Companhias de capital aberto intensificaram a aquisição de Bitcoin no segundo trimestre de 2026, totalizando 110 mil BTC — crescimento de 1,8 vez em relação ao trimestre anterior, segundo dados do BitcoinTreasuries.
O movimento das tesourarias corporativas em direção ao Bitcoin ganhou força expressiva no segundo trimestre de 2026. Segundo levantamento do BitcoinTreasuries, empresas de capital aberto ao redor do mundo adquiriram coletivamente 110 mil BTC entre abril e junho, um volume 1,8 vez superior ao registrado no trimestre imediatamente anterior.
O dado foi reportado pelo portal Watcher Guru e chama atenção pelo ritmo de aceleração: não se trata apenas de um crescimento incremental, mas de uma mudança de patamar na disposição de empresas públicas em alocar capital no ativo digital.
Segundo a Watcher Guru, a tendência reflete uma consolidação da estratégia popularizada pela MicroStrategy — hoje rebatizada de Strategy —, que iniciou suas compras em 2020 e passou a ser referência para outras companhias que enxergam o Bitcoin como reserva de valor de longo prazo.
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O que está por trás da aceleração
Analistas apontam ao menos três fatores que contribuíram para o aumento das compras corporativas no período. O primeiro é a aprovação e maturação dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos, que reduziu barreiras regulatórias e de custódia para investidores institucionais. O segundo é a busca por proteção contra a desvalorização de moedas fiduciárias em um cenário de juros ainda elevados globalmente.
O terceiro fator, talvez o mais estrutural, é o efeito de legitimidade: à medida que empresas de maior porte e reputação consolidam posições em BTC, o custo reputacional de seguir a mesma estratégia diminui para outras companhias.
Volume total comprado por empresas públicas no 2º trimestre de 2026, de acordo com o BitcoinTreasuries.
O crescimento trimestral indica aceleração no ritmo de adoção corporativa, não apenas continuidade de tendência prévia.
Os dados contemplam companhias listadas em bolsas, cujas posições em BTC são divulgadas publicamente em relatórios regulatórios.
A adoção não se restringe aos EUA: empresas da Ásia, Europa e América Latina também figuram no levantamento do BitcoinTreasuries.
Impacto sobre a oferta disponível
Com o halving de 2024 tendo reduzido a emissão diária de novos BTC para cerca de 450 unidades, o ritmo de compras corporativas passa a representar uma fatia relevante da oferta que circula nos mercados. Economistas especializados em ativos digitais alertam que a combinação de demanda institucional crescente com oferta estruturalmente limitada cria uma dinâmica de mercado distinta da observada em ciclos anteriores.
Contexto: oferta fixa e demanda crescente
O Bitcoin tem oferta máxima de 21 milhões de unidades, das quais mais de 19,7 milhões já foram mineradas. Com empresas acumulando blocos expressivos e parte significativa dos BTC considerada “inativa” em carteiras de longo prazo, a oferta líquida disponível em exchanges tende a diminuir — o que historicamente tende a amplificar a volatilidade de preços em ambas as direções.
Vale destacar que o movimento corporativo não ocorre sem debate interno nas companhias. Conselhos de administração e gestores de risco têm debatido os limites adequados de alocação, dado que o Bitcoin ainda apresenta volatilidade significativa em comparação a ativos tradicionais de reserva, como títulos do Tesouro americano ou ouro.
📌 Nota editorial
Os dados citados nesta reportagem foram originalmente publicados pela Watcher Guru com base em informações do BitcoinTreasuries.net, plataforma que agrega e consolida posições declaradas de empresas públicas em Bitcoin. O KriptoHoje não verificou de forma independente os números e recomenda consultar as fontes primárias.
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