salvador, o Bitcoin já é moeda legal desde 2021. A Coreia do Sul, com sua abordagem via gestão de patrimônio nacional, segue um caminho próprio — mais institucional e menos simbólico.
📌 Nota editorial
As informações desta reportagem têm como base a cobertura da BeInCrypto, publicada em junho de 2025. A tramitação da lei no parlamento sul-coreano ainda está em curso e detalhes da proposta podem ser alterados durante o processo legislativo.
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