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Ethereum abandona aposta criptográfica de 8 anos

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Após quase uma década apostando no algoritmo Poseidon como pilar criptográfico, o Ethereum muda de rota — não porque o Poseidon falhou, mas porque os sistemas de prova evoluíram além das expectativas.

Durante oito anos, a comunidade de desenvolvimento do Ethereum trabalhou com uma premissa central: algoritmos de hash amigáveis a provas de conhecimento zero, como o Poseidon, seriam indispensáveis para tornar a verificação criptográfica eficiente em uma rede de camada 1 (L1). Essa aposta moldou decisões de arquitetura, pesquisas e até roadmaps de longo prazo.

Agora, segundo reportagem da CryptoSlate, essa premissa está sendo revisada. Não porque o Poseidon foi comprometido ou se mostrou inseguro — mas porque os próprios sistemas de prova avançaram de forma suficientemente expressiva para alterar os termos do problema.

Por que o Poseidon foi adotado em primeiro lugar

O Poseidon é um algoritmo de hash projetado especificamente para operar com eficiência dentro de circuitos aritméticos — a estrutura matemática usada por sistemas de prova como SNARKs e STARKs. Hashes tradicionais como SHA-256 e BLAKE, amplamente usados em criptografia convencional, exigem operações binárias que, quando traduzidas para esses circuitos, geram custos computacionais muito elevados.

Esse era o tradeoff clássico: para tornar provas de conhecimento zero viáveis na L1 do Ethereum, seria necessário abrir mão dos hashes consolidados e adotar alternativas mais “amigáveis” aos circuitos. O Poseidon foi a resposta mais aceita para esse problema.

Leia tambem: guia completo de Ethereum.

O que mudou nos sistemas de prova

Segundo a CryptoSlate, a virada veio com o avanço das chamadas provas de campo binário (binary-field proofs). Esses sistemas conseguem lidar com operações binárias de forma muito mais eficiente do que as gerações anteriores de circuitos aritméticos, reduzindo drasticamente o custo de provar hashes como SHA e BLAKE dentro de um ambiente de conhecimento zero.

Em termos práticos: o que antes tornava SHA-256 e BLAKE proibitivamente caros para uso na L1 do Ethereum deixou de ser um obstáculo intransponível. O tradeoff que justificava o Poseidon foi invertido — não eliminado, mas rebalanceado o suficiente para reabrir o debate.

🔐 Poseidon

Hash otimizado para circuitos aritméticos. Eficiente em SNARKs/STARKs, mas menos consolidado em ambientes de segurança convencional comparado a SHA ou BLAKE.

⚙️ SHA-256 e BLAKE

Hashes tradicionais com décadas de auditoria e uso em produção. Antes inviáveis em provas ZK por custo binário; agora praticáveis com sistemas de campo binário.

🧮 Provas de campo binário

Nova geração de sistemas de prova que reduz o custo de operações binárias em circuitos ZK, alterando o equilíbrio entre eficiência e segurança consolidada.

🔗 Camada 1 (L1)

A blockchain base do Ethereum, onde as decisões de criptografia têm impacto direto em segurança, desempenho e interoperabilidade com rollups e soluções L2.

Poseidon não está “quebrado” — o contexto mudou

Um ponto central da análise da CryptoSlate é que essa mudança de direção não equivale a uma declaração de falha do Poseidon. O algoritmo não foi comprometido criptograficamente. O que aconteceu foi uma mudança no ambiente tecnológico que alterou os incentivos: se SHA e BLAKE agora podem ser provados de forma prática, a vantagem de eficiência do Poseidon deixa de compensar as perguntas abertas sobre sua maturidade de segurança em longo prazo.

O tradeoff foi invertido, não resolvido

A lógica original do Ethereum era simples: aceitar um hash menos testado (Poseidon) para ganhar eficiência em provas ZK. Com as provas de campo binário, essa troca deixou de ser necessária. SHA e BLAKE chegam com décadas de análise criptográfica, o que pesa na decisão — especialmente para uma infraestrutura de camada base.

A mudança tem implicações diretas para o roadmap de verificabilidade do Ethereum, especialmente os planos de tornar a L1 totalmente verificável por provas de conhecimento zero — uma das metas de longo prazo da rede. Definir qual hash será o padrão nesse contexto impacta desde a eficiência dos validadores até a compatibilidade com soluções de segunda camada.

📌 Nota editorial

A reportagem original foi publicada pela CryptoSlate e aborda o debate técnico em curso na comunidade de pesquisa do Ethereum. Decisões formais de protocolo ainda dependem de processo de governança e proposta de melhoria (EIP). O KriptoHoje acompanha o tema e trará atualizações conforme o debate avançar.

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Analista de suporte técnico da KriptoBR. Especializada em orientação a novos usuários de autocustódia e em prevenção a golpes envolvendo criptoativos.
Reportagem produzida com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas do setor e revisada pela equipe da KriptoBR antes da publicação. Como produzimos nosso conteúdo.
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Amanda Gomes
Analista de suporte técnico da KriptoBR. Especializada em orientação a novos usuários de autocustódia e em prevenção a golpes envolvendo criptoativos.

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