Brent Kovar, fundador da Profit Connect, foi condenado por um júri federal em 15 acusações criminais ligadas a um esquema de fraude que movimentou US$ 24 milhões usando promessas falsas de inteligência artificial e criptomoedas.
Um júri federal dos Estados Unidos declarou Brent Kovar culpado em todas as 15 acusações apresentadas pelo Ministério Público, encerrando um processo que expôs um dos esquemas fraudulentos mais elaborados envolvendo criptomoedas e inteligência artificial dos últimos anos. A condenação representa um marco importante para as autoridades regulatórias americanas no combate a fraudes no mercado de ativos digitais.
Segundo a CryptoSlate, a empresa de Kovar, a Profit Connect, captou recursos de ao menos 400 investidores por meio de garantias falsas de retorno. A acusação sustentou que os clientes eram atraídos com a promessa de que uma plataforma baseada em IA gerenciava operações lucrativas com criptomoedas — o que, na prática, nunca existiu.
As investigações revelaram que as reservas financeiras apresentadas aos investidores como prova de solidez da empresa eram simplesmente inexistentes. O dinheiro captado não era aplicado em nenhuma estratégia de negociação: parte foi desviada para uso pessoal de Kovar, caracterizando o que os promotores classificaram como um esquema clássico de pirâmide financeira com verniz tecnológico.
Kovar foi considerado culpado em todas as 15 acusações apresentadas pelo júri federal, incluindo fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.
Ao menos 400 investidores foram lesados pelo esquema, que prometia retornos garantidos por meio de operações automatizadas com criptoativos.
O volume total movimentado pelo esquema chegou a US$ 24 milhões, sem que houvesse qualquer operação real lastreando os rendimentos prometidos.
A plataforma de inteligência artificial prometida pela Profit Connect nunca existiu — era apenas um recurso de marketing para atrair e enganar investidores.
O padrão que se repete: IA + cripto como isca
A combinação de inteligência artificial e criptomoedas tem sido cada vez mais usada por fraudadores para dar aparência de sofisticação a esquemas simples de desvio de recursos. Autoridades americanas como a SEC e o Departamento de Justiça têm intensificado a fiscalização sobre esse tipo de alegação, exigindo que empresas comprovem tecnicamente o que oferecem aos investidores.
O caso da Profit Connect reforça um alerta recorrente de reguladores: garantias de retorno em investimentos com criptoativos são, por definição, uma bandeira vermelha. Nos Estados Unidos, qualquer promessa de rendimento fixo em ativos voláteis já configura, por si só, motivo de investigação pela Securities and Exchange Commission (SEC).
A SEC tem intensificado sua atuação contra fraudes que utilizam o argumento tecnológico como chamariz. Casos semelhantes, envolvendo bots de trading inexistentes e plataformas de IA fictícias, vêm sendo investigados em paralelo em diversos estados americanos, segundo comunicados oficiais da agência.
📌 Contexto regulatório no Brasil
No Brasil, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e o Banco Central também monitoram esquemas similares envolvendo criptoativos. Investidores brasileiros que utilizam plataformas internacionais devem declarar seus ativos corretamente — confira o guia completo de criptomoedas para entender suas obrigações fiscais.
A sentença de Kovar ainda não foi definida, mas cada uma das acusações de fraude eletrônica prevê penas de até 20 anos de prisão segundo a legislação federal americana. A expectativa é de que a fase de sentenciamento ocorra nos próximos meses, com os promotores pedindo pena máxima dado o número de vítimas e o volume envolvido.
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