Um defeito em versões específicas do firmware da Coldcard silenciosamente comprometeu a geração de chaves privadas, colocando em risco cerca de US$ 130 milhões em Bitcoin antes que qualquer usuário percebesse o problema.
A equipe de Engenharia e Segurança Bitcoin da Block, em conjunto com desenvolvedores independentes do Bitcoin Core, identificou a causa raiz de uma série de perdas recentes envolvendo carteiras Coldcard, fabricadas pela Coinkite. O problema, segundo os pesquisadores, estava em um defeito específico de firmware que corrompeu o processo de geração de chaves privadas — o passo mais crítico na custódia própria de criptoativos.
Segundo a CryptoSlate, o bug redirecionou a geração de números aleatórios da fonte de hardware segura do chip STM32 — projetado exatamente para essa finalidade — para a biblioteca de software MicroPython. A diferença é significativa: geradores de hardware são considerados muito mais imprevisíveis e resistentes a ataques do que geradores baseados em software, que podem produzir sequências menos aleatórias e, portanto, mais vulneráveis.
Na prática, os dispositivos afetados geraram chaves privadas fracas sem qualquer indicação visível ao usuário. Quem seguiu todos os procedimentos corretos de segurança — anotou a seed phrase, manteve o dispositivo offline, nunca a digitou em um computador — ainda assim ficou exposto, pois o problema ocorreu antes mesmo da seed ser exibida na tela.
Leia tambem: guia completo de Bitcoin para iniciantes.
O que tornou essa falha especialmente grave
O defeito não gerava erros nem alertas. O dispositivo funcionava normalmente, mas produzia chaves privadas criptograficamente fracas sem qualquer aviso ao usuário.
O chip STM32 possui gerador de entropia físico. O bug desviou esse processo para o MicroPython, uma biblioteca de software com entropia consideravelmente inferior.
Estimativas apontam que os fundos comprometidos pelo defeito somam aproximadamente US$ 130 milhões em Bitcoin, afetando carteiras criadas durante o período das versões defeituosas.
Mesmo usuários que seguiram rigorosamente as recomendações de segurança foram afetados. A falha ocorreu na camada de geração, anterior a qualquer ação do usuário.
“Not your keys” não basta se as chaves forem fracas
O caso reacende um debate central na comunidade Bitcoin: o mantra “not your keys, not your coins” — que defende a custódia própria em vez de depender de exchanges — pressupõe que as chaves geradas pelo dispositivo sejam criptograficamente sólidas. Se o próprio equipamento responsável por criá-las apresenta falhas, a premissa se desfaz.
O princípio da desconfiança saudável
Especialistas em segurança há anos recomendam que usuários avançados utilizem mais de uma fonte de entropia na geração de seeds — combinando o gerador do dispositivo com dados externos, como dados de um dado físico ou entropia do próprio usuário. O caso Coldcard ilustra por que depender exclusivamente de um único dispositivo pode ser um ponto único de falha.
A Coinkite, fabricante da Coldcard, ainda não havia publicado uma resposta pública detalhada sobre o incidente no momento da publicação desta reportagem. A comunidade de desenvolvedores e pesquisadores de segurança continua analisando quais versões exatas de firmware foram afetadas e por quanto tempo o defeito permaneceu ativo.
Para usuários que possuem carteiras Coldcard criadas no período suspeito, a recomendação geral dos pesquisadores é transferir os fundos para uma carteira nova, gerada em um dispositivo com firmware atualizado e verificado — mas sempre com orientação técnica adequada antes de qualquer movimentação.
📰 Nota editorial
As informações desta reportagem são baseadas na análise publicada pela CryptoSlate, com base em pesquisas conduzidas pela equipe de segurança da Block e colaboradores do Bitcoin Core. O KriptoHoje acompanhará eventuais desdobramentos e posicionamentos da Coinkite.
Importante: não damos recomendação de investimento
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O KriptoHoje não é consultor de investimentos e não recomenda a compra, venda ou manutenção de qualquer ativo. Investimento em criptoativos envolve risco elevado de perda total.
Segurança começa com o dispositivo certo
A KriptoBR, integrante do mesmo grupo do KriptoHoje, é a maior e mais antiga revenda oficial de hardware wallets do mundo. Trezor, Ledger, SecuX, Yubico e Key-ID.
Mais de 600 mil clientes atendidos em 32 países. Envio direto do Brasil, garantia do fabricante, suporte técnico em português.
Leituras relacionadas
🌱 O que é seed phrase e como protegê-la?A seed phrase é a chave mestra da sua carteira. Saiba o que é, como funciona e quais cuidados são essenciais para não perder seus fundos.
₿ Custódia própria de Bitcoin: guia práticoManter Bitcoin em autocustódia exige mais do que um dispositivo seguro. Veja as melhores práticas para proteger seus ativos digitais.
Este conteúdo é de caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptomoedas são ativos voláteis; consulte um profissional antes de investir.
