A Deribit, uma das maiores exchanges de derivativos cripto do mundo, transferiu 90% dos ativos de clientes para a Coinbase e descontinuou sua ferramenta diária de verificação de reservas — gerando preocupações sobre transparência.
A exchange de derivativos de criptomoedas Deribit anunciou duas mudanças significativas que entraram em vigor em 1º de setembro de 2026: a transferência de aproximadamente 90% dos ativos de clientes para a custódia da Coinbase e o encerramento de sua ferramenta de verificação diária de prova de reservas baseada em árvore de Merkle.
Segundo a CryptoSlate, a remoção do mecanismo de verificação Merkle diário significa que os clientes perdem a possibilidade de confirmar, de forma independente e em tempo real, se seus fundos estão efetivamente custodiados pela plataforma. No lugar, a Deribit passará a depender de relatórios emitidos pela VARA (autoridade reguladora dos Emirados Árabes Unidos) e de materiais auditados — instrumentos considerados menos acessíveis ao público geral.
A prova de reservas é um mecanismo de transparência que permite a qualquer usuário verificar, de forma criptográfica, se a exchange realmente detém os fundos declarados. Para entender melhor como exchanges e custódias funcionam no universo cripto, confira o guia completo de criptomoedas da KriptoBR.
O que muda na prática para os clientes
Antes da mudança, a Deribit disponibilizava uma verificação diária em que qualquer cliente podia checar se seu saldo estava incluído na árvore de Merkle — uma estrutura criptográfica que garante a integridade dos dados sem revelar informações privadas de outros usuários. Com o fim desse recurso, o processo de auditoria se torna menos frequente e menos direto.
90% dos ativos de clientes da Deribit foram migrados para a custódia institucional da Coinbase, uma das maiores exchanges reguladas dos EUA.
A checagem Merkle diária, que permitia auditoria independente dos fundos por qualquer usuário, foi descontinuada a partir de 1º de setembro de 2026.
A Deribit passará a divulgar relatórios periódicos via VARA e auditorias externas, mecanismos com menor frequência e acessibilidade pública.
A VARA, autoridade regulatória de ativos virtuais de Dubai, passa a ser o principal órgão de supervisão das operações de custódia da Deribit.
Por que a prova de reservas importa?
O debate sobre prova de reservas ganhou força após o colapso da FTX em 2022, quando ficou evidente que a exchange utilizava os fundos dos clientes de forma inadequada. Desde então, o setor passou a exigir maior transparência das plataformas — e ferramentas como a verificação Merkle tornaram-se um padrão informal de mercado.
O que é a árvore de Merkle?
A árvore de Merkle é uma estrutura criptográfica que organiza os saldos de todos os usuários em camadas de dados verificáveis. Com ela, qualquer cliente pode confirmar matematicamente que seu saldo está incluído no total declarado pela exchange — sem precisar confiar cegamente na plataforma. É considerada uma das formas mais robustas de prova de reservas disponíveis hoje.
A decisão da Deribit contraria essa tendência. Ao substituir a verificação diária por relatórios regulatórios periódicos, a exchange reduz a capacidade de o próprio usuário auditar seus fundos de forma autônoma — o que, para críticos do setor, representa um retrocesso em termos de autocustódia e transparência.
A Deribit, que é amplamente reconhecida como líder global em mercados de opções de Bitcoin e Ethereum, não divulgou publicamente os motivos detalhados para as mudanças. A empresa foi adquirida pela Coinbase por cerca de US$ 2,9 bilhões no início de 2025, o que pode explicar, ao menos em parte, a migração dos ativos para a infraestrutura de custódia da compradora.
📰 Nota editorial
As informações deste artigo são baseadas em reportagem da CryptoSlate. A Deribit não divulgou comunicado público detalhado sobre os motivos do encerramento da verificação diária até o fechamento desta edição. O KriptoHoje acompanhará eventuais atualizações da empresa.
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