Pesquisadores identificaram 40 extensões maliciosas no Firefox projetadas para roubar segredos de carteiras de criptomoedas — nove delas se disfarçavam de ferramentas de resultados esportivos antes de revelar sua verdadeira natureza.
Uma investigação conduzida pela empresa de segurança Socket confirmou a existência de 40 identificadores de extensões maliciosas no navegador Firefox, todas voltadas ao roubo de informações sensíveis de carteiras de criptomoedas. O caso chama atenção não apenas pela escala do ataque, mas pela sofisticação da estratégia usada para enganar usuários comuns.
Segundo a CryptoSlate, nove dessas extensões começaram sua existência como add-ons aparentemente legítimos de placares e resultados esportivos. Após conquistar uma base de usuários instalados, as ferramentas passaram por atualizações silenciosas que as transformaram em vetores de ataque — um método que os pesquisadores descreveram como uma “armadilha de rotação de chaves”.
A tática é engenhosa: ao se apresentar inicialmente como um utilitário inofensivo, a extensão passa pela triagem inicial das lojas de aplicativos e pela desconfiança do usuário. As atualizações rotineiras — esperadas em qualquer software — são então usadas para introduzir o código malicioso sem levantar suspeitas imediatas.
Como o ataque funcionava na prática
Uma vez instaladas e atualizadas com o payload malicioso, as extensões passavam a monitorar a atividade do navegador em busca de interações com carteiras digitais conhecidas. O objetivo central era capturar chaves privadas, frases-semente (seed phrases) e outros dados de autenticação que permitem o acesso e controle total sobre fundos em criptomoedas.
Nove extensões se apresentavam como ferramentas de resultados esportivos, conquistando confiança antes de se tornarem maliciosas via atualização.
O malware mirava especificamente segredos de carteiras cripto, incluindo seed phrases e chaves privadas usadas para assinar transações.
O código malicioso foi inserido por meio de atualizações rotineiras, explorando a confiança que usuários naturalmente depositam em softwares já instalados.
Segundo a Socket, segredos de carteiras já expostos exigem migração ativa dos fundos. Desinstalar a extensão não reverte o comprometimento das chaves.
Um ponto crítico destacado pelos pesquisadores da Socket é que a simples remoção das extensões não é suficiente para proteger os ativos. Se as chaves privadas ou frases-semente já foram capturadas pelo malware, o usuário precisa realizar a migração dos fundos para uma nova carteira com novas credenciais — caso contrário, os ativos permanecem vulneráveis.
Por que carteiras de hardware são diferentes
Carteiras de hardware mantêm as chaves privadas em um chip isolado, fora do alcance do navegador e de qualquer extensão instalada no computador. Mesmo que um dispositivo esteja infectado com malware, as chaves nunca são expostas ao ambiente online — a assinatura das transações ocorre dentro do próprio dispositivo físico.
O episódio reforça um debate recorrente na comunidade de segurança sobre os riscos das carteiras custodiais baseadas em navegador (hot wallets), especialmente quando combinadas com extensões de terceiros. A superfície de ataque é significativamente maior do que em soluções de armazenamento a frio.
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🔍 Nota editorial
As informações deste artigo são baseadas na investigação publicada pela Socket e reportadas pela CryptoSlate. O KriptoHoje não teve acesso independente ao relatório técnico completo. Usuários que identifiquem extensões suspeitas devem consultar diretamente os canais de suporte de suas carteiras.
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Suas chaves fora do alcance de qualquer navegador
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