Cosmos Labs reconhece que aprovou por engano a correção de uma vulnerabilidade que acabou sendo explorada em um ataque coordenado de US$ 5,7 milhões contra seis redes blockchain, incluindo a MANTRA Chain.
O ecossistema Cosmos foi atingido por um ataque significativo que drenou aproximadamente US$ 5,7 milhões de seis redes blockchain diferentes. Agora, a Cosmos Labs admitiu publicamente que cometeu um erro grave no processo de revisão de segurança: aprovou como resolvida uma vulnerabilidade que, na prática, ainda estava aberta — e foi justamente essa brecha que os atacantes exploraram.
Segundo a The Block, a MANTRA Chain — rede que registrou o maior prejuízo individual, de US$ 3,6 milhões — contestou publicamente a narrativa do incidente. A equipe da MANTRA afirmou que o patch relacionado ao bug havia sido disponibilizado apenas 20 horas antes do início do ataque e que, além do prazo exíguo, a atualização não identificava de forma clara qual falha estava sendo corrigida.
A situação expõe uma tensão delicada no gerenciamento de vulnerabilidades em ecossistemas multi-chain: a necessidade de comunicar correções com agilidade versus o risco de alertar agentes maliciosos sobre a existência de uma brecha antes que todas as redes afetadas consigam aplicar o patch.
O que falhou no processo de revisão
A Cosmos Labs reconheceu que o bug havia sido marcado internamente como corrigido antes de uma verificação adequada ser concluída. Esse equívoco no processo de auditoria interna deu ao mercado — e potencialmente aos atacantes — uma falsa sensação de que o risco havia sido neutralizado.
O ataque foi coordenado e atingiu simultaneamente seis blockchains do ecossistema Cosmos, demonstrando a amplitude da vulnerabilidade compartilhada.
A MANTRA Chain foi a rede com maior perda individual, respondendo por mais de 60% do total drenado no ataque.
A MANTRA Chain alega que a correção foi disponibilizada apenas 20 horas antes do ataque, sem descrição clara da falha corrigida.
A Cosmos Labs admitiu ter aprovado erroneamente a vulnerabilidade como corrigida, sem a devida verificação técnica independente.
O caso reacende o debate sobre os protocolos de divulgação responsável de vulnerabilidades (responsible disclosure) em projetos descentralizados. Em redes tradicionais, empresas costumam ter prazos padronizados — geralmente 90 dias — para corrigir falhas antes de qualquer divulgação pública. No universo DeFi e multi-chain, a ausência de coordenação centralizada torna esse processo substancialmente mais complexo.
Falha humana em cadeia
O episódio ilustra que mesmo as maiores infraestruturas blockchain estão sujeitas a erros de processo — não apenas de código. A aprovação equivocada de um patch como “resolvido” sem verificação completa criou uma janela de oportunidade que custou milhões ao ecossistema Cosmos.
A MANTRA Chain, por sua vez, argumenta que não teve tempo hábil nem informações suficientes para reagir. Sem saber exatamente qual componente estava vulnerável, as equipes técnicas não conseguiram priorizar a aplicação do patch antes que os atacantes agissem. A falta de transparência na nota de atualização, segundo a rede, foi determinante para o agravamento do incidente.
Até o momento da publicação desta reportagem, não há confirmação pública sobre a identidade dos responsáveis pelo ataque nem sobre eventuais movimentações para recuperação dos fundos. A Cosmos Labs e as redes afetadas seguem investigando o caso.
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As informações deste artigo são baseadas em reportagem publicada pelo The Block. O KriptoHoje reescreveu e contextualizou o conteúdo de forma independente para o leitor brasileiro.
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