A Grayscale vai transformar os rendimentos de staking de Ethereum e Solana em dividendos pagos a acionistas — justamente quando as duas redes debatem cortar essas mesmas recompensas na origem.
A Grayscale protocolou documentos junto à SEC em 17 de julho descrevendo como seus ETFs de staking de Ethereum e Solana irão funcionar na prática. A proposta é converter os rendimentos gerados pelo staking em distribuições em dinheiro para os acionistas, com frequência mínima trimestral. A primeira distribuição está prevista para ocorrer por volta de 7 de agosto de 2025.
Na prática, o mecanismo replica o funcionamento de um dividendo tradicional do mercado de ações: o fundo retém os ativos, faz staking em nome dos cotistas e repassa os rendimentos periodicamente em reais ou dólares. Para investidores institucionais habituados à lógica do mercado de capitais, a estrutura é familiar e reduz a fricção de lidar diretamente com criptoativos.
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O paradoxo: Wall Street compra o produto enquanto os protocolos revisam a receita
Segundo a CryptoSlate, existe uma tensão relevante no horizonte: ao mesmo tempo que a Grayscale estrutura esses produtos com base nos rendimentos atuais de staking, tanto a rede Ethereum quanto a rede Solana estão avaliando mudanças de protocolo que reduziriam justamente essas recompensas.
No caso da Solana, desenvolvedores discutem acelerar o processo de desinflação da rede — o que, na prática, significaria emitir menos tokens novos como recompensa para validadores e stakers. No Ethereum, há propostas para reduzir a taxa de emissão de ETH destinada a validadores, em linha com debates sobre a sustentabilidade econômica do protocolo a longo prazo.
A Grayscale prevê a primeira distribuição de rendimentos de staking como dividendo por volta de 7 de agosto de 2025, com frequência mínima trimestral.
Desenvolvedores da Solana debatem acelerar a redução da emissão de tokens, o que diminuiria as recompensas brutas de staking distribuídas aos validadores.
No Ethereum, propostas em discussão apontam para a redução da taxa de emissão destinada a validadores, impactando diretamente o rendimento de staking.
Converter staking em dividendo é uma adaptação para o vocabulário de Wall Street: frequência definida, pagamento em dinheiro, sem necessidade de custodiar cripto diretamente.
O que muda para quem investe via ETF
Para o investidor que acessar esses ETFs, a experiência será parecida com a de um fundo de renda: em vez de acumular tokens adicionais de ETH ou SOL, o rendimento será convertido e depositado na conta como valor monetário. A estrutura simplifica a tributação e a contabilidade para fundos de pensão, family offices e gestoras tradicionais.
Rendimento sob pressão dos dois lados
A Grayscale estrutura ETFs prometendo rendimento de staking como dividendo, mas os próprios protocolos que geram essa renda estão sendo revisados. Caso as mudanças propostas em Ethereum e Solana sejam aprovadas, os rendimentos distribuídos aos cotistas tenderão a ser menores no futuro — um risco de protocolo que o investidor institucional precisa considerar.
A aprovação desses ETFs com funcionalidade de staking pela SEC representa uma virada relevante na postura do regulador norte-americano em relação aos criptoativos com rendimento nativo. Por anos, a agência resistiu a aprovar produtos que gerassem yield, por questões relacionadas à classificação dos ativos como valores mobiliários.
O movimento da Grayscale também sinaliza uma disputa crescente entre gestoras tradicionais para capturar a demanda institucional por cripto com rendimento — um segmento que, até recentemente, estava restrito a plataformas nativas do setor.
📌 Contexto editorial
As informações sobre os protocolos da Grayscale junto à SEC foram reportadas originalmente pela CryptoSlate com base nos documentos de 17 de julho de 2025. As mudanças de protocolo em Ethereum e Solana ainda estão em fase de debate e não foram implementadas.
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